Série – Coordenando Artistas Artistas trigo e artistas joio

Série – Coordenando Artistas Artistas trigo e artistas joio

No primeiro texto de nossa série para coordenadores de ministérios artísticos [clique aqui], tratamos sobre os principais pontos dentro da vida de um líder. Esses pontos dizem respeito a qualquer um que exerça função de liderança. No entanto, também vimos que o ministério artístico tem suas especificidades. E estas fazem com que, muitas vezes, tenhamos alguma dificuldade ao liderar outros.

No presente texto vamos aprender que, dentro de nosso ministério existem joios e trigos. Como podemos ver na parábola que se encontra em Mc 13, 24-30, nós, em nossa ação evangelizadora, plantamos trigo, e aqueles que se juntam a nós para evangelizar desejam fazer o mesmo. No entanto, nossa alma de artista que é sensível vive muitos desafios e, não poucas vezes, cai. E é ai que começamos a ver artistas que se entregam à vaidade, ao egoísmo, artistas que desejam ser vistos, que querem escolher apenas os serviços importantes, que reclamam quando não são escalados para a missão, que jugam que tocam melhor ou cantam melhor e por isso são mais aptos ao serviço, dentre diversos outros casos de mesma ordem.

Nós coordenadores, muitas vezes, nos encontramos como o semeador diante da plantação. Vemos artistas trigo, que não escolhem o serviço, que têm vida de oração, que buscam viver a humildade e ser obedientes; e vemos também os artistas joio, que tiram nossa paciência e nossas noites de sono, que nos fazem rezar e jejuar mais. E, diante dessa situação, não podemos excluir esses artistas difíceis, que acreditam que são joio, mas precisamos fazê-los voltar a ser trigo.

Não estou aqui mudando a parábola! De fato, o joio cresce com o trigo e, na colheita o joio deve ser lançado fora e queimado. Mas o joio não é o artista, o joio é o pecado dele. Sendo assim, é nossa função, enquanto coordenadores, buscar a melhor forma de cuidar das ovelhas que deixaram o joio crescer em seus corações. Aquelas que pecam com a vaidade, a soberba e o orgulho.

E a arma mais poderosa para cuidar dessas ovelhas é a misericórdia. Misericórdia em perceber que nós também somos pecadores, que nós também corremos os mesmos riscos e que nós também somos humanos. Sendo assim, deve-se buscar acompanhar as ovelhas mais de perto, buscando meios para orientá-la. Deve-se rezar e fazer penitências pela ovelha e direcioná-la à confissão. E deve-se encontrar formas para formá-la na prática, mesmo que isso implique em privá-la de uma missão que você sabia que ela era a única que daria conta. Não podemos cair no erro de achar que somos insubstituíveis. Por mais que nossas ovelhas sejam talentosas, Deus se utiliza de qualquer meio para evangelizar, quando essa é a vontade dEle.

É, portanto, por meio da misericórdia que semeamos o trigo, deixamos o trigo e o joio crescerem e colhemos o trigo jogando o joio fora. É a misericórdia que nos permite às vezes deixar que as nossas ovelhas cometam erros, por sabermos que elas precisam disso para crescer. E é também pela mesma misericórdia que devemos chamar a atenção delas quando necessário (exortar com caridade).

Além disso, precisamos observar em nós atitudes que semeiam trigo ou joio. É preciso ainda olharmos para nós mesmos e buscamos a nossa própria conversão. Não nos enganemos de que, por estarmos em uma função de liderança estamos isentos do pecado ou somos mais fortes espiritualmente. Precisamos constantemente de conversão, não apenas por nós, mas por aqueles que lideramos também.

Sejamos nós também artistas trigo! Una-mo-nos às nossas ovelhas e caminhemos com elas, no meio da plantação, enquanto semeamos. E busquemos ser misericordiosos, como Jesus, que é manso e humilde de coração.

 

Por Cláudia Pessoa, Membro da Comunidade Recado