Obediência como fruto da liberdade

Obediência como fruto da liberdade

Obediência como fruto da liberdade

 

Obediência, do latim obedire, vem de audire – ouvir, escutar. Assim, a obediência está intimamente ligada ao sentido de escuta, de abertura ao que o outro tem a me dizer. Se uma pessoa tem dificuldades em obedecer ao outro, é porque talvez ela não seja suficientemente livre, porque a liberdade interior faz com que escutemos o que o outro está nos propondo como algo que seja favorável a nós mesmos. Consequentemente, só obedece de verdade quem é livre!

São Basílio distingue três disposições com que alguém pode obedecer: primeira, por temor ao castigo, e é a disposição dos servos; segunda, pelo desejo do prêmio,  e é a disposição dos mercenários; terceira, por amor, e é a disposição dos filhos¹.

Então, por que obedecer? Por medo, por querer algo em troca ou por amor? Jesus é o obediente por excelência, e essa obediência nasce do Seu amor por Deus, que nos dá o livre arbítrio – que é quando você é posicionado diante do certo e do errado e pode escolher – para optar pelo caminho que queremos.

Obedecer a Deus por amor, assim como Jesus o fez, é ser maduro o suficiente para reconhecer o quão miseráveis e limitados somos – em consequência, necessitados da Sua misericórdia. É uma mudança radical de vida, uma aderência ao Seu plano para nossas vidas, rompendo com o 'homem velho' (I Pedro 1, 14-15).

A obediência a Deus passa, antes, pela liberdade que Ele mesmo provocou em nós: eu sou livre e, por assim ser, sou capaz de obedecer. Essa liberdade dada por Deus não nos deixa imunes aos problemas que a vida nos trará, mas nos dá condições de enfrentá-los, afinal, teremos mais discernimento (iluminados pela luz do Espírito Santo) para tomar as atitudes necessárias para cada uma dessas situações a serem enfrentadas.

Sendo assim, devemos pedir a Deus, a cada dia, para nos libertar cada vez mais de nós mesmos: das nossas mesquinharias, dos nossos preconceitos, das nossas amarras. Porque, estando "livres" de nós mesmos, estaremos mais capacitados e mais atentos a ouvir a Palavra de Deus, de acatá-la e colocá-la em prática nas nossas vidas.

 

Por Débora Silva, Membro Compromissado da Comunidade Recado.

 

Referências Bibliográficas

1.      CANTALAMESSA, Raniero. A Obediência. 11ª ed. São Paulo: Loyola, 2002. 59p.