Série – O artista católico e os Conselhos Evangélicos

Série – O artista católico e os Conselhos Evangélicos

Introdução

 

A Igreja Católica nos fala que a vivência dos Conselhos Evangélicos em suas múltiplas facetas são propostos a todos os discípulos de Cristo.  Engana quem pensa que os Conselhos Evangélicos são somente para os consagrados das ordens, institutos e congregações religiosas ou para os consagrados das novas comunidades. Todo cristão é chamado à vivência dos Conselhos Evangélicos! Por meio deles, seguimos “os traços característicos de Jesus — virgem, pobre e obediente.

São João Paulo II em sua Exortação Apostólica Vita Consecrata nos afirma que: “Os conselhos evangélicos, [...] requerem e manifestam, [...] o desejo explícito de conformação total com Ele [...]. Jesus é o Modelo no qual toda a virtude alcança a perfeição. Na verdade, a sua forma de vida casta, pobre e obediente apresenta-se como a maneira mais radical de viver o Evangelho sobre esta terra...” Percebemos assim que os Conselhos Evangélicos são virtudes fundamentais no seguimento de Cristo, pois nos revelam a própria vida de Cristo e nos levam à busca da vivência do grau mais perfeito que é a imitação!

Dessa forma, os artistas católicos não estão isentos de viverem os Conselhos Evangélicos, do contrário, por estarem na maioria das vezes à frente e serem “ponta de lança” precisam buscar concretamente a vivência da pobreza, da castidade e da obediência. Somos cristãos e, seja nas paróquias ou em comunidades, somos missionários, pois estamos a serviço de Deus na Igreja e é inegável que a prática dos conselhos evangélicos constitui uma forma íntima e fecunda de tomar parte na missão de Cristo.

O artista católico anuncia Cristo Ressuscitado, pela sua arte levam as pessoas a um encontro pessoal com Cristo, mas para que a arte transborde verdadeiramente a Deus, é preciso que o artista tenha uma vivência de intimidade e viva concretamente no seu dia a dia a busca pelas virtudes que faz crescer em graça e santidade. O artista, assim como todo cristão, deve ser testemunho vivo da fé que professa. Se um artista católico está a serviço da Igreja mas não vive a castidade, não vive a pobreza evangélica e a obediência, dificilmente ele será testemunho e exemplo da verdade que deseja passar ao evangelizar pela arte. O que o artista leva para os palcos e para o exercício de sua arte de uma maneira geral é aquilo que ele não apenas acredita e professa com as palavras, mas, sobretudo, aquilo que ele vive cotidianamente.

Se um artista católico está sempre na ação evangelizadora, mas no seu dia a dia não vive a castidade em seus relacionamentos de namoro e amizade, se vive a ostentação em sua arte, não aceitando muitas vezes o que a paróquia pode oferecer e impondo a Deus as condições para servir com sua arte (espaço, instrumentos, som e outros) sem humildade, e se o artista católico exerce seu ministério na paróquia, mas não é capaz de obedecer ao, padre, que é autoridade instituída por Deus, e, tampouco aos seus coordenadores, dificilmente sua arte cumprirá a sua missão. É preciso compreender que seu dom não é para si, mas para Deus, para a Igreja e para os irmãos e, assim como Cristo foi pobre, obediente e casto, todos os artistas católicos também são chamados a ser.

O que autentica a sua arte e faz com que ela cumpra a missão de anunciar Cristo Ressuscitado e levar aos irmãos a um encontro com Cristo é a sua busca verdadeira pela vivência concreta da fé que se professa, é a busca por viver como Cristo viveu, sendo sinal e canal de sua graça no mundo. E a vivência dos Conselhos Evangélicos é caminho seguro que possibilita ao artista católico se assemelhar a Cristo e anunciar com a sua arte o amor de Deus!!!

 

Por Laianne Viana, Membro da Comunidade Recado

 

 

Referências

Vita consecrata. Exortação Apostólica pós-sinodal. São João Paulo II. 1996.

 

 

 

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