O REINO DE DEUS E OS EVANGELHOS.

O REINO DE DEUS E OS EVANGELHOS.

É notável que entre bilhões de pessoas em todo o mundo, identificados como cristãos, poucos pensam no conceito do Reino de Deus, e menos ainda têm a menor ideia do que realmente se trata. Isto é notável porquê de acordo com o fundador da fé cristã, Jesus Cristo, isso deveria ser prioridade de cada cristão. Como Ele mesmo disse: “Buscai primeiro o reino de Deus e a sua justiça”. (Mateus 6,33).

O Reino de Deus, conforme revelado nos evangelhos, constituía o centro da mensagem de Jesus.

O relato de Marcos demonstra que Jesus iniciou seu ministério falando do Reino: “Depois de João ter sido preso, foi Jesus para a Galiléia, pregando o evangelho de Deus, dizendo: o tempo está cumprido, e o reino de Deus está próximo: arrependei-vos e crede no evangelho” (Marcos 1,14-15).

Na ótica de Mateus, o resumo do ministério de Jesus está em 4:23: “Percorria Jesus toda a Galiléia, ensinando nas sinagogas, pregando o evangelho do reino e curando todo tipo de doenças e enfermidades entre o povo”.

Nos Evangelhos, a expressão “Reino de Deus”, aparece 51 vezes, sendo 4 em Mateus, 14 em Marcos, 31 em Lucas e 2 em João. Já a expressão “Reino dos Céus” aparece somente em Mateus em 32 ocorrências.

A expressão “Reino dos Céus”, é uma expressão semítica, na qual a expressão “céus” está sendo usada para substituir o nome divino- Deus. O evangelho de Mateus foi escrito principalmente para um público judeu, entre os quais era comum evitar dizer diretamente o nome de Deus à parte de uma ocasião de reverência. Assim Mateus substitui a expressão “Reino de Deus” por “Reino dos Céus”, simplesmente o céu é onde está Deus. As passagens paralelas de Marcos e Lucas usam a expressão “Reino de Deus”. Portanto, os termos são sinônimos.

Por toda a extensão dos Evangelhos Sinópticos a missão de Jesus é frequentemente interpretada como o cumprimento das promessas do Antigo Testamento. Este fundo histórico precisa ser levado em conta ao considerar as expressões referentes ao Reino de Deus como uma realidade presente.

Nos relatos dos Evangelhos, podemos notar que Satanás continua ativo subjugando a palavra do Reino na vida dos indivíduos que não a aceitam realmente (Mateus 13,19), falando através de Pedro (Mc 8,33), entrando em Judas (Lc 22,3), e desejou tomar posse da vida de Pedro também (Lc 22,31). Satanás não está desprovido de poder, mas o seu poder está enfraquecido. Tudo o que Jesus realizou, seja em palavras, feitos, morte e ressurreição, constituem uma derrota inicial do poder Satânico que transforma a vitória e o triunfo final do Reino de Deus algo líquido e certo.

A vitória do Reino de Deus se dá numa dimensão espiritual e não terrena, espacial ou geográfica. Jesus lutou com os poderes do mal, conquistando uma vitória sobre eles para que ao fim dos tempos tais poderes possam ser quebrados de uma forma definitiva.

Em Mateus 13, estão reunidas seis parábolas alusivas ao Reino, que parecem trazer a presença viva e ativa do Reino. Este mesmo Reino era o tema do evangelho, ou boa nova, que Jesus pregou em Marcos 1, 14-15.

Todas as parábolas tendem a forçar o ouvinte a tomar uma posição. Elas estão cheias da certeza de que os tempos salvíficos estão a irromper-se. Dessa forma os Evangelhos nos conduzem a concluir que Jesus se preocupou em preparar seus ouvintes para o inesperado. Aceitar o Reino significava na realidade “arriscar a vida por ele”.

 

Por Jacqueline Gelain, membro da Comunidade Recado.

 

Referências

Bíblia Sagrada, Tradução Ave Maria, 92ª Edição.

Bíblia Sagrada, Tradução de João Ferreira de Almeida, Edição Contemporânea, 1990, por Editora Vida.