Ornamentação Litúrgica 3

Ornamentação Litúrgica 3

O que é um Espaço Simbólico?

 

Entre outras coisas, nosso Ministério de Ornamentação Litúrgica é chamado a criar espaços simbólicos, mas o que é isso? Para entender o que é um espaço simbólico, precisamos entender antes o que significa a palavra símbolo!

Na língua grega, symbolom significa elo de hospitalidade. Mais propriamente falando, symbolom se tratava de um objeto artisticamente trabalhado que era dado em um contrato social, ou de um amigo a outro em sinal de aliança. Esse objeto era quebrado e dado uma parte cada um dos amigos/negociantes, assim uma parte remetia a outra, não somente a parte em si, mas, sobretudo essa parte remetia ao negociante/amigo que detinha outra parte. Se eu levo a parte do outro, levo o outro, não em totalidade, mas em parte e a levo ansiando pelo momento em que ambas as partes se unirão novamente!

Em palavras simples, o símbolo é tudo aquilo que me remete a algo ou alguém, é aquilo que tem o poder de unir, ainda que não esteja inteira e definitivamente unido verdadeiramente. O exemplo mais conhecido para explicar o que é símbolo é a vela. Uma vela acesa ou o ato de acender uma vela, em si, já significa algo, significa colocar-se em oração, significa afugentar as trevas, significa súplica, vigilância etc. A vela é um símbolo! Ela é mais que sinal, porque o sinal representa algo, comunica algo, mas o símbolo é como se fosse parte integrante daquilo que representa!

A arte possui esse valor simbólico, ou seja, possui a capacidade de unir! Teologicamente falando, a palavra símbolo significa aquilo que une, vem do latim symbolum que literalmente quer dizer lançar para junto, ao contrário da palavra diabo que significa divisor ou que separa. A arte tem essa força simbólica de unir, de gerar encontros. É como uma ponte ou uma porta para o eterno, para o sobrenatural!

Quando falamos de espaços simbólicos estamos falando de espaços que portam símbolos verdadeiros, eficazes e não simplesmente uma boa e bela decoração. Não basta estar belo, precisa unir, precisa ser mistagógico1, ou seja, precisa encaminhar para o mistério que está sendo celebrado. Para tanto, é preciso que nós, ministros das artes, que servimos a liturgia, a estudemos, estudemos também a Palavra de Deus e os Documentos da Igreja, para que nosso ministério não seja motivo de distração no espaço litúrgico, mas pelo contrário, ajude cada vez mais nossas assembleias a celebrarem vivamente a Sagrada Liturgia.

Geralmente os fiéis que possuem talento para decoração, ornamentação ou que tenham habilidade com flores são chamados para este ofício, mas é muito importante que procurem formação para que sua arte alcance o objetivo almejado. Muitas pessoas têm talento e boa vontade, mas pela carência de formação e orientação das autoridades competentes, podem criar espaços que roubam a centralidade do Mistério Pascal e todo o serviço e empenho envidados acabam por trazer efeitos contrários ao ideal esperado. Sem contar que muitos, ao invés de formados, são criticados e acabam deixando o ministério, o que é lastimável!

Se queremos que nossa arte sirva a Sagrada Liturgia, preparemo-nos como se convém, manifestando assim, a “fé e o amor imutáveis para com o supremo mistério eucarístico"2.

 

 

Por Felipe Zanotto Reigota, Membro da Comunidade Recado.

 


1. Você pode ler mais sobre mistagogia no segundo texto da série, clicando AQUI

2. Instrução Geral do Missal Romano, número 1.

 

 

Acompanhe os textos anteriores dessa série:

Ornamentação Litúrgica 1

Ornamentação Litúrgica 2

 

 

 

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