Jesus vê sempre com “os olhos do coração”

Jesus vê sempre com “os olhos do coração”

O Evangelho de hoje (19/07) nos diz que os Apóstolos, depois da experiência de missão, voltaram felizes, mas também cansados. E Jesus, cheio de compreensão, quis dar-lhes um pouco de alívio. Então, "leva-os para longe, num lugar isolado para que possam descansar um pouco" (Mc 6, 31). "Muitas pessoas os viram partir e perceberam... e foram primeiro que eles" (v. 32). E, neste ponto, o evangelista nos dá uma imagem de Jesus de intensidade singular, "fotografando", por assim dizer, os seus olhos e colhendo os sentimentos de seu coração, e por isso o evangelista diz: "Ao desembarcar, Jesus viu uma grande multidão e compadeceu-se dela, porque era como ovelhas que não têm pastor. E começou a ensinar-lhes muitas coisas" (v. 34).

Retomemos os três verbos deste sugestivo fotograma: ver, ter compaixão, ensinar. Podemos defini-los de verbos do Pastor. O primeiro e o segundo estão sempre associados ao comportamento de Jesus: de fato, o seu olhar não é o olhar de um sociólogo ou de um fotojornalista, porque ele sempre olha com "os olhos do coração". Estes dois verbos configuram Jesus como o Bom Pastor. Também sua compaixão não é apenas um sentimento humano, mas é a comoção do Messias em que se fez carne a ternura de Deus. E desta compaixão nasce o desejo de Jesus de nutrir a multidão com o pão da sua Palavra, isto é, de ensinar a Palavra de Deus ao povo. Jesus vê, Jesus tem compaixão, Jesus nos ensina. E isto é belo!

E eu pedi ao Senhor, o Bom Pastor, esse Espírito, para me guiar durante a viagem apostólica que fiz nos últimos dias à América Latina e que me permitiu visitar o Equador, a Bolívia e o Paraguai. Agradeço a Deus com todo o meu coração por este dom. Agradeço às pessoas dos três países pela afetuosa e calorosa acolhida e entusiasmo. Renovo a minha gratidão às autoridades desses países pela acolhida e colaboração. Com grande afeto agradeço aos meus irmãos bispos, sacerdotes, pessoas consagradas e todas as pessoas pelo ‘calor’ com que participaram. Com estes irmãos e irmãs eu louvei ao Senhor pelas maravilhas que realizou no Povo de Deus que caminha na terra, pela fé que anima sua vida e sua cultura. E também louvei pela beleza natural com que enriqueceu estes países. O continente latino-americano tem um grande potencial humano e espiritual, guarda os valores cristãos profundamente radicados, mas também enfrenta sérios problemas sociais e econômicos. Para contribuir para a sua solução, a Igreja está empenhada em mobilizar as forças espirituais e morais de suas comunidades, colaborando com todos os componentes da sociedade. Diante dos grandes desafios que o anúncio do Evangelho deve enfrentar, convidei a obter do Cristo Senhor a graça que salva e fortalece o compromisso do testemunho cristão, a desenvolver a difusão da Palavra de Deus, a fim que a forte religiosidade dessas pessoas possa sempre ser um testemunho fiel do Evangelho.

À materna intercessão da Virgem Maria, que toda a América Latina venera como padroeira sob o título de Nossa Senhora de Guadalupe, confio os frutos dessa inesquecível viagem apostólica.

 

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