Será que o Contrabaixo é realmente importante?

Será que o Contrabaixo é realmente importante?

“Ama e faça o que quiseres...” (Santo Agostinho).

Começando com essa frase de arrebentar, gostaria de partilhar um pouco do que tenho experimentado nesses anos de serviço a Deus através da música.

Muitas vezes nos deparamos com uma lista de coisas que não podemos fazer com nosso instrumento (principalmente na Santa Missa) e atribuo esse fato (pelo menos na maioria das vezes) ao uso inadequado do nosso instrumento.

O contrabaixo é um instrumento utilíssimo no serviço a Santa Mãe Igreja, seja na Santa Missa, seja em grupos de oração, em shows de evangelização, em retiros de espiritualidade, etc. O baixo e a bateria são o coração da banda - ministério de música - e se o coração parar de bater ou bater fora do tempo, o corpo tende a morrer ou, ao menos, isso será um sinal de que ele está doente! Se o baixo ou a bateria estão como um coração fraco e doente, a música para no mesmo instante, fica sem peso, sem chão e morre.

A famosa “cozinha da banda”1 vai garantir o bom desempenho da casa inteira!

Podemos comparar também com um bolo de festa: vocais, guitarra, violão, teclado, metais e outros instrumentos têm a sua função de ser o recheio, já outros, a cobertura, outros a decoração, já a bateria e, mais especificamente, o contrabaixo são a massa do bolo. É o sustento, o alicerce onde todos os outros instrumentos vão estar firmados para mostrar toda sua beleza e sabor deixando a música muito mais bela e rica e porque assim não dizer, mais saborosa!

Aonde desejo chegar com tudo isso? Pois bem, “ama e faça o que quiseres,” e todos nós sabemos que a caridade não é orgulhosa, não é arrogante, não busca seus próprios interesses! A base e o alicerce do nosso tocar é o amor.

O problema não está em colocar excesso de informações na música; sejam frases, seja uma levada de slap, seja um groove ou até mesmo um solo, o problema é o momento em que se é colocado e essa é a justa queixa dos Padres, dos ministros de louvor dos grupos de oração, dos pregadores, da assembleia e, o pior, a queixa dos nossos próprios irmãos de ministério, eles estão conosco na maioria das vezes e, se estamos passando do ponto, eles vão nos dizer! E devem dizer mesmo! Não devemos ficar ‘vomitando’ notas o tempo todo, devemos amar e quem ama se põe no lugar do outro, respeitando principalmente os ouvintes que estão tendo uma experiência com a nossa arte, com a nossa música. Pense nisso! Devemos levar às pessoas a transcendência, mas antes precisamos entender o que é isso. Será que o sabemos? Será que sabemos com amor ou com intelecto apenas?

Não há problema num baixista que sola, que improvisa, que faz ‘muita nota’ mesmo na condução. Eu venho de uma formação de Jazz, onde o baixo está o tempo todo fazendo ‘muita nota’, ‘muita informação’, mesmo quando está conduzindo, no caso do walking bass, e isso faz parte do estilo. O problema está onde nós fazemos isso. Se você quer estudar e tocar jazz, qualquer outro gênero ou estilo musical, o conselho que eu dou é: Estude individualmente ou com um professor, monte um grupo de estudo, estude em casa com o pessoal da banda, mas pelo amor de Deus, não use os momentos de shows de evangelização, retiros, grupos de oração e, o mais grave, a Santa Missa, para ‘mostrar todo seu conhecimento’. Muitas vezes menos é mais! É tão bonito ouvir uma condução de baixo bem feita! Vamos lembrar aqui um estilo onde o baixo fica quase sempre na condução, como o country, por exemplo. É legal por ser simples e nem por isso deixa de ser belo. Faz parte do estilo. E faz parte de tantos outros estilos, nos quais, ao mesmo tempo em que ele é simples, ele se destaca!

‘Muita nota’ e informação não são sinônimos de beleza na execução da música ou da musicalidade do instrumentista! A humildade, a modéstia e o saudável reconhecimento de si próprio e de sua importância dentro do ministério faz toda diferença. Um músico que em todo tempo fica tentando roubar a cena, passando por cima da própria música, e de todos os que estão com ele, é um músico inseguro de si, que ainda não rezou com a centelha que Deus depositou nele, não reconhece, ou melhor, é cego da sua real e magnífica importância dentro do ministério!

Cada macaco no seu galho! Quando uma pessoa vai numa pizzaria ela vai pra que? Pra comer pizza e não pra comer sushi, sashimi. Se ela quisesse ela iria procurar num lugar adequado! E como será que estamos servindo a Deus e aos irmãos? Estamos realmente dando, servindo o que eles querem e vieram buscar ou o que nós queremos enfiar goela abaixo?

Portanto irmãos, se amarmos, teremos o discernimento necessário para tocarmos em todas as situações, claro que sempre unido o estudo e o empenho para o crescimento da nossa arte, pois só podemos dar aquilo que temos.



1. A “cozinhada banda” é o termo usado para se referir ao conjunto formado por bateria e contrabaixo. Mais informações, clique aqui.

 

Por Humberto Almeida Bento Dias, baixista e Membro Compromissado da Comunidade Recado.

 

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