TEATRO: coragem de se dar ao outro

TEATRO: coragem de se dar ao outro

Fazer teatro é trabalhar em equipe. Por traz de qualquer apresentação, por menor que seja, existe alguém pra colocar a música na hora certa, pra apagar ou acender a luz, alguém que dirigiu o ator até a hora dele chegar ao palco, e na maioria das vezes, alguém com quem ele dividirá o palco. O ator nunca pode se preocupar só com o seu papel, a sua fala, a sua entrada, porque ele nunca está sozinho. Como atriz, o que eu mais escuto é: “você não pode ter segurança só da sua fala, você precisa saber tudo o que acontece em cada momento do espetáculo”. O ator não faz o espetáculo sozinho, ele é uma construção comunitária.

No palco, se alguém esquece sua própria fala, eu preciso estar pronta para ajudar. Na vida comunitária se alguém esquece seu papel, sua importância, eu preciso estar pronta para lembrar. No espetáculo, se alguém erra e ninguém ajuda, põe-se tudo a perder. Na vida comunitária se alguém cai e ninguém ajuda, ali não existiu vida comunitária.
Certa vez ouvi de uma professora uma frase que me marcou muito: “O teatro é uma arte coletiva.” O ator nunca pode esquecer-se do outro, tampouco um irmão de comunidade pode esquecer-se do outro.

Tenho descoberto que mais que exposição, o teatro exige coragem de se dar ao outro. Se eu não confio e não me dou ao outro no palco, o espetáculo não acontece.  Da mesma forma se eu não tiver a coragem de me dar verdadeiramente numa vida comunitária, tudo não passará de uma mentira. Ao contrário do que muitos pensam, pra ser ator é preciso muita verdade, tanto quanto pra viver em comunidade.

 

Por Talita Lima, Membro da Comunidade Recado.

 

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