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Juazeiro Ecológico

Juazeiro Ecológico

Juazeiro Ecológico:
Um passo sustentável em direção à transformação social

Fundada em Março deste ano, o projeto Juazeiro Ecológico é uma iniciativa de Aroldo Sousa, integrante da Comunidade Shalom e dedicado à sustentabilidade ambiental. Com esta ação, ele consegue convergir o reuso de materias que seriam descartados (como a fabricação de sabão do óleo usado e reciclagem de materiais) em ações de transformação popular e ecológicas, quando estes mesmos materiais fabricados geram renda às famílias da região.
Conversamos com Aroldo para entendermos melhor o funcionamento do projeto. Confira:



O que é o projeto Juazeiro ecológico?
- O projeto é uma organização que funciona como uma ponte, interligando diversas atividades socioambientais.

Desde quando é realizado?
- O projeto teve início no dia 12-03-2016 e apesar de pouco tempo vem conquistando a admiração e o apoio do público.

Houve algum atrativo diferencial para o projeto ter sido desenvolvido em Juazeiro?
- O atrativo principal é a carência de atividades neste sentido na cidade. Existe um verdadeiro descaso, tanto por parte do poder público, como da população em geral com a questão ecológica. Essas lacunas nos chamaram a desenvolver soluções neste sentido, onde o objetivo principal é estar próximo das pessoas, para que elas tomem conhecimento das nossas ações e se tornem colaboradoras.

Quais ações envolvem o projeto?
- Pontos de coleta, Educação, Conscientização, Oficinas, Doações de kits para produção de produtos ecológicos à base de óleo de fritura usado, valorização de catadores, motivando empresas a doarem carrinho para facilitar a coleta de materiais recicláveis e etc…

Como elas se relacionam entre si e com a comunidade local?
- Veja bem, a questão socioambiental é uma rede em forma de cadeia alimentar. Quando coletamos o óleo usado produzimos o sabão ecológico, compramos as embalagens dos catadores da cidade e beneficiamos as pessoas e entidades com a venda dos produtos. Mas olhando a estrutura, todos os envolvidos na rede acabam sendo beneficiados, direta ou indiretamente, afinal de contas, quando retiramos tantos materiais do meio ambiente, estamos beneficiando a sociedade em geral.

Houve alguma resistência?
- Sim, estamos encontrando resistência em desenvolver o projeto, principalmente quando queremos colocar um ponto de coleta, de óleo por exemplo, em uma paróquia. E, apesar de estarmos sendo chamados pela atual Campanha da Fraternidade aos cuidados com a casa comum, é naquela casa que ensina que muitas vezes fecha-se as portas.

Quais as dificuldades?
- Ter que começar do zero é a principal dificuldade, ter que agir pela fé é desafiante, mas no geral não há tantas dificuldades, o que há de fato é resistência.

Além de você, houve outros idealizadores?
- Não, não há outros idealizadores, porém, temos vários colaboradores que contribuem no desenvolvimento das atividades do projeto. Em geral, uma conversa aqui, outra ali, acaba se transformando em um ideal a ser abraçado ou implantado.  

O que te motivou a cria-lo?
- Na minha infância fui catador de materiais recicláveis, sempre quis fazer algo para valorizar, facilitar e conscientizar sobre a importância deste trabalho. Depois de tanto tempo, me veio neste ano uma inspiração para concretizar aqueles ideais, então, eu não pude dizer "não". Além disso, como já descrevi anteriormente, há um chamado em curso através da CF 2016, além deste chamado, existe a necessidade. Então, quando vi que era a hora de fazer, assim fiz.

O projeto é parte ou possui apoio da igreja?
-Até o momento, o apoio que temos é unicamente da iniciativa privada, a Igreja entra de forma pessoal, com a ajuda de alguns párocos que sedem um pouco do espaço para que possamos instalar pontos de coleta. O apoio das novas comunidades, em especial da comunidade Shalom de Juazeiro vem sendo essencial no desenvolvimento do projeto, a primeira porta foi a Shalom que abriu.  

Como elas se relacionam?
- Tenho uma experiência que vem dando certo neste sentido, ela acontece a pouco mais de 15 dias na Paróquia Nossa Senhora Auxiliadora. O Padre Luciano celebrou uma Missa em um albergue onde a Shalom administra e conheceu os produtos ecológicos que lá são produzidos, então, o mesmo acatou um pedido nosso para instalar um coletor de óleo usado no salão paroquial. Ele divulgou algumas vezes nas Missas e os fiéis já criaram o hábito de levar o óleo e colocar no coletor. Então, somos a ponte, mas precisamos de interlocutores que nos ajudam a fazer acontecer.

Quais os outros apoiadores do projeto?
-Quem banca financeiramente o projeto são empresas da cidade. Em troca de alguns benefícios de mídia digital e instalações de pontos de coleta de eletrônicos em seus estabelecimentos, eles acabam investido na causa do projeto.

Quais são  as perspectivas de futuro para o projeto?
As perspectivas são de que, primeiro, aconteça uma mudança radical na cidade piloto, gerando melhorias na qualidade de vida e formação de consciências responsáveis por um futuro melhor. Em seguida, esperamos que este modelo possa ser implantado em qualquer cidade ou região do país.

Há intenções de expandi-lo para outras regiões?
Sim, inclusive já estamos expandindo para as cidades vizinhas e, quem sabe, em breve estaremos alçando voos mais altos.