No ano da Misericórdia não fique em cima do muro

No ano da Misericórdia não fique em cima do muro

No último dia 8 de dezembro, o Papa Francisco abriu as portas Santas da Basílica de São Pedro dando início ao ano jubilar da Misericórdia, cujo principal objetivo é ressaltar o rosto misericordioso de Deus, daí o propósito de sua Santidade de eleger por tema desse ano: “Misericordiosos como o Pai”.

Segundo a definição de Santo Agostinho1, misericórdia é a compaixão que o nosso coração experimenta pela miséria alheia, que nos leva a socorrê-la, se o pudermos. Esta definição encontramos em “A Cidade de Deus”. Mas não queremos falar da miséria alheia, queremos falar mesmo é da nossa.

Que oportuno se valer de todo um ano para consentir toda forma de licenciosidade, e aqui nossas maiores preocupações não são com os pecados de maiores promiscuidade, estes já entraram na conta do Juízo Final – queira Deus que possamos pelo menos garantir o purgatório – efeitos deletérios nos causam mesmo, é nossa falta de compromisso, isso sim é um perigo e pode gerar em nós um sentimento de indiferença em relação à misericórdia.

Vou contar uma parábola para melhor explicar. Mévio2 morreu e, para nossa surpresa e em virtude dos seus atos, em vez de ir direto para o céu ou para o inferno, sua alma caiu em cima de um muro, isso mesmo, de um muro. De um lado estavam os anjos do Senhor, cantando e louvando, torcendo por sua decisão e que esta fosse para vir com eles, a festa era extraordinária, belos cânticos de louvor, um perfume amadeirado, um clima de paz e alegria, enfim, o cenário era exatamente aquele que a esperança constrói em nossos corações. Por seu turno no inferno, ali sim o Demônio e seus encarregados tocavam mesmo “o terror”, carteado, cerveja e outras bebidas, charuto da melhor qualidade, as mulheres sensuais com corpos esculturais, enfim, o cenário, definitivamente era “propício”. Contudo, o que mais inquieta nesta situação é que nosso amigo Mévio não se decidia, nem ouvia o coro dos anjos, tampouco os apelos dos encarregados de Satanás.

Ansiosos – comportamento muito comum de quem dá voz ao Demônio – os encarregados do Diabo dialogaram com seu patrão pedindo mais intensidade em seus apelos, porque temiam que Mévio se decidisse pelo céu, mas a estas interpelações o Demônio afirmou apenas o seguinte: “fiquem tranquilos, enquanto estiver em cima do muro, ele já nos pertence.”

            Esta é nossa preocupação, pessoas que mesmo vivendo em comunidade, ainda estão em cima do muro. Este tem que ser o melhor ano das nossas vidas, decida-se por Deus, decida-se pelo Céu!

            Caso não tenha se convencido com o que fora dito por mim, sugiro que se convença com as Palavras ditas em Apocalipse 3,14-16.



1. De Civitate Dei, IX, 5: PL 41, 261. In Biblioteca digita (http://charlezine.com.br/wp-content/uploads/Cidade-de-Deus-Agostinho.pdf), acesso em 14 de dezembro de 2015.

2. Nome fictício de que se valiam os professores de Direito para contar caso nas cadeiras de Direito Penal.

Por Liano Levy A. G. Vieira.

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