MISERICORDIAR!

MISERICORDIAR!

Desde que o Papa Francisco assumiu o pontificado a misericórdia de Deus tem se tornado o alvo de nossas vidas, partilhas, ministério e serviço. Muito tem se falado da misericórdia e muito tem se provado da misericórdia. Porém, ainda nos encontramos na superficialidade desse grande mistério do Coração de Jesus.

A misericórdia de Deus pode ser compreendida também como um verbo à medida que ser misericordioso é um exercício, uma ação – misericordiar; e como ação, requer de nós a prática, uma vivência. Como cristãos somos chamados a sermos outro Cristo no mundo, buscando a vivência do Evangelho em seu grau mais perfeito – a Imitação. Contudo, isso pode nos parecer uma realidade distante ou exigente demais o que acaba nos distanciando da misericórdia de Deus por não nos acharmos dignos e/ou merecedores. Merecedores de fato não o somos e nossa dignidade é o próprio Deus quem dá.

São Francisco nos diz: “Pregue o Evangelho todo o tempo, se necessário use palavras”. Assim se dá a misericórdia de Deus em nossas vidas.  É testemunho, é intimidade, é mergulhar no Coração de Jesus, receber o Seu Sagrado Coração e acolhidos pela misericórdia do Pai ir ao encontro do irmão, ofertando Cristo vivo em nossos corações.

Ser misericordioso é, em suma, dar o coração ao miserável!  Nós somos miseráveis e necessitamos da misericórdia do Pai que nos é ofertada no Sagrado Coração de Jesus. Isso todos nós sabemos e de alguma forma sempre esperamos por misericórdia diante das nossas faltas, pecados e misérias. Mas a pergunta é: Estamos vivendo? Estamos ofertando o nosso coração aos miseráveis que encontramos em nosso caminho?

Todos somos miseráveis, temos as nossas fraquezas e imperfeições, logo, em nossa vida, em nosso caminho, na nossa paróquia, no trabalho, na família, no ministério somos e estamos cercados de pessoas miseráveis assim como nós. A todos somos chamados a ofertar o nosso coração, sem distinção de pessoas. Todavia, aqueles que nos são mais difíceis, aqueles que aos nossos olhos são os mais pecadores, aqueles que não gostamos e estamos sempre pronto a criticar e apontar com o dedo em riste os seus erros, aqueles que nos feriram profundamente, que nos causaram algum mal e cometeram injustiça contra nós, a esses nós somos também chamados a ofertar o nosso coração. Jesus nos diz: “Os sãos não necessitam de médico, mas sim, os doentes. Portanto, ide aprender o que significa isto: ‘Misericórdia quero, e não sacrifícios’. Pois não vim resgatar justos e sim pecadores’”. (Mt 9, 12 - 13) Esses também são filhos de Deus e, portanto, alvos de Sua Misericórdia infinita e insondável, a qual o Senhor nos chama a sermos instrumentos.

Será que em nossa vivência como cristãos estamos sendo discípulos fiéis e autênticos ou estamos nos sentando à mesa com o Senhor como os fariseus a questioná-Lo porque Ele caminha e come com os cobradores de impostos, publicanos e pecadores? Escolher a quem ser misericordioso, a quem ofertar o seu coração é querer dizer ao Senhor quem merece ou não seu amor, Sua Misericórdia e, quem somos nós para dizer ao Senhor quem merece ou não se é o próprio Deus quem se dá gratuitamente a cada um. O que seria de nós se Jesus nos negasse a misericórdia? O que será do seu irmão, dos seus miseráveis se negar a eles a misericórdia de Deus? Quantas almas podem se perder pela nossa falta de misericórdia, por não ofertamos o nosso coração ao miserável. Não somos chamados apenas a viver o ordinário, mas viver nesse ordinário o sobrenatural de Deus. Mesmo sendo profundamente feridos, somos chamados a ser misericórdia àqueles que nos feriram. Jesus nos oferece o seu Coração coroado de espinhos e feridos pelos nossos pecados. Mesmo O ferindo tanto com os nossos pecados e misérias Cristo não se cansa de nos oferecer o Seu Sagrado Coração. Assim, também nós somos chamados a oferecer o nosso coração àqueles que nos feriram.

 

“Sede misericordiosos como o Vosso Pai é misericordioso”.

 

Por Laianne Viana membro da Comunidade Recado.

 

Referências Bibliográficas:

Bíblia Ave Maria