Onde estão as músicas marianas?

Onde estão as músicas marianas?

Amados irmãos, essa pergunta tem ressoado em meu coração já faz algum tempo: Onde estão as músicas feitas a Nossa Senhora? Por que os músicos católicos não estão compondo mais canções marianas?

Acredito que a música, bem assim como toda arte, sendo “expressão própriamente humana” (Cat.§2500), é gerada por uma inspiração divina. Assim vai nos dizer o Papa João Paulo II quando escreve sua Carta aos Artistas:

“[...] o sopro divino do Espírito Criador vem ao encontro do gênio do homem e estimula a sua capacidade criativa. Abençoa-o com uma espécie de iluminação interior, que junta a indicação do bem à do belo, e acorda nele as energias da mente e do coração, tornando-o apto para conceber a ideia e dar-lhe forma na obra de arte. Fala-se então justamente, embora de forma analógica, de ‘momentos de graça’, porque o ser humano tem a possibilidade de fazer uma certa experiência do Absoluto que o transcende.”1

Essas palavras do Santo Padre nos mostram a ação do Espírito Santo que na intimidade do ser humano faz nascer a inspiração, que resulta em expressão artística! Isso cresce e é estimulado à medida que o ser humano se abre à ação do Espírito Santo! Logicamente, aquele que busca uma intimidade com o Espírito Santo, certamente obterá mais e mais inspirações!

O Catecismo da Igreja ao falar sobre arte nos explica: “Criado à imagem de Deus, o homem exprime também a verdade de sua relação com o Deus Criador pela beleza de suas obras artísticas.”2 Se o Catecismo nos diz que nossas obras de arte são expressão da verdade da nossa ‘relação’ com Deus, isso nos faz compreender, talvez, um dos “porques” da falta de canções à Virgem Maria: porque já não nos relacionamos mais com Ela como outrora fazíamos! Claro que podem existir outros fatores, mas esse é o mais preocupante!

Se fizermos um levantamento dos últimos cinquenta anos na música católica, perceberemos essa queda no número de composições marianas. Fico até constrangido quando vejo canções que falam da Virgem Maria sendo compostas por irmãos de outras Comunidades Eclesiais que não confessam a fé católica, porque não é de se esperar, naturalmente, isso deles! E isso tem acontecido! Existem canções belíssimas de cristãos não católicos que expressam lindas verdades sobre Maria Santíssima!

Convido meus irmãos artistas, sobretudo os músicos, a se questionarem sobre sua intimidade com a Mãe de Deus! O culto à Virgem Maria faz parte da nossa espiritualidade, dos nossos costumes católicos mais tradicionais! À Mãe de Jesus nós honramos com o culto de hiperdulia, ou seja, de alta veneração. A Ela nós devotamos uma honra que não dedicamos a nenhum outro santo na Igreja, porque somente Ela foi a ‘Bendita entre todas as mulheres’ (Lc 1, 42), a única com a vocação ímpar de ser a Mãe do Salvador. E não bastando ser a Mãe do Senhor, Ela ainda é entregue pelo próprio Jesus crucificado como nossa Mãe: “Mulher, eis aí teu filho” (Jo 19, 26), tomando, em sua Maternidade Espiritual, todos os redimidos e todos os autênticos discípulos de Cristo como filhos!

Esse trecho da Sagrada Escritura nos revela um pequeno detalhe que nos faz toda diferença: pelo texto grego original, o Discípulo Amado não leva Maria simplesmente para sua casa física, mas a levou para a intimidade do coração: levou Maria para si! Essa é a ideia de culto e devoção que a Igreja tem por Maria: um íntimo amor filial!

Irmãos músicos, voltemos à intimidade com Maria, nossa Mãe e não extiguemos o Espírito de compor, a partir de nossas experiências mais profundas, melodias à sua Amadíssima Esposa, a sempre Virgem Maria. Cuidemos desse dom que é todo nosso!



1. Nº 15 da Carta dos Papa João Paulo aos Artistas.

2. Cat. da Igreja Católica, §2501.

Por Felipe Zanotto Reigota - Membro da Comunidade Recado

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