O último lugar: perda ou ganho?

O último lugar: perda ou ganho?

“A única coisa que não é sujeita à inveja é o ÚLTIMO LUGAR; portanto só nesse lugar não há vaidade e aflição de espírito” (Santa Teresinha do Menino Jesus)

Ah! Esse último lugar... tão desprezado e esquecido por nós!

Vivemos num mundo, no qual a disputa e a competição pelo primeiro lugar são acirradas, literalmente dizendo, disputamos as melhores posições sociais, nas escolas com as melhores notas, em nossa vida profissional buscando sempre os altos cargos e promoções, dentro de nossa própria família e principalmente em meio à comunidade cristã, a Igreja e, atualmente, competimos até nas redes sociais com publicações e curtidas recebidas.

Essa é a nossa situação humana: disputas, concorrência e competição com o nosso próximo, sem nenhuma moderação, consideração e zelo para com nossos irmãos, porém, quando adentramos nos conselhos de Santa Teresinha somos convidados a ir além! Vamos nos colocar nesse “último lugar” que a nossa querida Santa Teresinha nos ensina. Ela em sua "pequena via” nos ensina alguns princípios para nosso caminho de santidade, como, por exemplo, a “humildade”.

A humildade é uma qualidade de quem age com simplicidade, é uma característica de quem cumpre suas responsabilidades sem soberba e prepotência. Humildade é se igualar aos outros, é algo bom, é uma qualidade na qual a pessoa não se posiciona e nem se compara a outra, não se coloca nem como pior, nem como melhor, mantém-se no mesmo nível. Em latim humilitas significa “pouca elevação”.

Na Bíblia encontramos também sobre a humildade e a seguinte passagem é usada como referência na mensagem de Santa Teresinha: “Aquele que se exaltar será humilhado, e aquele que se humilhar será exaltado”. (Mateus 23, 12) A falta de humildade para nós cristãos é considerada como um pecado, pois onde a humildade falta, reina a soberba que é um pecado capital (Cat. §1866). A humildade é uma característica essencial para a nossa vida de santidade.

E como nós nos dias atuais podemos nos colocar nesse “último lugar” mesmo buscando continuamente sermos melhores? Podemos e devemos cuidar para que tudo seja feito da melhor forma possível, mas não para nossa própria honra, não para estarmos à frente de nossos irmãos, não para termos destaque e evidência. Assim como nos ensina também Santa Teresinha, tudo o que fazemos deve ser feito com muito amor para honra e glória de Deus. Desejar o “último lugar” vai muito além de posição, é nos colocarmos ao lado do nosso próximo, mesmo que as condições e circunstâncias demonstrem o contrário. Mesmo assim devemos de coração humilde, permanecermos iguais: sermos simples. É nesse “último lugar” que nos colocamos pequenos diante de Deus, de coração contrito e pobre. Consequentemente assim, nos colocamos no “último lugar”, quando passamos a dar o primeiro lugar sempre ao nosso próximo, mesmo que visivelmente apresentemos qualidades e virtudes maiores e melhores ou mais aprimoradas do que o outro, sempre daremos o melhor ao irmão. É nesse “último lugar” que nos libertamos de nossas vaidades, orgulho e prepotência, é nesse “último lugar” que conseguimos praticar a caridade e amar ao próximo com mais pureza e simplicidade.

Nossa Senhora também nos ensina a nos colocarmos nesse “último lugar”, Ela nunca quis as honras para si mesma, sempre as referenciou ao seu Filho Jesus. Vemos isso em sua visita a sua prima Santa Isabel, quando ela é recebida com exaltação: “Donde me vem esta honra de vir a mim a mãe do meu Senhor?” (Lucas 1,43), Maria em sua humildade, imediatamente se coloca em “último lugar”, quando diz: “Minha alma glorifica ao Senhor, meu espírito exulta de alegria em Deus, meu Salvador, porque olhou para sua pobre serva.” (Lucas 1,46-48). Mesmo em sua “posição de destaque” Maria não se apoderou dessa circunstância e tampouco se elevou por isso, Ela colocou-se a serviço do próximo. Essa é uma das maiores virtudes de Nossa Senhora e que todo nós devotos devemos imitar.

Mesmo quando fazemos algo grandioso, para nós o último lugar, deve ser sempre o lugar de serviço ao próximo, lugar de servidão, lugar de amar cada vez mais, lugar de se tornar oculto, lugar de esconderijo. Esse é o “último lugar” que Santa Teresinha nos ensina em sua “pequena via”.

Esse convite é para todos, mas especialmente para os artistas, que ocupam, na maioria das vezes, lugar de destaque, sendo alvo de contínuos elogios e tentados à vaidade! Precisamos manter a consciência clara de que nossa arte não os faz melhores que outrém ou que nossos talentos nos fazem maiores que nossos irmãos! A arte é uma vocação e toda vocação sugere serviço e não status! Certamente Deus nos encheu de dons, para que favorecessemos a dignidade humana e não para uma autopromoção! Estude, trabalhe, treine, sue, aperfeiçoe sua arte, faça o melhor que puder, traduza o belo da forma mais perfeita, mas não manche sua arte de soberba e vaidade!

Por Danieli Maria - Comunidade Recado

CLIQUE AQUI para descobrir porque esse texto não foi feito só para você e como ele pode chegar à sua cidade INTEIRA!