Salmo na Missa: como executar melhor!

Salmo na Missa: como executar melhor!

A Sagrada Escritura, de acordo o Sacrosanctum Concilium, ocupa um lugar fundamental na liturgia; ela é oferecida aos fiéis como um tesouro acessível; é o próprio Cristo quem fala, pois no texto sagrado está o Senhor Vivente.

Durante o ato litúrgico a Palavra de Deus se faz celebração, e a celebração nada mais é que a Palavra de Deus atualizada no meio do povo que permanece na fé e na oração. Muito mais solene torna-se essa celebração quando musicada!

Dentro da Liturgia da Palavra, destaquemos os salmos. Aqui começa nossa reflexão. Convido você a recordar dos salmos cantados que já presenciou em alguma Missa ou até mesmo executou e que no final ficou aquela sensação de que alguma coisa no conjunto, por exemplo: letra e melodia, não ficou agradável.

Nosso primeiro passo é a contextualização dos salmos. O Catecismo da Igreja Católica ensina que os salmos são um elemento essencial e permanente da oração da Igreja e são adequados aos homens de qualquer condição e tempo. Além disso, são marcados por características constantes como: a simplicidade e a espontaneidade da oração 1.

Pois bem, é notável que a oração dos salmos é uma riqueza ímpar, uma vez que é por meio dela que homens e mulheres, religiosos, padres ou leigos se relacionam com o Senhor. No entanto a rotina ou o hábito de salmodiar, dia após dia, celebração após celebração, leva a distrações muito compreensíveis. Porém quando, o músico, tiver a graça de parar e mergulhar no que os salmos escondem e na sua afabilidade de sentimento religioso, o Salmodiar ganha - em meio a melodia - sabor de verdadeira oração e a distrações passam a ser substituídas pela nobreza impressa em cada verso musicado 3.

Na maioria das celebrações litúrgicas, a execução do salmo é cantada. Essa questão torna-se um desafio para todo músico, seja ele instrumentista ou cantor, uma vez que deve priorizar toda reverencia e solenidade que são atribuídas ao salmo. Neste sentido, antes mesmo de qualquer melodia a ser criada, muito mais importante é considerar que ali não está uma mera organização de versos poéticos, mas ter ciência de que os salmos nasceram ao longo da história do povo de Deus e são o reflexo das dores e das alegrias de Israel, de suas esperanças e suas decepções e intimidade com Deus 3.

Você já parou para pensar que cantar o salmo a Missa, por exemplo, é uma permissão que lhe é concedida pela assembléia para expor a relação do homem com o Divino? O salmista empresta sua voz à assembléia! Quanta responsabilidade… Para que a Palavra de Deus realize no coração do homem - aquilo que ressoa aos ouvidos e busca abrigo na alma - é necessário palavras cantadas na docilidade da ação do Espírito Santo.

Portanto, fica evidente que este momento não há promoção de alguém com um brilhante talento vocal, mas a obediência em ser instrumento de forma simples e reverente, é a doação sem interesses em forma de louvor, em um contexto em que a música e texto formem um todo coerente, harmonioso e agradável de ouvir e cantar.

Caro leitor, cantor e instrumentista, tenha sempre em mente que a melodia é a alma do canto, a composição de uma boa música ritual tem como ponto fundamental a estreita relação entre o texto e a melodia, ou seja, quanto mais estiver ligada ao conteúdo teológico-litúrgico do texto, melhor levará a assembléia a interiorização, à alegria e ao louvor2.

1. Catecismo da Igreja Católica. Brasília, Edições CNBB.2013.

2. FONSECA, J. Cantanto a missa e o ofício divino. São Paulo. Ed. 2. Paulus. 2005.

3. Os Salmos. Rezar com as palavras de Deus. São Paulo. Ed. Loyola. 2008.

Por Piero Aguiar.

 

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