Que tal trocar a crítica pelo elogio?

Que tal trocar a crítica pelo elogio?

Para todos que participam de uma comunidade é fundamental saber que fazer parte dela significa percorrer um caminho de formação e desenvolvimento nas mãos de Deus. Quando temos uma experiência com Deus precisamos nos abrir também para que nossa vida mude para bem acolher a Deus. Essa formação acontece através do nosso contato e abertura à ação de Deus. Mas, não só a por esse canal. Os irmãos de comunidade servem muitas vezes de instrumentos propícios para o processo de formação.

Contudo, é importante tratar de um aspecto negativo desse processo que é potencialmente bom. O uso excessivo dele. Muitas vezes, por trás de boas intenções, temos irmãos que só conseguem olhar e tratar dos defeitos e das coisas a melhorar. E cada ocasião de encontro passa a ser uma oportunidade de formação, ou talvez fosse melhor usar outra palavra: crítica. Formação não é sinônimo de crítica. Nunca foi e nunca será. E o resultado de tanta crítica pode ser gerar pessoas com uma baixa autoestima e desanimadas na caminhada. Nós da Comunidade Recado descobrimoso valor do elogiocomo algo dado a nós por Deus. E esse outro lado da moeda precisa ser resgatado em muitos ambientes de formação. Formar através do elogio, da palavra de encorajamento, do olhar cheio de esperança pelo meu irmão. Isso precisa ser comunicado sempre, pois o amor é uma forte ferramenta de mudança de vida e conversão.

Mas, e diante dos erros daqueles às quais temos responsabilidade? Precisamos sim corrigir e educar, mas estarmos atentos aos tempos para isso. Como exemplo, trago minha experiência nos espetáculos de teatro. Logo após as apresentações não é um momento interessante de se fazer uma análise crítica do que deu errado em uma apresentação. É muito frustrante que, depois de meses e meses de trabalho árduo, o que fique em evidência sejam as mancadas cometidas por alguém. E às vezes um irmão chega nesses termos para partilhar uma ocasião de queda, de fragilidade e de fracasso. Cabe a cada um de nós pensarmos se esse é o melhor momento de falarmos algo. Pode ser que seja muito mais frutífero acolher em uma atitude de misericórdia e de esperança. A correção não será negada a esse irmão. Ela será apenas adiada momentaneamente.

Ao se formar alguém é necessário ter cuidado para não cair na tentação de assumir o lugar de Deus. A capacidade de influenciar alguém consiste em uma responsabilidade muito grande e por isso mesmo quando é usada de forma abusiva cria danos imensos. É preciso ter muita prudência com o que se diz a alguém. São João da Cruz advertia que o diretor espiritual (e pode-se aplicar em nosso caso para a pessoa que forma) não deve usar de “mãos grosseiras” no trato com as pessoas que acompanhava. Essa sensibilidade importante para administrar os tempos de exortação e os tempos de silêncio, adotando uma pedagogia que ajude a que pessoa ela mesma encontre o caminho para a vontade de Deus. Isso pode gerar um crescimento genuíno e responsável e que não leve a um fechamento em realidades humanas, mas tão somente em Deus.

Assim, evitamos cair a princípio em uma postura de ter todas as respostas para o outro. Sabemos que Deus tem todas as respostas, mas muitas vezes permite que caminhemos sem maiores entendimentos para que nossa fé cresça. Que saibamos com sabedoria discernir os tempos de falar e de calar.

Por Léo Falconeri

 

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