Invernos d’alma

Invernos d’alma

O dia nublado acinzenta também a alma e tudo em nós se volta para os relâmpagos que pintam o céu e para os trovões que sonorizam os ventos. A tempestade que se anuncia põe-nos amedrontados, cansados e logo corremos para nos esconder embaixo da cama-medo onde tudo é escuro ou mesmo sob o abrigo quente do cobertor-esperança.

Nos invernos da alma, o tempo faz-se incógnita, o sol se esconde e só enxergamos a tempestade. Sob o esconderijo do medo, as trevas se intensificam e o frio das dúvidas faz-nos míopes ante o sol que, mesmo escondido, brilha. Sob o aquecido cobertor da esperança, visíveis se tornam os súbitos clarões que, em sua transitoriedade, dão-nos flashes do Sol oculto do amor.

Nossa alma muito se detém nos ventos, nos trovões e na violência das águas, esquecendo que também o dilúvio teve seu fim em quarenta dias. Voltamos nossos olhos para a cruz, para os pregos ensanguentados sobre as pedras e esquecemos de volvê-los para o túmulo vazio.

Também nós fomos eleitos para testemunhar a glória de Deus manifesta no mistério da encarnação e anunciar suas inúmeras obras realizadas em nossas vidas. Contudo, nossa eleição não se dá somente para os momentos de milagres, mas também para os de crucifixão.

Aos eleitos, a cruz e o céu!


Por: Viviane Frutuoso – graduada em Letras/Português-Literatura e membro  compromissado da Comunidade Recado


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