Tocar sem ensaiar é como servir sem orar

Tocar sem ensaiar é como servir sem orar

É comum no ensino de instrumento musical para crianças, que os professores as instruam da seguinte forma: você deve ensaiar, pelo menos, uma hora por dia, todos os dias. E, de certo modo, o estudo pode fazer com que as coisas fiquem automáticas, mecânicas. Com os ensaios, somos capazes de tocar sem ler a partitura. E isso é ótimo. No entanto, é preciso colocar emoção naquela peça que tinha se tornado automática, se não a música não atingiria seu objetivo que é mostrar o belo.

Em contrapartida, tem-se os efeitos desastrosos da falta de ensaio. Você já presenciou alguma apresentação em que se percebe claramente se houve ou não ensaio suficiente? Provavelmente sim! Portanto, é extremamente necessário o ensaio em todas as áreas dos Ministérios de Música.

Porém, quando o tocar e o cantar tornam-se automáticos, dá ao público a impressão de que é um ministério mecânico, ou seja, muita técnica e pouco espírito. Não há um sorriso natural, não há uma expressão de paz e confiança em Deus.

A confiança gira apenas em si mesmo, às vezes até gerando desconfiança nos irmãos de ministério: “Será que ele vai entrar na hora certa?”; “Será que vai acertar aquele solo?”; “Ela errou a fala no último ensaio...” etc.

Quando isso acontece, é sinal de que depositamos a confiança apenas em nós mesmos. Deixei de confiar em Deus e confio apenas no meu ensaio, na minha técnica. Pior: é sinal que deixei de rezar, seja na minha oração pessoal, seja com o necessário momento de oração dentro do Ministério. O momento de oração com o Ministério é tão vital quanto os ensaios. Pelo nosso ativismo, esquecemos com frequência por quem fomos chamados e para quê.

A técnica tem sua devida importância porque o belo também tem o poder de nos conduzir a Deus! Porém, quando não paramos para saber o que Deus quer de nós como Seus ministros, nós nos tornamos robôs: apenas fazemos. E, como robôs, “não temos alma/espírito”, e será impossível que Deus aja através de nós para tocar o coração daqueles que nos ouvem e veem.

Quando paramos para rezar, e mais, para ouvir a Deus, é Ele mesmo quem nos mostrará a necessidade daquele povo a quem vamos nos dirigir. O Espírito Santo agirá, e nós, como ministros, teremos a confirmação daquilo que o Senhor nos tinha dito, porque Ele é fiel. E nos confirmará para termos sempre em mente que somos apenas instrumentos em Suas mãos, pois a “peça final” é dEle, a quem pertence todo louvor, glória e realeza.

Terminemos com a preciosa lição de São Paulo:

De fato, não nos pregamos a nós mesmos, mas a Jesus Cristo, o Senhor. Quanto a nós, consideramo-nos servos vossos por amor de Jesus. Porque Deus que disse: Das trevas brilhe a luz, é também aquele que fez brilhar a sua luz em nossos corações, para que irradiássemos o conhecimento do esplendor de Deus, que se reflete na face de Cristo. Porém, temos este tesouro em vasos de barro, para que transpareça claramente que este poder extraordinário provém de Deus e não de nós” (II Cor 4, 5-7).

 

Por Sara Pimentel, Membro da Comunidade Recado.

 

 

 

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