O desapego é uma ARTE!

O desapego é uma ARTE!

“De graça dou, devolvo a Ti, o que de Ti eu recebi...”

A cada dia em que renovamos o nosso sim a Deus, nos colocamos como pobres diante do Criador para que Nele possamos nos encher.

Se lançar a cada momento no chamado de Deus é não ter medo de entregar o “tudo” que conquistamos aos pés de Jesus. É viver a experiência de esvaziarmos nossa sacola de presentes, certos de que tudo o que temos e recebemos nos foi dado por bondade de Deus, e, se tudo entregamos ao Senhor, muito mais Ele nos dará. O missionário vive constantemente o desapego porque é nesse exercício que se bebe da Divina providência de Jesus, é nessa arte de muitas vezes entregar receoso e se fazer pobre que contemplamos os maiores milagres de Jesus em nossas vidas. “De que vale ao homem ganhar o mundo inteiro se vier a perder sua alma...” (Mc 8, 36). Senão vivermos a pedagogia de Deus de tudo entregarmos a Ele, jamais vamos poder valorizar e apreciar os novos milagres que Jesus quer fazer. Se nossa sacola está cheia, se não nos desapegarmos daquilo que hoje virou objeto de desejo e não de santidade, jamais vamos poder compreender e dar o verdadeiro valor ao novo que Jesus quer nos dar, aos poucos vamos nos tornando tão cegos ao que era velho, que já não passamos a enxergar o novo e nossa caminhada vai deixando de agregar novos valores, novos laços fraternos, novas missões. Tudo isso é alimento, é renovação para uma vocação, é necessário para perseverarmos.

Viva esse desafio de descobrir do que é necessário que você se desapegue hoje. O que hoje rouba você de viver a renovação do seu sim em sua caminhada? Há um novo esperando por você lá fora! Não deixe de se colocar na presença do Senhor hoje com sua sacola de presentes e deixar lá o que é preciso, para que você ganhe novos dons, novos desafios, novas conquistas. Queira renovar sua caminhada, queira ser pequeno como Santa Teresinha, foi se fazendo pequena, se fazendo pobre que Teresinha do Menino Jesus enxergou a totalidade do seu grandioso Deus! Desapegue-se!

 

Por Raphaela Félix, Membro da Comunidade Recado.

 

Poesia "O abandono é o delicioso fruto do amor", de Santa Teresinha do Menino Jesus:

 

Existe, aqui nesta terra,
Uma árvore excelente:
Sua raiz – que mistério! –
Se encontra, porém, no céu.

Debaixo de sua sombra,
Nada é capaz de ferir.
Sem medo da tempestade,
Lá se pode repousar.

Amor é o nome que tem
Essa árvore inefável,
E seu fruto delicioso
Leva o nome de abandono.

Já desde aqui, nesta vida,
Seu fruto me dá prazer.
Minh’alma rejubila
Com seu divino perfume

Este fruto, quando o toco,
Deixa impressão de um tesouro.
Mas é quando à boca o levo
Que sinto maior doçura.

Ele me traz, neste mundo,
Um mar inteiro de paz.
Neste repouso profundo
Encontro descanso eterno.

Só o abandono me leva
A Teus braços, ó Jesus,
Só ele me faz viver
A vida de Teus eleitos.

A ti, pois, eu me abandono,
Ó meu Esposo divino
E nada mais ambiciono
Que a unção de Teu doce olhar.

Para Ti quero sorrir,
Dormindo em Teu Coração
E sempre Te repetir
Que Te amo muito, Senhor.

Assim como a margarida,
Com seu cálice dourado,
Eu também, pequena flor,
Abro as pétalas ao sol.

Meu doce sol da vida,
Amabilíssimo Rei,
É Tua pequena Hóstia,
Tão pequenina como eu…

Os reflexos luminosos
De sua chama celeste
Fazem nascer em minh’alma
Um Abandono perfeito.

As criaturas deste mundo
Poderão me abandonar,
Mas, junto a Ti, sem queixar-me,
Passo muito bem sem elas.

Mas se Tu me abandonares,
Ó meu Tesouro Divino,
Mesmo sem Tuas carícias,
Ainda quero sorrir.

Quero esperar em paz,
Doce Jesus, Tua volta,
Sem jamais interromper
Os meus cânticos de amor.

Não, nada mesmo me inquieta,
Nada pode perturbar-me.
Mais alto que a cotovia,
Minh’alma sabe voar.

Lá, bem acima das nuvens,
O céu fica sempre azul.
E aí se toca a fronteira
Do Reino do nosso Deus.

Espero em paz a glória
Da morada celestial,
Porque encontro na Hóstia
O doce fruto do Amor!

31 de maio de 1897

 

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