Ser como um jumentinho agradável a Deus

Ser como um jumentinho agradável a Deus

Jesus e seus discípulos aproximavam-se de Jerusalém e chegaram aos arredores de Betfagé e de Betânia, perto do monte das Oliveiras. Desse lugar Jesus enviou dois dos seus discípulos, dizendo-lhes: "Ide à aldeia que está defronte de vós e, logo ao entrardes nela, achareis preso um jumentinho, em que não montou ainda homem algum; desprendei-o e trazei-mo. E se alguém vos perguntar: Que fazeis?, dizei: O Senhor precisa dele, mas daqui a pouco o devolverá." Indo eles, acharam o jumentinho atado fora, diante duma porta, na curva do caminho. Iam-no desprendendo, quando alguns dos que ali estavam perguntaram: "Ei, que estais fazendo? Por que soltais o jumentinho?" Responderam como Jesus lhes havia ordenado; e deixaram-no levar. Conduziram a Jesus o jumentinho, cobriram-no com seus mantos, e Jesus montou nele.

Muitos estendiam seus mantos no caminho; outros cortavam ramos das árvores e espalhavam-nos, pelo chão. Tanto os que precediam como os que iam atrás clamavam: "Hosana! Bendito o que vem em nome do Senhor!”  (Marcos 11, 1-9)  

Imagino que inúmeras vezes você já tenha questionado ao Senhor: “Por que e para que tu me queres?”. Essa mesma pergunta também inquietou aos santos, aos profetas e ao jumentinho. Sim, a ele. 

A palavra nos diz que o jumento estava atado, amarrado, preso diante de uma porta. Interessante notar que se encontrava em Betânia, conhecida como “casa dos pobres”. Parado em frente à porta da casa de seus senhores, esperava cuidados e a alimentação necessária para sobreviver. Os aldeões precisavam dele, serviria para o trabalho de transportar cargas e pessoas. Ele não havia sido montado por nenhum homem, isso quer dizer que ainda era muito novo, estava preso porque iria perder-se e vagaria para longe, no entanto o Senhor precisava dele mais que seus donos antigos, para que se cumprisse a vontade de Deus. Como pode um animal ser cooperante ativo para este fim?

Quão misterioso é Deus! Mesmo possuindo o poder de fazer tudo o que quisesse, insiste em querer precisar da ação humana para realizar obras de amor. Amor para amar o homem, indigno, necessitado, mas obra do Criador. Deste reconhecimento pode brotar um grande louvor. Onde me percebo como criatura e Deus como criador, um Senhor que se abaixa ate o servo para lavar-lhe os pés. Até o ponto de precisar de um jumento, sabendo que sua única função era servir como transportador de cargas. Louve por isso, se abra à experiência. 

Coloquemos-nos agora como esse jumentinho. O Senhor sabia onde ele estava, era ciente de que os aldeões precisavam dele. Jesus sabe onde você está, Ele te vê atado, preso, com medo de cortar a corda. Sabe que tantos outros senhores querem lhe ter ou talvez você já tenha dado a estes as rédeas da sua vida. E é nesta condição que Cristo lhe chama, seja através dos discípulos ou de outros meios que a misericórdia encontrar para alcançar. Deixe Deus ser Deus.

Podemos pensar também que o jumentinho foi obediente. Não revida quando os discípulos lhe desamarram. Ainda sem saber o que lhe aconteceria e quem encontraria, segue com os dois. A obediência nos leva a Deus, nos torna agradáveis. Nos conduz ao abandono. Quando encontra com Jesus, recebe mantos e uma grande graça: é o Filho de Deus quem primeiro o monta e as pessoas vão estendendo seus mantos no chão para que eles pudessem passar. 

Acontece o que Maria canta ao ser visitada pela sombra do Altíssimo: 

Manifestou o poder do seu braço: desconcertou os corações dos soberbos (porque todos esperavam que o Messias aparecesse em um grande carro celestial, rodeado por anjos e inundado de glória). Derrubou do trono os poderosos e exaltou os humildes. Saciou de bens os indigentes e despediu de mãos vazias os ricos” (Lucas 1, 51-53). Assim, aquele animal inútil, torna-se instrumento na missão. 

Precisamos também ser como os discípulos que vão ao encontro do jumento preso para libertá-lo. Jesus não pede, ordena aos dois que tragam-o até Ele. Que o anúncio seja feito. Deus quer precisar de você. Ele tem um plano de amor para você e tua família. Deixe-se encontrar, seja como um jumentinho obediente. Depois da proclamação do Hosana, o evangelista não o menciona mais. Para onde foi? Voltou aos seus senhores sabendo que, mesmo em sua pobreza, o Criador esteve sobre ele? Reflita sobre isso. 

Sugiro que você reze com tudo o que você leu e com essa frase da Regras de Vida da Comunidade Recado: “O que fazer quando um Deus perfeito, infinito e amoroso quer precisar de minha pequenez? Só me resta dar a Ele o meu sim, com humildade, confiança e gratidão. E a alegria de ser chamado a concretizar o plano que está no Coração do Pai” (RVR 46).

Santa Teresinha, mestra da pequena via, rogai por nós!

 

Por: Luis Carlos Batista - Membro da Comunidade Recado.

 

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