Músico católico, carreira ou missão?

Músico católico, carreira ou missão?

Hoje, de uma forma particular, escrevo para cantores, grupos, bandas e ministérios que atuam em diversos movimentos da nossa Igreja Católica. Inicio com alguns questionamentos: Quantas vezes já sentiu vontade de gravar suas composições e ter uma carreira na música católica? Legal! Se já aconteceu isso com você, já se perguntou sobre o real motivo em seguir esse caminho?

É notável que hoje o mercado fonográfico católico, com auxílio dos meios de comunicação, tem se expandido bastante. Diferentemente de um tempo atrás, o catálogo de gêneros, estilos musicais que temos hoje é extremamente rico e com uma qualidade técnica ímpar, a cada tempo tem sido lançadas novas bandas, cantores e projetos promissores. Tem para todos os gostos! Afinal, a evangelização deve alcançar a todos, como o apóstolo Marcos nos escreve: “Ide pelo mundo inteiro e anunciai a Boa-Nova a ‘toda’ criatura’” (Mc. 16, 15).

Anunciar a TODA CRIATURA é uma tarefa árdua e precisa de muitos operários, principalmente quando se fala de música e arte, a qual exige zelo e responsabilidade. Todavia é necessário refletir a origem e finalidade da nossa arte, para não correr o risco de ‘prostituí-la’ ou até mesmo se frustrar com uma ‘carreira’ sustentada somente nos ideais ‘marketeiros’ e não na evangelização.

Já que tocamos no assunto da comunicação é sabido que esse é o meio fundamental para que a produção fonográfica católica consiga maior visibilidade. Recordo-me do famoso jargão “a comunicação é a alma do negócio”. No entanto, como nos ensina o Concílio Vaticano II entre seus textos, a “alma do negócio” na nossa arte é fazer prevalecer os valores morais relativos à religiosidade católica, bem como as virtudes teologais fé, esperança e caridade.

Nesta perspectiva entende-se que ser músico católico, antes de tudo é uma vocação que impele a uma vida de missão e deve ser cuidada como tal. O Papa João Paulo II nos ensina em sua Carta aos Artistas que nem todos são chamados a serem artistas no sentido específicos do termo. Porém, àqueles que são separados, eleitos, “quanto mais consciente está o artista do ‘dom’ que possui, tanto mais se sente impelido a olhar para si mesmo e para a criação inteira com olhos capazes de contemplar e agradecer, elevando a Deus o seu hino de louvor. Só assim é que ele pode compreender-se profundamente a si mesmo e à sua vocação e missão”.

Temos uma missão! Portanto, não basta ser um excelente cantor, ter um grupo ou banda excepcional em técnica, uma gravadora com um marketing lhe prometendo um caminho promissor e rentável. É fundamental identificar esse chamado específico de Deus para sua vida e ter a responsabilidade em viver o Evangelho para que dessa forma exista um ministério fecundo e não uma arte vazia que só enfraquece e não alimenta na fé. É preciso ter a sabedoria do Espírito e a prudência para administrar esse projeto! Olha o que nos diz o apóstolo Paulo em uma de suas Cartas: “Rejeitamos todo procedimento dissimulado e indigno, feito de astúcias, e não falsificamos a palavra de Deus. Pelo contrário, manifestamos a verdade e, assim, nos recomendamos a toda consciência humana, diante de Deus”(II Cor 4, 1-2).  Infelizmente a fraqueza humana  diante de propostas já colocou muitos artistas em situações desconfortáveis e desmotivadoras...

Termino lhe propondo um desafio de oração com os seguintes quetionamentos: Artista, qual é a sua verdade? Seus sons e ritmos tem proporcionado uma união magnífica entre o Criador e a criação e da criação entre si? Caro leitor, a  ‘sua música, tem aproximado você e o povo que lhe foi confiado do Supremo Artífice? A nossa música tem como objetivo fazer com que as pessoas se voltem abertas ao plano de Amor.  Somente isso nos basta.

 

Por Piero Aguiar, Membro da Comunidade Recado.

 

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