Por que precisamos “beber” da nossa própria arte?

Por que precisamos “beber” da nossa própria arte?

Outro dia cheguei ao escritório da comunidade (Missão Toulon – FR), que fica no centro da cidade em frente uma praça, e, quando olhei pela janela deparei-me com um grato presente: no meio dessa praça vazia e sem movimento, um artista fazia malabarismo. Ele estava lá, no frio, no meio da praça, sem ninguém por perto, sem ninguém para rendê-lo aplausos, mas fazendo a sua arte. Aquilo me tocou profundamente e fez com que eu indagasse a mim mesma sobre o porquê dele precisar fazer isso ou o que o moveria a fazê-lo, mesmo que ninguém estivesse por perto para ver.

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Essa questão é importante também para nós, artistas, para que nos questionemos do porquê do nosso fazer artístico. Como artistas, fazemos arte apenas quando vamos em missão? Escolhemos apenas momentos em que somos solicitados para exercer a nossa arte? Talvez a falta da nossa arte para nós mesmos seja a causa da nossa falta de inspiração ou, até mesmo, de uma crise espiritual. Isso porque a arte é o belo, e a essência da beleza é Deus.

O Papa Francisco em certa ocasião disse que “a arte, além de ser um testemunho credível da beleza da criação, é também um instrumento de evangelização”, ou seja, nosso fazer artístico, ao apresentar a beleza da criação de Deus, é capaz de tocar os corações de forma profunda, levando os outros a terem um encontro pessoal com o próprio Deus por meio da nossa arte. Da mesma forma, quando nós mesmos temos experiências com a nossa arte, testemunhamos a beleza da criação de Deus e temos a oportunidade de nos aproximarmos dEle de forma íntima e profunda.

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Essa experiência que temos com nossa arte não deve nos levar à vaidade, de pensarmos que somos os melhores no que fazemos, melhores do que os outros e por isso só podemos admirar a nós mesmos, mas sim, ela deve nos levar a uma experiência com Deus, de quem recebemos o dom que possuímos. Dessa forma, nossa experiência não é com nós mesmos, mas com Deus. O papa fala ainda que “a beleza une-nos e, como também disse S. João Paulo II citando Dostoievski, salvar-nos-á. Seguir Cristo não é só uma coisa verdadeira, mas também bela, capaz de preencher a vida de alegria, até nas dificuldades de todos os dias. Neste sentido, a beleza representa uma via para encontrar o Senhor.”.

O artista que vi na praça pode não conhecer a Deus, mas eu pude me unir a ele em sua arte, eu pude ver a beleza da criação e, assim, me sentir mais próxima de Deus. Mas tudo isso se deu por meio de uma experiência que ele teve com sua própria arte. Ele fez tudo isso de forma inconsciente. Da mesma forma que nós, quando bebemos da nossa arte temos a capacidade de, aproximando-nos de Deus, evangelizar. Tudo se dá por meio da experiência. Em resumo, quando “bebemos” da nossa arte, nos aproximamos do Senhor e dos outros, encontrando em nós a inspiração para evangelizar e experimentar mais do Senhor e da beleza que provém de sua criação.

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Por Cláudia Pessoa, Membro da Comunidade Recado

 

 

Referência

MARTINS, Rui Jorge. Papa Francisco fala pela primeira vez de arte em detalhes. 2015. Disponível em:. Acesso em: 7 fev. 2017.

 

 

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