Qual seu entorpecente?

Qual seu entorpecente?

Certo dia, ao entrar em um ônibus, vi alguns adolescentes, que sem nenhum constrangimento usavam drogas dentro do coletivo, riam alto, falavam suas gírias alto, cantavam suas músicas e cheiravam algo que parecia cola. Maquiagem pesada, cabelos desarrumados, roupas rasgadas etc. Observando a reação das pessoas que entravam, confesso que a minha foi a mesma, foi de susto. Estampada na expressão do cobrador também era notória a preocupação. Pensei “Essa galera vai acabar assaltando todo mundo aqui!”.

Em determinado momento da viagem eles desceram, visivelmente anestesiados. Primeiro me repreendi, como sou preconceituosa com a falha do outro ali exposta. Pus-me a pensar que todos nós temos áreas em nossas vidas que, talvez, não estejam tão à mostra, mas que nos deixam anestesiados para a realidade.

Quem nunca recorreu a um remédio para concentração, para dor, para acordar, para dormir, para se acalmar, para dar energia, para ficar mais disposto, para melhorar o condicionamento físico, para emagrecer e tantos outros motivos? Quem nunca bebeu aquela cerveja gelada, ou qualquer bebida alcoólica, só para “esquecer dos problemas”? Só para celebrar a chegada do final de semana? Só para relaxar?

Quem nunca sufocou sonhos ou amores por medo de sofrer ou do que vão dizer de você? Quem nunca se manteve naquele trabalho só para não precisar sair da zona de conforto? Quem nunca manteve um relacionamento por conveniência? Ou deixou que o outro tomasse todas as decisões por você, apenas, para não precisar perder tempo pensando ou para ter a quem culpar caso não desse certo?

Quem nunca culpou os pais, as circunstâncias, a Deus, aos efeitos da natureza, a crise os políticos ou qualquer coisa que seja mais conveniente só para se vitimizar e tirar de si o peso de ter resultados ruins?

Poderia listar vários outros tipos de entorpecentes dos quais nós utilizamos para anestesiar nossas dores, mas a questão é que fica mais fácil julgar o outro que tem o “pecado” mais aparente. Esquecemos que de alguma forma usamos coisas ou situações que nos deixam fora da vivência de algo que exigirá um posicionamento nosso.

“Fulano está sofrendo”. Ah, deixa ele, eu tenho muitos problemas a resolver.

“Beltrano está precisando de ajuda”, mas eu não tenho tempo.

“Esse menino é assim porque a mãe dele não dá limites”. Eu faço minha parte, trago o sustento para essa casa. O que ele quer mais?

“Eu não passei em um concurso para a faculdade dos meus sonhos porque meus pais não tiveram condições de me colocar em uma boa escola”.

E assim vamos nos desumanizando, nos fechando, nos julgando os melhores e os outros os piores, nos anulando, esquecendo de sermos uns para os outros.

A nossa essência é AMOR e enquanto não estivermos transbordando desse AMOR uns para os outros, os abismos irão se tornar cada vez maiores.

Qual seu entorpecente? O que acha de trocá-lo por amor?

 

 

Por Bruna Dantas, Membro da Comunidade Recado.

 

 

 

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