Ministério de artes: o desafio de trabalhar em grupo

Ministério de artes: o desafio de trabalhar em grupo

Para algumas pessoas o serviço ligado às artes implica em ter que trabalhar com outras pessoas. E isso é ao mesmo tempo uma fonte de bênçãos e pode ser uma fonte de problemas. Trabalhar com o outro nunca foi fácil, pois o ser humano é alguém que passa por altos e baixos. Por períodos incríveis e por crises complicadas. E tudo isso não deixa de afetar o artista e os seus irmãos de ministério.

Acredito que o fazer artístico é a coisa mais fácil em se tratando da arte (o que não significa que seja simples). O desafio está em lidar com as pessoas. Nossa religião católica e cristã não pode ser concebida sem uma prática que envolva cuidar e amar aqueles que Deus confiou. Para muitos evangelizadores, o desafio é amar o “irmão que se vê” e está ao lado, do que amar o “irmão que não se vê” e é alvo do serviço evangelizador. Temos que ter cuidado para não dedicarmos um amor mais excelente para os de fora e esquecermos ou mesmo tratarmos mal os de dentro. Sendo assim, cada artista cristão é responsável por amar e cuidar de quem está ao seu lado nessa missão dada por Deus. Em geral, não escolhemos com quem trabalhamos, mas Deus pede que possamos escolher como tratamos os que nos foram dados.

A missão de evangelizar através das artes deve salvar e se salvar. Deve levar ao encontro de Deus aquele que tem contato com nossa arte e deve também nos levar a Deus e aí nos fincar. Brigas, invejas, ciúmes podem até surgir em nossos grupos ou ministérios de artes, mas o caminho é sempre o mesmo de cada cristão: reconciliação, perdão, misericórdia. O modo como tratamos as pessoas causa um impacto direto no que fazemos em cima do palco. E muitas dessas questões são tão sutis que é preciso um grande esforço para percebê-las. Tudo isso é impossível de ser vivido se não houver aí uma abertura de coração para o exercício da humildade. Humildade para pedir perdão e para perdoar. Humildade para que o orgulho não dê a palavra final. Para amar e insistir nos irmãos mais difíceis. Para dar voz e vez aos mais calados. Muitas vezes até motivados por um desejo salutar de fazer o melhor nos nossos serviços artísticos escalamos sempre as mesmas pessoas e não conseguimos dar oportunidade aos mais novos. Como dar oportunidade e fazer bem feito? Acredito que é importante reservar espaço para as duas coisas. Alguns eventos são por demais importantes para a evangelização e até mesmo a maturidade do próprio grupo e é imprescindível que os irmãos com maior experiência sejam escalados para o serviço. Em outros casos é de suma importância que sejam espaços reservados para que os mais novos ganhem a tão importante experiência. É preciso de um equilíbrio entre dar o melhor do grupo e promover o melhor para que o grupo se torne cada vez mais forte.

O serviço é um caminho que nos aproxima de Deus. Para que a nossa arte seja serviço a Deus e aos irmãos precisamos cultivar uma vivência cristã. Num grupo ou ministério, por mais talentoso que alguém seja, ninguém está dispensado desta vivência, pois senão corre o risco de cair no grande perigo da arte pela arte e passa a estar ali unicamente para exercer sua arte, para ‘fazer’ e não para ‘ser’! A vida do artista cristão precisa ser como sua arte: impregnada totalmente por Deus!

O grupo não é fácil. Mas, precisamos entender que se Deus colocou um grupo em nossa caminhada talvez seja porque precisamos mais do grupo do que o grupo precisa de nós e da nossa arte. Isso significa que, como artista, precisamos pagar um preço para fazer parte de algo. Isso significa que talvez seja necessário esperar mais pelo outro. Perdoar mais. Amar mais. Mas, será que em tudo isso eu já não estou mais perto de Deus? E se estou perto de Deus, como isso afeta diretamente o meu fazer artístico? Fazer arte em grupo é uma vocação, mas também uma escolha. E é responsabilidade de cada um arcar com essa escolha e fazer com que ela dê certo.

 

Por Leonardo Falconeri, Membro Compromissado da Realidade de Aliança.

 

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