O que não fazer na educação dos filhos na fé

O que não fazer na educação dos filhos na fé

Vocês que são pais de filhos adolescentes ou adultos já se perguntaram o porquê de muitas vezes os filhos apresentam resistência em ir à Igreja, em se relacionar com Deus?

A primeira reposta é sempre muito rápida: Porque é parte da adolescência essa rebeldia e oposição àquilo que são os valores dos pais. Ou porque, depois de adultos, fazem suas próprias escolhas e não seguem os ensinamentos dos pais. Todavia, esta é uma resposta superficial. É preciso mergulhar mais a fundo nessa questão e perceber que essa “aversão” ou indiferença se referem à compreensão que eles tem acerca de Deus e a imagem que eles têm de Deus.

A relação que os homens estabelecem com Deus traz uma referência muito grande de suas relações com os seus pais e familiares. A psicologia nos fala que algumas pessoas possuem aversão à imagem de Deus Pai porque em sua infância tiveram traumas relacionados ao seu próprio pai. Assim também em relação à Virgem Maria! Muitas pessoas encontram muita dificuldade de acolher Maria em sua vivência de fé católica porque não tiveram uma boa relação com suas mães ou tiveram algum tipo de trauma. Dessa forma, podemos perceber que os pais são referências extremamente importantes na construção da imagem de Deus, no desenvolvimento de um relacionamento com Deus e expressão da fé de seus filhos.

Uma prática muito comum dos pais no processo de educação de seus filhos é transferir para Deus o castigo e a punição pelas atitudes erradas e de desobediência. Na maioria das vezes esta atitude ocorre por não se ter o controle, o domínio dos filhos. Quando os filhos tendem a não obedecer aos comandos dos pais e estes já perderam a autoridade sobre seus filhos, muitas vezes transferem a Deus essa autoridade, mas acabam colocando Deus como um Deus bravo, castigador, punitivo e mal.

Frases como “Não faz isso meu filho, Deus está te vendo viu!”, “Ele vai te castigar!”, “Criança que desobedece aos pais, Deus castiga!” e “Não faz isso que Deus não gosta!” são frases que trazem certo efeito sobre a criança, porém cria em sua cabeça a imagem de Deus como alguém que é mal, ruim, que sempre castiga e que nunca perdoa os erros cometidos. Pode até parecer bobeira ou uma coisa sem sentido, mas frases como estas causam uma distorção na relação da criança com Deus. São essas “simples” frases que vão criando e inculcando na cabeça das crianças uma concepção de que Deus não é amor, Deus não é misericórdia, que Deus não é pai. Assim sendo, crescem e se tornam adolescentes e adultos que fogem da Igreja e rejeitam a vivência da fé em Deus por acreditarem num Deus mal, vingativo e punitivo.

Os pais precisam estar atentos à forma como educam suas crianças na fé. Quando se diz que Deus não gosta de desobediência é preciso dar a criança o sentido desse não gostar e trazendo sempre a imagem de Deus que é misericórdia e que mesmo diante dos erros e desobediências ama a cada ser humano com um amor inigualável. Quando a criança compreende que erros e desobediências ferem o coração daquele que como o papai e mamãe a ama muito, ela começa a estabelecer uma relação afetiva positiva com Deus e futuramente não será um adolescente e um adulto que não compreende Deus como ele é.

Como famílias cristãs, é preciso educar os filhos na fé que se professa e, sobretudo, ser testemunho vivo dessa fé dentro de casa. De nada adianta colocar os filhos na catequese se em casa o Deus que é apresentado a eles pelos pais é diferente daquele que a Igreja o apresenta. O testemunho tem um poder maior do que as palavras.

 

Por Laianne Viana, Membro da Comunidade Recado.

 

 

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