Série – O artista católico e os Conselhos Evangélicos

Série – O artista católico e os Conselhos Evangélicos

A castidade castra a arte?

 

O Catecismo da Igreja Católica nos fala que “A castidade significa a integração correta da sexualidade na pessoa e, com isso, a unidade interior do homem em seu ser corporal e espiritual... A virtude da castidade comporta, portanto, a integridade da pessoa e a integralidade da doação.” (Cat 2337). A castidade possibilita ao homem a sua integralidade corporal e espiritual o auxiliando na vivência das virtudes. A castidade por agir no ser humano como um todo, permite a aprendizagem do domínio de si, tornando-o livre do jugo dos desejos e paixões da carne. Por meio da castidade o Espírito Santo vem ordenar toda a potência de amor que há no ser humano.

A arte nasce da sensibilidade aguçada, nasce no interior do artista e permeia a sua totalidade, levando o artista a uma busca pela liberdade no sentir, no expressar e no fazer artístico. Nesse contexto, o corpo, que é instrumento de muitos artistas precisa ser compreendido em sua sacralidade e não apenas em matéria coisificada para ser utilizada como e da forma que se deseja. Da mesma forma a arte que nasce da sensibilidade, ela é proveniente do interior do homem, e para além disso, ela nasce primeiramente no coração de Deus e, por isso, tem a sua sacralidade e sua ligação com o divino.

A castidade, ao contrário do que muitos pensam, não retira do artista sua liberdade de sentir, expressar e fazer, mas ela ordena no interior do artista toda a potência de amor que nele existe e que é dom de Deus, significando e resignificando sua arte para aquilo que é verdadeiramente belo. A castidade permite ao artista superar suas limitações carnais e não ser escravo de seus desejos e inclinações.

É preciso lembrar que o artista católico professa uma fé, busca a vivência de virtudes e valores que não fazem dele escravo do mundo, mas que o liberta para ser o que se é em Deus. Assim, por meio da castidade o artista consegue viver o domínio de si, ordenando a doação de si mesmo ao outro por amor, mas não um amor mundano, desfigurado, mas um amor sagrado que tem em Cristo o seu modelo a ser imitado, seguido.

“A castidade é a energia espiritual que sabe defender o amor dos perigos do egoísmo e da agressividade, sabe promovê-lo para a sua mais plena realização”[1]. A castidade, então, é a proteção, a defesa de nosso maior tesouro: o amor. Assim, a virtude da castidade não pode ser “entendida como uma virtude repressiva, mas, pelo contrário, como a transparência e, ao mesmo tempo, a guarda de um dom recebido, precioso e rico, o dom do amor, em vista do dom de si que se realiza na vocação específica de cada um”. Dessa maneira, o fato de ser artista não isenta o artista católico da vivência do Conselho Evangélico da castidade na busca por uma vida casta e santa, pois a sua arte tem em vista Aquele que é o Artista maior – Deus e busca ser reflexo desse amor ao mundo. O artista católico não tem que levar o mundo na sua arte, mas levar a sua arte toda inteira em Deus ao mundo, carente e necessitado de se encontrar com o verdadeiro amor.

O artista católico não faz apenas arte, o artista católico fala do amor de Deus pela sua arte e o amor “tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta." (1 Cor 13, 7)

 

Por Laianne Viana, Membro da Comunidade Recado

 

 

Referências

Catecismo da Igreja católica (Cat).

FIORES, Stefano de; TULLO, Goffi. Dicionário de Espiritualidade. São Paulo: Paulus, 1993.

BORRIELLO, L.; CARUANA, M. R. Del Genio. Dicionário de Mística. São Paulo: Paulus, edições Loyola, 2003.

 


[1] ANDRADE, André L. Botelho de. O que é castidade?

http://www.pantokrator.org.br

 

 

 

 

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