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Michael Phelps revela sua experiência com Deus

Michael Phelps revela sua experiência com Deus

Sydney 2000, Atenas 2004, Pequim 2008, Londres 2012, Rio 2016!

Estreia sem medalhas, 8 medalhas, 8 medalhas, 6 medalhas, 6 medalhas!

Michael Phelps é o atleta olímpico mais condecorado de todos os tempos.

O maior atleta olímpico da história, saiu da aposentadoria para brilhar ainda mais nas Olimpíadas Rio 2016. Chegou no Rio já com 22 medalhas conquistadas, sendo 18 de ouro. Aqui, conquistou outras 6, 5 de ouro e 1 de prata.

Entre 164 e 152 Antes de Cristo, Leônidas de Rodes conquistou 12 vitórias olímpicas em provas individuais. O recorde de Leônidas durou cerca de 2.160 anos, atravessando milênios, guerras e mudanças. Ao vencer sua 13ª medalha de ouro em competições olímpicas individuais, no 200m medley individual, Michael Phelps superou Leônidas de Rodes, um dos mais famosos atletas olímpicos da Antiguidade.

Mas nem tudo é o que parece. Ao final da Olimpíadas de Londres 2012, o atleta americano anunciou sua aponsetadoria.

Até onde Michael Phelps consegue se lembrar, ele sempre odiou cobras. Quando era menino, pegou uma pedra no quintal em frente à casa de seus pais e encontrou uma cobra que sibilava enquanto rastejava. Ficou tão traumatizado que, durante décadas, a lembrança se repetia em pesadelos que o faziam tremer, suar e não conseguir voltar a dormir. Amigos e familiares não podiam nem dizer a palavra “cobra” na presença dele.

Tudo tinha sido um segredo por tanto tempo; já não é mais. A dupla, Phelps e Bowman, seu treinador, se conheceu em 1996, quando Bowman veio para North Baltimore no caminho para a faculdade de veterinária. Bowman planejou deixar de treinar depois que uma dupla de esperanças olímpicas o deixou antes dos Jogos de Atlanta, mas Murray Stephens, de North Baltimore, lhe ofereceu US$ 30 mil para ser técnico por mais uma temporada. Foi quando ele cruzou com o garoto de 11 anos, Phelps. Tudo mudou.

Treinar Michael Phelps não era fácil. Ele foi diagnosticado aos 9 anos com TDAH, e pode ser teimoso, cabeça dura, isolado, insatisfeito e impiedoso. “Eu prefiro dizer complexo”, falou Bowman. Mas esses são os mesmos traços que podem resultar em grandeza. Bowman era igualmente obstinado, o raro sujeito que se recusava em desistir de Phelps, mesmo que o nadador atirasse uma garrafa d’água na cabeça dele ou o xingasse na frente do resto da equipe. A dinâmica era simples. Bowman forçava Phelps. Phelps revidava. Bowman forçava ainda mais. Por fim, um dos dois desabava.

Eles faziam isso, e nada os parava”, disse Allison Schmitt, outro nadador de North Baltimore. “Ninguém podia fazer nada além de ficar olhando. Era como uma novela.

As histórias das muitas brigas deles são lendárias. No Centro Aquático de Meadowbrook, onde Phelps treinou, ainda tem um amassado enorme numa das portas, cortesia do pé direito de Bowman depois de uma das brigas deles. Um treinador ainda tem o cronômetro quebrado que Bowman uma vez jogou na parede de tanta raiva. E ninguém vai esquecer tão cedo da vez quando Bowman e Phelps tiveram um arranca-rabo no estacionamento do Meadowbrook num ataque de fúria no estilo “Dias de Trovão”, cheio de testosterona, com dedos médios completamente esticados. 

Bowman tentava chegar na piscina antes de qualquer um dos atletas, normalmente às 5h da manhã. Nos fins de semana, Phelps tentava chegar antes dele. “E se ele algum dia chegasse, ele dizia, ‘Olha, cheguei antes de ti, não sabia que o treinador deveria estar aqui antes do atleta?’”, Bowman disse. “Eu dizia, ‘Tá bom, Michael. Esse é o Bob 5.028 e Michael 2. Quando você empatar, me avise’.

Só ele fazia isso”, disse Bowman. “Todos os outros estão preocupados, ‘Ai, meu deus, Bob nunca perde um treino’. E essa é a mensagem dele para mim. E ele realmente quer dizer isso. É essa coisa egocêntrica.

Para Phelps, o sucesso trouxe isolamento. Ele não tinha amigos, nenhum lugar onde pudesse se encaixar e agir como qualquer pessoa da sua idade. Cresceu encarando uma linha preta na piscina, amadurecendo mais lentamente que os meninos da sua idade e, finalmente, procurando fugir dos olhares que o seguiam por onde quer que ele fosse. Mas a natureza do treinamento para as Olimpíadas não permite muito planejamento para a parte emocional. E, mesmo que permitisse, ninguém poderia ter preparado Phelps para o seu nível de sucesso.

Talvez tenha sido errado forçá-lo tanto a fazer essas coisas”, disse Bowman. “Mas eu não acho. Ele se lembra dessas coisas com orgulho. Mas eu sinto que, ao longo do caminho, nós provavelmente não prestamos atenção suficiente aos outros aspectos dele.

Depois de ganhar oito medalhas de ouro em Pequim-2008, Phelps entrou em um tour global de entrevistas, encontros e tapetes vermelhos. No seu primeiro dia longe de tudo isso, ele foi fotografado fumando um “bong” (aparelho usado para fumar qualquer tipo de erva) em uma festa na Carolina do Sul. A foto viralizou. Ele perdeu o seu principal patrocinador, Kellogg Co., e foi suspenso da natação dos EUA por três meses. Depois dos Campeonatos Mundiais em 2009, as bebidas, festas e rebeldias de Phelps pioraram. Todos os dias em Meadowbrook, os olhos de Bowman iam do relógio para a porta da frente e para a dos fundos, pensando se Phelps iria aparecer.

Era terrível”, disse Bowman. “Eu gritava com ele, não conseguia me conter. E ele simplesmente faltava mais. Ia para Vegas. Fazia uma coisa ou outra. E se sentia culpado, voltava e treinava duro. Nós continuamos com essa dança.

Phelps queria desistir, mas sentia que não podia por causa de obrigações de patrocínio. “Eu tinha que continuar mais quatro anos. Não tinha outra opção”, disse ele. “Eu achei que podia fingir. Só fazer um pouco e fingir que estava trabalhando. E quase consegui fazer isso.

Phelps e Bowman, que compartilhavam um agente, estavam vinculados como treinador e atleta por meio de patrocínios e outros contratos. Mesmo assim, o relacionamento deles tinha se deteriorado, chegando ao ponto de Phelps mudar de assento na companhia aérea sempre que a reserva dele era feita perto da de Bowman. A comunicação longe das piscinas acontecia em um jogo “Words With Friends”, uma espécie de palavras-cruzadas. Quando Phelps participava, Bowman sabia que eles estavam bem. Quando não participava, sabia que não estavam.

No verão de 2012, ninguém odiava nadar mais do que Michael Phelps. E ninguém desprezava treinar mais do que Bob Bowman. De alguma forma, eles conseguiram manter tudo em segredo fora do círculo mais íntimo de Phelps. “Nós fomos para [Londres] como se tudo estivesse sob controle. É isso mesmo. Era tudo fachada. Ou Relações Públicas”, disse Bowman. “Nós somos muito bons, muito bem treinados em Relações Públicas. E, honestamente, pelo futuro dele, era assim que tinha que ser.

Londres terminou com um abraço e um “bom trabalho”, e então os dois homens seguiram caminhos diferentes. Phelps se aposentou. Bowman deixou de treinar. Porém, um ano depois, Phelps disse a Bowman que queria voltar. “Eu não queria fazer parte”, disse Bowman. “Não queria passar por aquilo de novo.

Phelps convenceu Bowman que, desta vez, seria diferente. O treinador também pensou que um retorno à piscina poderia ajudar o nadador a ficar longe dos problemas. Mas naquele outono, Phelps foi preso e acusado de dirigir alcoolizado. “Quando isso aconteceu, eu pensei, ‘Já chega, você nunca vai mudar’”, disse Bowman. “E eu fiquei morrendo de medo que o resto da vida dele fosse ser assim.

O primeiro tetracampeão olímpico de uma prova de natação falou à revista norte-americana ESPN, em sua edição de 18 de julho, que em setembro de 2014 pensou em suicídio depois de considerar ter chegado “no fundo do poço”.

Veja como a ação de Deus sobre sua vida o transformou e evitou seu suicídio.

Na entrevista, disse Phelps à ESPN: “Eu era um trem desgovernado. Eu era como uma bomba-relógio, esperando para estourar. Eu não tinha autoestima. Em alguns momentos eu não queria estar aqui. Não era bom. Eu me senti perdido.

Phelps foi preso duas vezes em 10 anos por dirigir alcoolizado. Durante esse tempo, a imprensa publicou fotos do nadador usando drogas. Foi nesse momento que o Mihcael Phelps se via no “fundo do poço”.

Ele queria ficar somente no quarto de sua casa, em Beltimore, durante todo esse processo. Chegou a pensar em suicídio. “Este é o fim da minha vida… Quantas vezes fiz besteiras? Talvez o mundo seria melhor sem mim.”, pensava Phelps.

Conta ainda que se isolou, não queria comer e quase não dormiu durante pelo menos uma semana, enquanto conservava a ideia de se matar.

Foi então que seu amigo de longa data, estrela do futebol americano Ray Lewis, veio ajuda-lo. Lewis o chamou e disse: “Não desista. Se você desistir todos nós perdemos.” Lewis convenceu Phelps a procurar ajuda em Meadows, uma clínica de reabilitação comportamental.

Ele se abriu com o terapeuta e outros pacientes sobre as suas brigas com o pai, suas discussões acaloradas com Bowman e os desafios de lidar com a fama. Um dia, ele confessou que por muito tempo se viu como o bebê que iria “reunir a família novamente”. A resposta do terapeuta dele: “Bem, você falhou. Como isso faz você se sentir?” Com o tempo, Phelps percebeu que todos aqueles pesadelos com a cobra aconteciam depois de algum conflito, conversa ou pensamento envolvendo o pai.

”Ou eu estava brigando com o meu pai ou, se acontecesse algo relacionado ao meu pai, eu sonhava com uma cobra naquela semana“, disse ele. “Acho que é por isso que eu sempre tinha medo desses sonhos. Eu não queria voltar para aquilo. Eu não sabia se haveria um conflito entre nós, então eu o afastava e fugia.

Entre as sessões de terapia, Phelps treinava numa piscina pequena, trabalhando em treinamentos de saída e giros, enquanto outros pacientes ficavam observando. Toda manhã, ele levantava pesos na academia do local e pedalava 32 km por dia. Ao falar com ele pelo telefone, Bowman sentiu uma mudança. Mas só quando visitou Phelps foi que percebeu até que ponto.

Eu sou a pessoa mais cética que existe”, disse Bowman. “Eu não acredito em nada disso ‘Ele nunca vai mudar, sempre vai ser do mesmo jeito’. Mas ele estava completamente diferente, de uma forma que eu nunca tinha imaginado. Ele estava honesto e engajado. Eu saí de lá naquele dia pensando que talvez houvesse uma chance em que isso pudesse ajudá-lo.

Phelps passou a acreditar que há um poder maior que ele e que há um propósito para ele neste planeta. Se reconciliou com seu pai, Fred, que se divorciou da mãe do nadador quando ele tinha apenas 9 anos de idade.

 

 

Assessoria de Imprensa

João Artur Santos

MTB 3607/CE 

 

FONTE: ESPN The Magazine (Wayne Drehs, repórter da ESPN)

 

Veja a entrevista completa: