Missa: sirvo ou participo do Mistério Pascal de Cristo?

Missa: sirvo ou participo do Mistério Pascal de Cristo?

Estudando o documento Sacrossanctum Concilium sobre a Sagrada Liturgia, fiquei a refletir sobre a participação plena, ativa e consciente dos fiéis na Santa Missa, tão enfatizada e valorizada pela Igreja, sobretudo, desde o Concílio Vaticano II.

Os artistas católicos, como cristãos fiéis, são chamados pela Igreja a viver uma participação plena, ativa e consciente na Santa Missa, na celebração da Sagrada Liturgia. Mas o que significa essa participação plena, ativa e consciente?

Refletindo no significado de cada palavra compreendemos que, participação plena é estar todo inteiro mergulhado no mistério que se celebra; participação ativa significa não estar apenas de corpo presente, assistindo a missa como quem assiste a um programa de TV ou uma encenação, e participação consciente significa ter consciência, o mínimo conhecimento e, sobretudo, experiência de intimidade. Portanto, a Igreja chama a todos os cristãos a participarem da Santa Missa com inteireza, sendo verdadeiramente obedientes ao que Cristo pediu na Santa Ceia: “Fazei isto em Memória de Mim...”.

Frei José Ariovaldo da Silva (ofm), em seu escrito sobre a adoração ao Santíssimo Sacramento, nos fala que, na missa vivemos a maior bênção que é a participação no memorial do sacrifício de Cristo. Compreende-se assim, a importância da Santa Missa na vivência da fé que, como artistas católicos professamos e somos (ou devemos ser) testemunhos aos irmãos.

O artista tem visibilidade e, por isso, deve zelar sempre por ser testemunho daquilo que acredita, da fé que professa. Como artistas católicos, precisamos ser testemunho fiel dessa participação plena, consciente e ativa na Santa Missa, pois recebemos de Deus a missão de evangelizar, de salvar almas e, para isso, precisamos dar testemunho pela vivência da fé. E não basta participar, é preciso, sobretudo, compreender o sentido e a importância do mistério que celebramos. Não se pode esquecer a ordem que Jesus mesmo deu: “Tomai e comei... tomai e bebei”, pois aqui se expressa o ponto mais alto da participação na missa. O próprio Cristo se dá a nós pela Santa Eucaristia, e dando a nós seu corpo e sangue como alimento, nos dá fazer parte no mistério de Seu Sacrifício para nossa salvação.

Na Eucaristia recebemos em nós o próprio Cristo, digno de todo louvor e adoração. Façamos a experiência de adorar a Jesus que na comunhão se faz presente em nós! Em cada Santa Missa, o Sacrifício de Cristo se faz no altar, nos dando a grande graça de participarmos, diariamente ou a cada domingo, no Mistério Pascal de Jesus. Como olhar para este Deus que se faz pequeno e se dá nós em sacrifício todos os dias em nossas Igrejas, com um olhar disperso, atento e preso às preocupações? Como participar da Santa Missa e sair da Igreja do mesmo jeito, tendo Cristo vivo dentro de nós pela Eucaristia? Tenhamos cuidado para não tornar o Mistério Pascal de Cristo num gesto comum e rotineiro que fazemos automaticamente, sem uma verdadeira experiência de intimidade e encontro com o Senhor. Lembremos sempre, que para nós, artistas católicos, a arte é um transbordamento da intimidade que temos com o Criador em Cristo Jesus pela ação do Espírito Santo. Seja tocando, cantando, dançando, atuando ou em qualquer outra expressão artística, se eu não provo desse Mistério verdadeiramente, tampouco irei transbordá-lo pela minha arte.

 

Por Laianne Viana, Membro da Comunidade Recado.

 

 

Referências

Documento Sacrossanctum Concilium, sobre a Sagrada Liturgia.

Revista de Liturgia n.166. Eu te adoro, Hóstia Divina. A propósito da Adoração ao Santíssimo Sacramento e a missa: Aprendendo da história. Frei José Ariovaldo da Silva, ofm.