A viagem de conversão dos Reis Magos

“Tendo, pois, Jesus nascido em Belém de Judá, no tempo do rei Herodes, eis que magos vieram do Oriente a Jerusalém (…) Entrando na casa, acharam o menino com Maria, sua mãe. Prostrando-se diante dele, o adoraram. Depois, abrindo seus tesouros, ofereceram-lhe como presentes: ouro, incenso e mirra”. (Mt 2,1.11)

A história dos santos Reis Magos já é bem conhecida. Todo ano estão presentes nos presépios, os quais são tradicionalmente desmontados em sua data festiva. Parece que há uma enorme contradição entre ser santo e mago ao mesmo tempo, né? Porém, o relato bíblico nos traz ensinamentos magníficos.

A Viagem

A viagem do oriente até Belém, passando por Jerusalém, guiados por uma estrela, foi desgastante fisicamente devido às condições de transporte da época. Além de atravessarem o deserto da Arábia, como atestam alguns historiadores. Mas, por que a estrela os guiou até Jerusalém, e não direto a Belém? Porque a salvação deveria chegar primeiro aos judeus, conforme relataram os profetas. A viagem também for marcada por uma viagem interior, de mudanças. Reis ou não, tais magos buscavam, à sua forma, marcados pelo ouro, incenso e mirra, uma mudança de vida. E foram em busca dela. E você? O que busca ao olhar para o presépio? Qual presente você levaria para o Menino Deus?

Por isto, ao chegarem no santo casebre de Belém, prostraram-se, ajoelharam-se ante o Rei dos reis. E aí eles nos ensinam. No silêncio. São Mateus não traz nenhuma palavra sequer deles. Adoraram ao Deus que se fez criança. A atitude deles é nobre. Afinal, para entrar na Casa do Senhor faz-se necessário prostar-se em sinal de humildade, em reconhecimento ao Deus Soberano, a quem deve-se toda adoração, e a mais ninguém. Ainda hoje, na Igreja de Santa Catarina, onde encontra-se a gruta de Belém, para entrar, deve-se curvar-se totalmente. Ou seja, não só quando os Reis Magos visitaram e adoram Jesus, mas ainda hoje deve-se curvar diante Dele. E assim, sempre será.

Como se reconhece a Casa de Deus?

Dois fatos nos remetem a isto.

O primeiro, Maria. Onde está Jesus também está sua Santíssima Mãe. Desde o ventre ela nos aponta, sempre, para seu Filho amado. Assim ela foi saudada por sua prima Isabel: “Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre. Donde me vem esta honra de vir a mim a mãe de meu Senhor?” (Lc 1,42s)

O outro fato, não por coincidência, foi a própria Belém, cujo significado é “casa do pão”. “Eu sou o pão vivo que desceu do céu. Quem comer deste pão viverá eternamente. E o pão, que eu hei de dar, é a minha carne para a salvação do mundo” (Jo 6,51). Proclamaria mais tarde Jesus.

Assim, neste ano que se inicia somos convidados a retirarmos tudo aquilo que nos faz “reis”. Como aqueles que buscaram mudança de vida e fizeram uma longa viagem de conversão, joguemos fora tudo aquilo que é pagão, que nos desvia do verdadeiro propósito ensinado por São Paulo: “buscai as coisas lá do alto, onde Cristo está sentado à direita de Deus” (Col 3,1). Busquemos a Deus, certos de que, ao longo deste ano, a “todas as coisas serão dadas em acréscimo” (Mt 6,33).

Reflitamos como podemos nos inspirar na história da Epifania e oferecer nós mesmos nossos presentes para Jesus. Ouro, incenso ou mirra? Qual será seu presente para Jesus?

Wellington de Almeida Alkmin, pelo Hozana

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