Medito a Verdade, descubro quem sou.

Medito a Verdade, descubro quem sou.

Dentre tantas buscas que ordenam a vida humana, a mais angustiante é o percurso de construção e descoberta da própria identidade. O fato de ser angustiante decorre do conceito de que a identidade é uma das características mais básicas do homem, está acerca das necessidades humanas, todavia, ao mesmo tempo, configura-se tão distante.

De acordo com Cencini (1999), para aquele que anuncia a fé em Deus, bem como no próprio homem, é fundamental estar convicto de sua autoidentidade. Essa convicção de que cada indivíduo tem de si é determinada pela fusão dos valores estáticos e do bem, uma vez que o homem, se elevando acima de sua condição terrestre, encontra a sabedoria 5.

De fato, o Catecismo da Igreja Católica nos ensina que a identidade dos filhos de Deus, dos eleitos é revelada na decisão de “estar com Cristo” 2 . Descobrir-se em Cristo consiste mergulhar em sua palavra, dedicar-se ao estudo da Sagrada Escritura, acreditando que toda palavra de Deus também é uma palavra sobre nós, afinal ela “... discerne sentimentos e pensamentos do coração” (Hb 4, 12).

Dedicar-se à palavra de Deus é ser educado/formado pelo Amor; é o real descobrir-se à vida, à esperança: a chave para o novo tempo. À luz da palavra vai sendo revelado que a nossa identidade de homem é revelada como a celebração do nascimento do menino Deus, isto é: de nascimento a nascimento iremos trazendo e sendo apresentados a esse filho de Deus que somos nós.

O fato em questão é que, mesmo as sagradas escrituras sabendo mais do homem do que ele mesmo, ainda é persistente a motivação em aprender-se tudo que é novo, mas grande dificuldade em compreender a Verdade. Por quê?

Falaremos em termos de simplicidade. Santo Agostinho, quando determinou dedicar-se ao estudo da Sagrada Escritura, revela que o orgulho e soberba impedem que a palavra seja revelada de forma humilde e sublime no íntimo do homem, relatando: “Na verdade, a agudeza de vista cresce com as crianças, porém eu, de nenhum modo, queria passar por criança e, enfatuado pelo orgulho, tinha-me na conta de grande!”1.

Pode-se dizer que colocar-se como criança é um dos grandes desejos de Deus para seus filhos. Assim como a criança - na sua inocência e imaturidade - deseja por leite, também nós, para termos um crescimento sadio (construção da nossa identidade), devemos ter anseio em apreciar o sabor de Deus por esse “leite espiritual” (I Pd 2, 2), que é a sua palavra.

Por fim, Ele é a Verdade que preside tudo! Em sua pedagogia de Criador deseja, na paciência, perseverança e, por meio da simplicidade de sua palavra revelar, sabiamente, a nós, a identidade de filhos, e nesse sentido a Santa Sé nos ensina que: “toda escritura é divinamente inspirada e útil para ensinar, para instruir na justiça: para que todo homem de Deus seja perfeito, experimentado em todas as obras boas” (Dei Verbum).

 

1- AGOSTINHO DE HIPONA, SANTO. Confissões. São Paulo: Paulus, 1984.

2- CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA. Brasília. Edições CNBB, 2013.

3- CENCINI, Amadeo. Redescobrindo o Mistério- Guia formativo para as decisões vocacionais. São Paulo: Paulinas, 1999.

4- DEI VERBUM, Constituição Dogmática Sobre a Revelação Divina. Disponível em: http://www.vatican.va/archive/hist_councils/ii_vatican_council/documents/vat-ii_const_19651118_dei-verbum_po.html. Acesso em 04 de jun de 2014.

5- RUSS, Jacqueline. Pensamento ético contemporâneo. 2ª. Ed. São Paulo: Paulus, 1999


Por: Piero Aguiar

Quer fazer a evangelização acontecer no seu ministério? Então CLIQUE AQUI. Quer saber como ela pode chegar o mundo inteiro?! CLIQUE AQUI