Ministério: amor que se manifesta no serviço

Ministério: amor que se manifesta no serviço

Ministério: amor que se manifesta no serviço

 

O serviço ministerial consiste em colocar-se a serviço de Deus, não por obrigação e sim, por amor a Ele. Deus é tão bondoso que nos concede seus dons e graças​ para que possamos dar o nosso melhor, como diz um trecho de música da Comunidade Recado: "de graça dou devolvo a Ti, o que de Ti eu recebi."¹ Destaco a palavra devolver não no sentido de esperar algo em troca, mas sim dar por amor e para o Amor, doar-se gratuitamente para que a vontade de Deus se cumpra em nós, em nosso ministério e na vida de muitas pessoas sempre pensando na salvação das almas.

A passagem bíblica em I Coríntios 13 nos revela e nos faz refletir sobre esse amor que devemos ousar viver e que complementa nosso ser. O capítulo da referente passagem começa dizendo assim: “Ainda que eu falasse a língua dos homens e dos anjos, se não tiver caridade, sou como o bronze que soa, ou como o címbalo que retine. Mesmo que eu tivesse o dom da profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência; mesmo que tivesse toda a fé, a ponto de transportar montanhas, se não tiver caridade, não sou nada. Ainda que distribuísse todos os meus bens em sustento dos pobres, e ainda que entregasse meu corpo para ser queimado, se não tiver caridade, de nada valeria!”² Trazendo esses primeiros versículos para a nossa realidade ministerial, o servir deve ser um ato impulsionado pelo amor que nós temos por Deus. É uma decisão, é um gesto concreto de louvor e gratidão por aquilo que Ele nos deu. O amor d’Ele por nós é o que nos impele a nos doar, a nos colocarmos a serviço do irmão que também traz dentro de si traços da essência divina. Mesmo que eu saiba coordenar, conheça todas as técnicas, tenha o dom de ministrar; mesmo que eu conheça todas as artes, possua toda a fé, dons e talentos, se não tiver amor, eu nada sou!

Cito, a seguir, cada trecho dessa passagem seguido de uma reflexão.

“A caridade é paciente, a caridade é bondosa. Não tem inveja. A caridade não é orgulhosa. Não é arrogante.”³  

Servir por amor exige muitas vezes que nós façamos o exercício da paciência. Em nosso ministério sempre existirão ovelhas e pastores que em algum momento “testarão” nossa capacidade de sermos pacientes. Portanto, não se preocupe, porque isso é um propósito de Deus para que conquiste a santidade. É claro que nossa humanidade é limitada, porém a graça de Deus nos leva além, a caminhos interiores que talvez não se possa alcançar, mas Deus pode. O exercício de paciência nos torna santos, e uma vez conquistada essa santidade, seremos exemplos para os outros que ainda não conseguiram alcançar essa virtude.

O amor é bondoso, essa virtude não só denota aquilo que é bom ou o que não tem maldade. É claro que o serviço ministerial precisa de atos de bondade, de um que sirva o outro, fazendo gestos que gerem o bem e que seja sustento. Mas, também é necessário muitas vezes ser firme e colocar limites no ministério, como por exemplo, as brincadeiras que não agregam valor ao outro é preciso por vezes ser cortada. Isso é uma vivência dessa virtude que gera o bem no outro e o bem para si mesmo. Deus é bondoso conosco e nos dá aquilo que necessitamos, mas Ele, como Pai, também precisa dizer “não” para nós que somos seus filhos, nem sempre Ele vai nos dar o que queremos. Ele nos corrige por amor e porque quer o melhor para cada um de nós. Ser bom em nosso ministério não deve nos levar a querer ser melhor que o outro. Cuidado!

O servir não pode gerar em nós sentimentos como a inveja, o orgulho e a arrogância. Quanto mais preenchermos o nosso coração com o amor de Deus, esses sentimentos não encontrarão espaço em nosso coração para fincar suas raízes, por isso é necessário buscarmos perseverar na nossa busca pela espiritualidade. A inveja é um sentimento, que pode nos levar a querer o que o outro tem, seja um dom ou talento, mas devemos combater esse pecado com jejum, oração e confissão. Quando sentir inveja, lembre-se que Deus dá a cada um o dom e talento necessário, graças individuais e que se completam, seja a pessoa que Deus te designou para ser. Já o orgulho é outro pecado que pode nos levar a exaltar a nós mesmo, a pensar que o nosso talento é maior do que o outro, e alimentando esse sentimento podemos nos tornar pessoas arrogantes e prepotentes. Porém, Deus nos concede as armas necessárias para combater esses pecados que é o amor e a humildade.

“Nem escandalosa. Não busca seus próprios interesses, não se irrita, não guarda rancor. Não se alegra com a injustiça, mas se rejubila com a verdade.”4

Os versículos citados acima são uma reposta ao versículo anterior, o amor não promove escândalo, porém a inveja, o orgulho e arrogância sim. O amor é desinteressado, não se irrita, não guarda rancor. O servir por amor é aquele que não busca interesse para si próprio. Ama e serve em benefício do outro e porque quer agradar a Deus, para consolar o coração de Deus. Como ministério devemos nos alegrar com a verdade, a verdade que cada um traz em seu coração, independente do passado do seu irmão, o que importa é a retidão e o desejo que esse irmão carrega no coração de querer fazer o melhor para Deus, de querer que os outros também conheçam desse amor de Deus que ele experimentou. Deus é amor, essa é a verdade que o mundo precisa conhecer. Não importa quem te magoou, quem te irritou, quem te escandalizou ou se aproximou por interesse, importa é como respondemos a essas perseguições. Devemos responder com amor, com o Amor de Deus por nós, pois isso pode salvar a alma dessas pessoas, como diz a música da Comunidade Recado: “ Quero que o mundo inteiro possa entender, o que seu Amor é capaz de fazer!”5

Quando sabemos o que o Amor de Deus é capaz de fazer em nós, com certeza iremos querer que esse mesmo amor abrase outros corações.

“Tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.”6

Amor é servir perdoando os erros dos meus irmãos de ministério, é acreditar que são capazes de colocar seus dons e talentos a disposição de Deus, acreditar que a doação de vida salva outros corações, é esperar que a flor desabroche no tempo certo, é suportar com eles suas dores e carregar também suas cruzes para que sejamos sustento e força na oração. Em nosso ministério, convivemos com pessoas diferentes e em alguns momentos surgirão discórdias, e para isso precisamos dar a esse irmão o amor que tudo perdoa isso já é servir, é sair de si mesmo para ir ao encontro do coração do outro. Devemos em alguns momentos motivar, incentivar os nossos irmãos a fazerem o melhor para Deus, seja com nosso exemplo, seja ensinando, seja rezando por eles. Sempre recordando que Deus é o primeiro a acreditar em nós, que nos dá sentido. Servir é ser amor, ser presença, ser perdão, ser um incentivador e, sobretudo, ser misericórdia.

Enfim, o ministério é o amor de Deus por nós que se manifesta através da nossa vida doada ao outro.  É eleição, é chamado de Deus, é amor que nos impele que nos impulsiona que nos faz querer proclamar esse amor, para que outros o conheçam, para que outros experimentem. De fato, só amo aquilo que conheço e experimento. Se já fizemos uma experiência com esse amor é porque conhecemos e desejamos viver ousadamente. Quanto mais conhecemos, mais desejamos transbordar esse amor, seja na pregação, no louvor, na música, ou simplesmente levando a palavra nas ruas. Façamos por amor e admiração a Deus, façamos tudo pela salvação das almas, assim como fez Santa Teresa, exemplo de amor e serviço: “Se mil vidas tivesse, mil vidas daria a uma só alma que se perde!”.

 

Por Rafaela Cassimiro, Membro da Comunidade Recado

 

Referência

1.     Ensina-me Tua Música, Cd Tempo de Celebrar.

2.     1 Cor 13, 1-3.

3.     1 Cor 13, 4.

4.     1 Cor 13, 5-6.

5.     Música Estar em Tua Presença.

6.     1 Cor 13, 7.