Redes Sociais – Testemunho cristão ou exibicionismo?

Redes Sociais – Testemunho cristão ou exibicionismo?

Hoje em dia podemos dizer que vivemos em um mundo em que as redes sociais cada vez mais ganham espaço. Vai havendo uma dependência cada vez maior delas no que se refere à intermediação das relações pessoais e muito do tempo de diversas pessoas se passa entre as redes sociais.

Contudo, um fenômeno assim não pode acontecer de forma tão acentuada sem deixar marcas. E se essas marcas afetam a nossa fé, então todo cuidado é pouco. As redes sociais são uma ferramenta e, como toda ferramenta, não é em si boa ou má. É o uso que o homem faz da ferramenta que a torna boa ou má. E que uso temos feitos das redes sociais? Sem perceber elas podem estar implantando cada vez mais um culto à nossa própria imagem. É extremamente interessante que se faça uso das redes sociais para fins de evangelização e, assim, levar Deus até as pessoas. Mas, se no caso dessa evangelização estivermos de forma sutil fazendo uma propaganda a nosso respeito, então aí pode haver algo que contamina a nossa evangelização. A religião cristã é algo que sempre valorizou em muito a intenção das ações, mas é difícil realizar esse exame se algo já está tão automatizado que nem mesmo prestamos atenção nas motivações por trás de nossas ações. A nossa evangelização deve ser uma evangelização que leve Deus às pessoas e não a nós mesmos. As fotos ou postagens que realizamos podem muito bem servir a nós mesmos e propagar a nossa imagem e dando somente isso às pessoas. Nesse mundo tecnológico não se pode perder de vista o espírito evangélico que diz que minha mão não saiba o que a outra fez (cf. Mat 6, 3). Esse espírito defende uma descrição que serve à nossa humildade.

É importante que aproveitemos esse tempo para refletir no uso que temos feito das redes sociais. Tenho deixado de realizar atividades importantes pelo tempo que dedico acessando essas redes? Acabo por me envolver em polêmicas públicas e desnecessárias? Compartilho informações sem checar a autenticidade? Tudo isso serve para que tenhamos prudência e não permitamos que se estabeleça em nós um sutil culto à minha pessoa. A nossa vida “virtual” é um pedaço de nossa vida real e é essa vida real que precisa de mais atenção. O cuidado em editar uma foto e compartilha-la com um texto maravilhoso se torna inútil se não cultivo meus momento em segredo com Deus. Em tempos de tanta publicidade o que fazemos por Deus que ninguém mais, só Deus, ficam por saber? O direcionamento de Jesus de nos trancarmos em nosso quarto e rezarmos em segredo (cf. Mat 6,6) continua atual e talvez mais necessário do que nunca.

Tudo isso é apenas um alerta para que coloquemos as coisas em perspectiva. O cuidado com nosso coração deve preceder o cuidado com nossa imagem para que não invertamos as coisas. A religião de aparências é um mal que deve ser combatido. Mas, o combate não deve ser eliminando as imagens de santidade, mas sim fazendo com que elas acompanhem uma vida de santidade. Santidade real.

 

Por Leonardo Falconeri, Membro Compromissado da Comunidade Recado.

 

 

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