Ornamentação Litúrgica 2

Ornamentação Litúrgica 2

Fundamentação Teológica

 

Continuando a nossa Série, hoje queremos olhar para a fundamentação teológica do nosso ministério e, para tanto, vamos olhar o que nos fala a Tradição e o Magistério da Igreja, mas antes precisamos entender um termo muito usado no ambiente teológico e litúrgico, chamado “mistagogia”, que irá permear o assunto de hoje.

“O termo mistagogia tem sua origem em dois vocábulos gregos: mystes, que significa mistério, e agein, que significa conduzir. Mistagogia vai adquirir o sentido de ‘conduzir através do mistério’, ‘iniciar ao conhecimento do mistério’. Este novo termo, construído na conjugação destes dois vocábulos, carrega em si um sentido profundo: o enraizamento no conceito de mistério e a ação mediadora, de aproximação deste mesmo mistério.”1

Usamos esse termo para falar das ações dentro da liturgia que devem conduzir verdadeiramente ao Mistério que se está celebrando. No caso da Santa Missa, o mistério que celebramos é o Mistério Pascal de Cristo, mais especificamente sua Paixão, Morte e Ressurreição, que é justamente o assunto que irei tratar no próximo texto de forma mais aprofundada. Trocando em palavras mais diretas, quando celebramos a Santa Missa estamos diante da Paixão, Morte e Ressureição de Jesus e toda e qualquer ação ministerial nesse momento precisa evidenciar esse Mistério de Amor, precisa conduzir a Ele!

A Igreja cita sobre o assunto em fontes litúrgicas muito importantes. Vejamos.

“Elas [as artes] tendem, por natureza, a exprimir de algum modo, nas obras saídas das mãos do homem, a infinita beleza de Deus, e estarão mais orientadas para o louvor e glória de Deus se não tiverem outro fim senão o de conduzir piamente e o mais eficazmente possível, através das suas obras, o espírito do homem até Deus.”2 Vejamos que a Sacrossanctum Concilium usa o termo “conduzir”, que é exatamente o objetivo proposto pela mistagogia e pede ainda que essa condução seja a “mais eficaz possível”.

A partir do momento em que se reconhece a Beleza como um atributo divino e o Mistério de Cristo como o ato mais belo que já existiu na história da humanidade, a arte dentro da Liturgia não pode ser vista simplesmente como um acessório dispensável. Deus é o Belo e, a Beleza por sua vez, revela Deus e deve nos conduzir à Verdade do próprio Deus. A poetiza mineira, Adélia Prado, diz: “A beleza da liturgia e dos templos não é um luxo, mas uma necessidade vital.”

Já a Exortação Apostólica Sacramentum Caritatis nos apresenta o termo “enlevo pelo mistério”, quando diz: “É necessário que, em tudo quanto tenha a ver com a Eucaristia, haja gosto pela beleza; dever-se-á ter respeito e cuidado também pelos paramentos, as alfaias, os vasos sagrados, para que, interligados de forma orgânica e ordenada, alimentem o enlevo pelo mistério de Deus, manifestem a unidade da fé e reforcem a devoção.”3 Percebamos aqui que o Papa Bento XVI cita vários tipos de expressões e obras artísticas e das mais simples possíveis dentro da Liturgia, mas que são igualmente convocadas a conduzir os fiéis à maravilha, à admiração e ao êxtase diante de tal Mistério.

Por isso, buscar a excelência no ministério da Ornamentação Litúrgica, é antes de tudo uma urgência, pois estamos lidando o com Sagrado e não temos o direito de atrapalhar os fiéis que se aproximam do Mistério de Cristo, mas precisamos, sobretudo, nos esforçar para que nossa arte sustente o louvor a esse Mistério, conduza a Ele eficazmente e gere perfeita comunhão.

 

Por Felipe Zanotto Reigota, Membro da Comunidade Recado.

 
 


1. Extraído do endereço: http://www2.dbd.puc-rio.br/pergamum/tesesabertas/0420964_08_cap_02.pdf

2. Sacrossanctum Concilium, 122.

3. Sacramentum Caritatis, 41.

 

 

CLIQUE AQUI para descobrir porque esse texto não foi feito só para você e como ele pode chegar à sua cidade INTEIRA!

Veja o primeiro texto de nossa série clicando AQUI!