Série – Coordenando Artistas

Série – Coordenando Artistas

Minhas ovelhas são muito pecadoras

 

No texto anterior de nossa série para coordenadores [clique aqui] falamos um pouco sobre os artistas joio e os artistas trigo, olhamos para nossas ovelhas e para nós mesmos. E dentro dessa nossa observação para nossas ovelhas, é comum nos perguntarmos o porquê destas pecarem tanto. Dizemos “eles não me escutam, não me obedecem”, “eles não buscam ser humildes”, “eles não rezam!”... “Por quê?”. E é sobre isso que vamos falar hoje, sobe o porquê de nossas ovelhas serem por vezes desobedientes ou cometerem pecados fazendo com que tenhamos esse sentimento de impotência diante delas.

Nós, artistas, sensíveis como somos, temos uma tendência muito grande a pecar contra a nossa humildade. O nosso egoísmo e a nossa autossuficiência vivem batendo a nossa porta e fazendo-nos cair por tantas e tantas vezes. Tudo isso é gerado muitas vezes pelo egoísmo. São Tomás nos diz que “Nos outros pecados, o homem se afasta de Deus por ignorância, por fraqueza ou pelo desejo de um bem ou um prazer qualquer, ao passo que, pelo orgulho, se afasta de Deus unicamente por não querer submeter-se à sua lei.”.

Os artistas começam a acreditar apenas em sua arte, então acham que não precisam mais se submeter ao coordenador, que não entende da realidade missionária ou que tem menos técnica que ele. E é ai que ele começa a cair no egoísmo, afastando-se de Deus. A ovelha começa a confiar somente em seu dom (esquecendo que ele foi dado por Deus) e começa a perder na vida de oração, faltar os ensaios e querer se desvincular do ministério julgando que não precisa mais disso. O artista começa a achar que só precisa do seu talento para ir em missão, não contanto com o Espírito Santo.

Deus tem uma pedagogia para lidar com cada um de nós. Rezando e pedindo o auxílio de Deus por sua ovelhas, você, coordenador, vai encontrar o melhor caminho para cada uma das situações. Por vezes, vai precisar deixar que sua ovelha ache isso mesmo, outras vezes, precisará deixar que ela sofra humilhação para aprender e em outros casos, uma conversa já pode resolver e fazer com que a ovelha reencontre o caminho. E esse trabalho de condução é constante, pois nós artistas estamos sendo sempre tentados em nossa sensibilidade, ao lidar com os outros, ao servir ou em outros pontos. Por isso não deixe de rezar por suas ovelhas.

Para acompanhar melhor a realidade de cada ovelha, aconselha-se acompanhamentos periódicos, a frequência depende da realidade de cada ministério, podendo ser uma vez ao mês ou a cada três meses, mas precisa ser algo constante, pois é com o tempo que os ministeriados vão ganhando a confiança do seu coordenador. O trabalho também pode ser dividido com o núcleo do ministério para que a periodicidade seja maior, mas o núcleo precisa sempre deixar o coordenador ciente da situação de seus acompanhados, sendo o diálogo de suma importância.

Outra atividade que pode ajudar o ministério como um todo na luta contra o pecado é a realização de momentos de partilha no ministério, momento este m que todos vão dizer como se sentem e o que têm passado em suas vidas pessoais ou ministeriais. Assim é possível descobri as dificuldades do outro, fazendo com que cada um se ajude na caminhada. Proporcionar momentos de confissão também são importantes, você pode, por exemplo, combinar um dia com suas ovelhas para irem todos se confessar no mesmo local, após esse momento, pode ser realizado um momento de convivência.

Por fim, não ache que suas ovelhas são pecadoras por culpa sua. Nós somos maduros e precisamos arcar com as escolhas da nossa vida. Seu dever enquanto coordenador é direcionar e interceder. Deus nos deixou livres, assim como suas ovelhas, sendo assim, você nunca vai conseguir impedir que suas ovelhas pequem, mas deve sempre ter um olhar de misericórdia para com elas, ajudando-as a retomar o caminho.

 

Por Cláudia Pessoa, Membro da Comunidade Recado