O necessário equilíbrio entre Marta e Maria

O necessário equilíbrio entre Marta e Maria

Jesus sempre teve diante de Si, com muita clareza, que Sua Missão neste mundo seria rápida, com relação ao tempo, mas que deveria ser intensa. Por conta disso, a cada acontecimento em Seu cotidiano, Ele aproveitava para tirar lições e ensinar àqueles que estavam ao Seu lado.

Em sua caminhada terrena, Ele teve amigos especiais que nos são conhecidos, graças aos Evangelhos: “Ora, Jesus AMAVA Marta, Maria, sua irmã, e Lázaro.” (Jo 11, 5).

Só pelo verbo em destaque, podemos concluir que era uma família de convívio direto, não eventual. Jesus amava esses amigos!

No Evangelho de Lucas, encontramos uma passagem muito conhecida: a visita de Jesus à casa de Marta e Maria. Vejamos:

Estando Jesus em viagem, entrou numa aldeia, onde uma mulher, chamada Marta, o recebeu em sua casa. Tinha ela uma irmã por nome Maria, que se assentou aos pés do Senhor para ouvi-lo falar. Marta, toda preocupada na lida da casa, veio a Jesus e disse: Senhor, não te importas que minha irmã me deixe só a servir? Dize-lhe que me ajude. Respondeu-lhe o Senhor: Marta, Marta, andas muito inquieta e te preocupas com muitas coisas; no entanto, uma só coisa é necessária; Maria escolheu a boa parte, que lhe não será tirada”. (Lc 10, 38-42)

Marta inquietava-se para oferecer o melhor a Jesus. De fato, a família também O amava. Talvez, estivesse preparando algo para oferecer-lhe como refeição. Ou, ainda, arrumando algo que estava fora do lugar. Gostamos de receber bem as pessoas que nos visitam. Porém, sua irmã Maria, sentou-se aos pés de Jesus e ouvia-O atentamente. Quanta riqueza Maria recebia naquele momento! Realmente, tudo o que ela ouviu ali, guardou carinhosamente em seu coração.

Vamos transportar esse trecho bíblico para o nosso ministério? Nosso ministério tende a assumir alguma dessas posturas:

a)    Muitos ensaios, técnica perfeita, nenhuma espiritualidade. Esse é o Ministério Marta, que, tentando oferecer o melhor a Deus, se perde no ativismo, na burocracia, nos acordes, harmonias, luzes, e se esquece quem é o Senhor da Messe. Esse Ministério toca a liturgia, serve em nossos grupos de oração, mas não “toca” as pessoas! Sim, irmãos, esta é nossa função principal: evangelizar através de nossa arte seja ela qual for. E nossas intenções são as melhores: a Jesus, o melhor. Como Marta, pensamos na melhor música, tocada e cantada da melhor forma, não é?

b)    Muita oração, Adoração ao Santíssimo Sacramento, Novenas, Jejuns/penitências, Peregrinações, e nenhum ensaio (o tocar “vai na graça”). Esse é o Ministério Maria. As nossas orações são de extrema importância no nosso Ministério artístico. Mas, como artistas, temos as técnicas, os ensaios. É o belo que também terá o poder de elevar as almas daqueles que nos veem e ouvem a Deus. É como ouvir um Ministério cheio de unção, mas a falta de sincronia, técnica e ensaio surtem o efeito contrário. Nosso servir, cheio de intimidade com Deus, será muito frutífero. O Reino de Deus exige nossa ação! Nosso Ministério é agir de Deus em nossa vida, a serviço dos nossos irmãos.

 

O que sugerimos, então, para não cairmos no ativismo e nem falharmos na técnica?

Tudo está nesta palavrinha, que podemos tomar como atitude: equilíbrio.

No dicionário Michaelis On-line, podemos ler que equilíbrio significa: “[...] Igualdade de quantidade, sem exceder para mais ou para menos. Afastamento de qualquer excesso; moderação nos gestos, modos, palavras, sentimentos etc.; prudência”. 1

Pois bem. Tratamento com igualdade na parte técnica e na parte espiritual. Reconhecemos que, por vezes, é necessário entrarmos numa intimidade mais profunda com Deus, principalmente se discernirmos que existe um combate espiritual. Intensificamos nossas orações pessoais e em Ministério, e estendemos as práticas espirituais a todos: jejuns, confissões, recepção mais frequente da Eucaristia.

Também há que se reconhecer que existem ocasiões que nos exigem mais ensaios, mais capricho, mais primor e técnica.

Mas, que a rotina seja o perfeito equilíbrio da vida de ensaios e da vida de oração.

Ser Marta e ser Maria, na medida certa, é bom demais.

 

 

Por Sara Pimentel, Membro da Comunidade Recado

 

 

 

1. http://michaelis.uol.com.br/busca?id=jo3W

 

 

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