Série – O artista católico e os Conselhos Evangélicos

Série – O artista católico e os Conselhos Evangélicos

A pobreza e o artista

 

 

“O homem vale o que ele é diante de Deus e nada mais.”

(São Francisco de Assis)

 

 

Meditando sobre o Conselho Evangélico da Pobreza, fiquei pensando na forma em que o artista católico tem vivido a pobreza e logo me veio a lembrança os artistas de circo que, em sua maioria, não buscam a riqueza material e não se apegam aos bens, a sua riqueza é a sua arte. Assim também são os artistas de rua, que muitas vezes ficam nos faróis a adornar nosso dias com sua arte, recebendo algumas moedas como gratidão e reconhecimento. Mas para eles as moedas não são o mais importante, o sorriso no rosto e o olhar que acolhe a sua riqueza, isto é, sua arte, vale muito mais do que as poucas moedas que não lhe garantem nem o alimento.

Para o artista católico a vivência da pobreza se assemelha muito com os artistas de circo e os artistas de rua, no sentido de que não se deve buscar os bens materiais acima de tudo e de todos e, tampouco se apegar a eles. A arte na alma do artista não encontra sentido no valor material que ele recebe, o seu valor está na oportunidade de expressar sua arte e no acolhimento dessa mesma arte que é um bem muito precioso, é dom, é graça de Deus.

Pobreza é dar continuamente tudo!!! A pobreza consiste em saber partilhar, em não reter para si, em sair de si para ir ao encontro das necessidades do outro, sejam ela materiais ou não. Ser pobre é viver num eterno doar-se por amor a Deus e aos irmãos. Dessa maneira, o artista católico ao se colocar a serviço do Reino de Deus na evangelização, na salvação das almas está oferecendo a Deus e ao próprio Cristo presente nos irmãos o seu precioso bem, está partilhando dom, partilhando vida e levando os corações a uma experiência com o amor de Deus.

Sabemos que a pobreza não se limita unicamente aos bens materiais, mas abrange a alma e coração. Dessa forma, quando falamos da vivência da pobreza evangélica estamos falando de um despojar-se de si como Jesus o fez. Jesus foi pobre desde seu nascimento quando repousou toda sua divindade numa manjedoura, num estábulo e assim seguiu por toda a sua vida. Os seus bens eram as almas e corações que se voltavam para Deus, as pessoas, cada ser humano, independente de sua condição de pecador era e continua sendo para Ele o seu bem mais precioso. Da mesma forma, o artista católico pelo seu ser cristão é chamado a imitar a Cristo e ser verdadeiramente pobre. Vale ressaltar que não estamos falando apenas de bens materiais, o artista precisa compreender que mesmo sua arte sendo o seu bem mais precioso, esta deve ser ofertada ao Senhor e aos irmãos e deve ser despida de todo orgulho, vaidade, egoísmo e outros ismos deste mundo hoje.

Um artista católico que faz da sua arte o seu único tesouro, tirou Deus do centro de sua vida e entronizou em seu coração o seu dom, ou seja, transformou sua arte em seu deus. E quando o artista coloca sua arte acima de Deus, naturalmente sua arte vai sendo corrompida pelo orgulho, pela vaidade, pelo individualismo, podendo até se tornar uma arte visivelmente pomposa, rica e que arranque do público muitos aplausos, mas se tornará uma arte vazia de Deus, vazia de virtudes, transformando os seus pobres (aqueles que necessitam do sim do artista para ter uma experiência com o amor de Deus) em plateia, afastando de si os irmãos e o próprio Cristo.

Como nos diz sabiamente São Francisco de Assis, “O homem vale o que ele é diante de Deus e nada mais.” O artista que está a serviço do Reino de Deus não busca aplausos, não quer ser visto, mas quer levar a ver a Deus por meio de seu fazer artístico, não quer ser enaltecido, mas quer enaltecer a Deus, não quer plateia, mas quer estar, seja no placo, seja no chão, junto daquele que necessita de Deus, de amor, quer proximidade, quer tocar o coração dos homens com sua arte e os conduzir ao Coração de Deus. Eis a pobreza do artista católico: ser pobre como Cristo o foi, servir, amar e dar continuamente tudo por amor a Deus, por amor aos irmãos!

 

Por Laianne Viana, Membro da Comunidade Recado

 

Referências

Bíblia Ave Maria.

FIORES, Stefano de; TULLO, Goffi. Dicionário de Espiritualidade. São Paulo: Paulus, 1993.

BORRIELLO, L.; CARUANA, M. R. Del Genio. Dicionário de Mística. São Paulo: Paulus, edições Loyola, 2003.

 

 

 

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