O sensível sentido da vida: Você em seu corpo

O sensível sentido da vida: Você em seu corpo

“Viver em seu corpo deveria conduzir a si” (Croissant, 2002). Hoje, o ser humano vive um dos dilemas mais temidos na sociedade em todos os tempos: a crise de ter que conviver consigo mesmo!

Diante de uma realidade fria e egoísta, na qual eu ocupo meu tempo com afazeres que tragam resultados e lucros, baseado no conceito de que é isso que me realiza e me faz feliz, além de meus relacionamentos serem estritamente profissionais, virtuais e superficiais, assim acabo por me perder de mim mesmo e dos outros, me esqueço de como é bom conviver e compartilhar daquilo que somos e não somente do que fazemos ou criamos (as ilusões do mundo virtual). Todavia, como compartilhar de algo que já nem mais sabemos como é? O meu “Eu”! Já não sei nem quem sou! Como falar de mim, se não falar apenas do que faço e como faço e, ainda, do que produzo? Ao ponto que, saber e cuidar do que sou também se torna irrelevante, senão insuportável! Conviver com outros é opção, mas conviver comigo mesmo? É inútil?!

Aqui surge a temida solução: O MUNDO VIRTUAL! “O tempo em que o corpo devia ultrapassar-se para tomar posse de regiões inexploradas deu lugar à imagem virtual, onde se pode viver a aventura e sentir as emoções através de algo intermediário, ao permanecer confortavelmente no meu mundo” (CROISSANT, 2002). Nós, artistas, corremos o enorme risco de nos perdermos da essência: SER TEMPLO VIVO! O corpo onde Deus habita e deseja fazer-se pleno, em gestos, em presença, em vida concreta e não escondido em telas, em modas, discursos, máscaras, personagens, escondido em si mesmo! Ao olharmos para o corpo que habitamos, nós, artistas, precisamos encontrar Nele o sentido da vida, enxergando e dando espaço a um Deus feito amor, verdade, plenitude, singeleza, zelo. Este deve ser o nosso melhor e mais desejado encontro: com o “Eu interior e sagrado”!

No Corpo está um todo - alma, espírito, vigor, virtudes, dons - e tudo que nos é necessário, para que possamos estar sensíveis àquilo que Ele, nosso Criador, deseja ser em nós. Portanto, meu irmão artista, se esconder em um mundinho criado por você, de postagens e compartilhamentos, de curtidas e comentários, fugindo de si mesmo, é a maior cilada! O contrário, porém, se procurar, é se encontrar e tornar real o essencial, isso sim é a plena realização e salvação!

A nossa arte é fruto do que somos e não somente do que fazemos! É necessário dialogar-se, acusar-se, dar um tempinho, olhar-se no espelho, ser sincero, enxergar além de um corpo humano, de formas variadas, pensamentos diversos, ora miserável e pecador, ora belo e poderoso, mas dar lugar ao divino, à graça da beleza esponsal, pois é NESTE CORPO que Deus escolheu habitar!

É preciso descobrir o sentido da vida através de cada gesto que se faça ou receba e estar aberto e sensível àquilo que se chega, com a mais profunda verdade do Amor de Deus, mas, sobretudo, com a gratidão a Deus por SER em você e assim, sendo em você, você deixa de somente FAZER, mas em tudo passa com Ele a SER, sendo em cada atitude, em cada ação mínima ou máxima um TODO e não apenas fragmentos.

“Vosso corpo é o templo do Espírito Santo que está em vós e recebestes de Deus!” (ICor 6, 19). Ser o diferente hoje é ser aquele que se ama, se cuida, mas desejando estar na presença do outro. No compartilhar do cotidiano, da vida real, desejar o olhar, o ouvir, o sentir o outro, estar presente para SER presença de Deus, do amor, com atos concretos de quem ama! Jesus gostava de estar perto, para tocar e ser tocado. Segui-Lo é também tocar e se deixar ser tocado. Num ato contrário à maré, sair de si em busca do próximo que tão bem te revela quem você é!

Aqui está um Novo jeito de ser Artista e fazer arte!

Por: Ingrid Gomes - Membro da Comunidade Recado

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