O ser gente de uma autoridade

O ser gente de uma autoridade

"Deus nos constitui autoridades para amar mais e, consequentemente, sofrer mais, pois o amar também se revela no sofrimento." Lendo esta frase, me perguntei: até onde isso tem que ser levado a ferro e fogo? Será que a autoridade deve ser vista apenas como autoridade?

É fato que o dom de ser uma autoridade vem de Deus e que a pessoa que assim foi constituída deve reconhecê-lo como tal e agir conforme seu "cargo", porém, não é salutar enxergar aquela pessoa apenas como alguém "superior", como se ela não fosse, antes de tudo, gente (que tem sonhos, vontades, que ri e – por incrível que pareça – que também tem seus momentos em que vai querer "chutar o balde" e também chora...).

Ser autoridade, por si só, já é algo muito grandioso, pois, "exercer autoridade é sentir-se realmente responsável pelos outros e por seu conhecimento, sabendo que eles não são nossa propriedade, nossos objetos, mas pessoas que têm coração, nas quais existe a luz de Deus, e que são chamadas a crescer na liberdade da verdade e do amor". Então, se essas pessoas que estão sob o "comando" de uma autoridade têm corações a serem cuidados, como fica o coração dessa autoridade tendo tantos outros corações para cuidar?

Deve-se levar em consideração a parte humana dessa autoridade, afinal, antes de ela ter que "vestir" essa postura mais austera (pois é necessário que se mantenha, em determinados momentos, essa atitude), ela é um ser humano como qualquer outro – cheio de sonhos, desejos e também vontade de estar – de acordo com a sua atual situação – mais sozinha ou mais rodeada de seus irmãos.

O próprio Jesus, no auge de sua autoridade/humildade, chamou Seus discípulos de AMIGOS (João 15,15), demonstrando essa fraternidade entre eles. Sendo assim, se o próprio Mestre chamou-os de amigos, sigamos Seu exemplo e cuidemos das nossas autoridades não apenas com o respeito que devemos ter por elas, mas como verdadeiros amigos (que não conhecem barreiras) que se preocupam uns com os outros.

 

Por Débora Silva, Membro Compromissado da Comunidade Recado

 

VANIER, Jean. Comunidade, lugar de perdão e da festa (tradução Denise P. Lotito). 9 ed. São Paulo: Paulinas, 2015.