Maria: a Medianeira de Todas as Graças

Maria: a Medianeira de Todas as Graças

“Quando tudo parecer perdido, lá eu estarei convosco”. 

“[...] seria impossível dizer sua beleza.

 Estava trajada com um vestido de seda branco-aurora, [...] um véu branco que lhe cobria a cabeça e descaía até embaixo. Sobre ele, vi seus cabelos repartidos ao meio [...]. O rosto bem descoberto. Seus pés sobre uma meia esfera. Trazia em suas mãos uma esfera de ouro que remetia ao globo terrestre. Seus olhos voltados para o céu. Seu rosto era de uma incomparável formosura. Eu não saberia descrevê-lo [...].” Santa Catarina Labouré. 

Foi no ano de 1830, em Paris, meio a Revolução Francesa, período de intensa manifestação política e social na França, tempo de anticlericalismo e de muito sofrimento para a Igreja Católica¹, que a Virgem, medianeira de todas as graças, veio ao socorro de seu povo que clamava pela misericórdia divina.

Era noite do dia 18 de julho, conduzida por seu anjo da guarda, Santa Catarina Labouré, então uma noviça das Irmãs da Caridade, foi à capela do convento para encontrar-se com a Imaculada que a esperava². E, como nas Sagradas Escrituras, surgiu a Mulher revestida do sol; a Escolhida; a Porta do Céu; a Mãe da Ternura; aquela cujo “Sim” deu a vida ao Salvador.

“Um sinal grandioso apareceu no céu: uma Mulher vestida com o sol, tendo a lua sob os pés e sobre a cabeça uma coroa de doze estrelas” (Ap 12, 1)³.

Nossa Senhora revelou à noviça, as revoluções que se abateriam sobre a França, o rei sendo destronado e o Futuro que estava por vir. E confortou-a pedindo para que tivesse confiança, que mesmo quando tudo parecer perdido, Ela ali estará². Foram ao todo, três aparições da Virgem à noviça.

A segunda, ocorreu no dia 27 de novembro do mesmo ano, a Santíssima Virgem pediu à jovem, para que fosse cunhada uma medalha. Esta traria a imagem da Virgem com os dizeres “Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a Vós” ao seu redor. E no verso, o Sagrado Coração de Jesus e o Imaculado Coração de Maria, juntamente com a sigla da Santíssima, formada a letra “M” alçada por uma cruz. Além disso, Maria exortou dizendo que, “aqueles que portarem-na no pescoço e usarem com confiança, receberão grandes graças”, e advertiu o mundo sobre a imoralidade e os maus costumes, além de insistir na necessidade da oração e penitência².

No mês seguinte, durante a meditação vespertina, Nossa Senhora apareceu pela última vez a Catarina. Dessa vez, toda radiosa, levava consigo um globo de ouro, o ofereceu ao Senhor e falou ao coração da Santa que, os raios simbolizavam as graças dadas para aqueles que as pedem².

Depois de muita dificuldade, a medalha foi cunhada, e em meio a isso surgiu uma epidemia de cólera que afetou Paris, deixando 20 mil mortos em pouco tempo. As Irmãs da Caridade, distribuíram as medalhas aos doentes, e eis que surgiram os primeiros milagres, pois aqueles que recebiam a medalha ficavam curados. Dessa forma, surgiu o nome de “Medalha Milagrosa”4.

Desde então, se escutam falar dos inúmeros testemunhos e graças vindas através da Medalha. Sacramental este, dado-nos pela própria Virgem Maria, que traz consigo o sentido de nos recordar da confiança que devemos ter em sua poderosa intercessão.

Assim, somos convidados a mergulhar na beleza da divindade e experimentar das graças de sermos totalmente dependentes e confiantes da misericórdia de Deus, viva e presente em Maria que nos acolhe e embala-nos em teus braços. Pois, como já dizia o querido São Luís M. G. Monfort, “não tem como ser todo de Jesus, sem ser todo de Maria”, ela é a cheia de graça, e conhece como ninguém, os gostos do divino5.

 

Ó Maria concebida sem pecado,

Rogai por nós que recorremos a vós!

 

FONTES CONSULTADAS:

[1] Josef Lenzenweger – História da Igreja Católica.

[2] Arautos do Evangelho – Nossa Senhora das Graças e a Medalha Milagrosa

[3] Bíblia Jerusalém

[4] Padre Paulo Ricardo – A medalha milagrosa

[5] S. Luís Maria Grignion de Monfort – Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem.