Eucaristia é símbolo ou Jesus vivo?

Eucaristia é símbolo ou Jesus vivo?

A questão que é título desse artigo não é nova na história da Igreja, por isso já foi respondida: a Eucaristia é a Pessoa Divina de Jesus Cristo, é a presença real do Corpo, Sangue, Alma e Divindade do Senhor.

Por volta do século IV da cristandade, Santo Agostinho já afirmava que “A virtude própria deste alimento divino é uma força de união que nos une ao Corpo do Salvador e nos faz seus membros a fim de que nos transformemos naquilo que recebemos”, e exclamava: “Ó reverenda dignidade do sacerdote, em cujas mãos o Filho de Deus se encarna como no Seio da Virgem”.

Muito antes dele, São Paulo já declarava em 1Cor 10, 16: “O cálice da bênção que abençoamos, não é comunhão com o sangue de Cristo? E o pão que partimos não é comunhão com o corpo de Cristo? ”

Bem mais fortes que as palavras de Santo Agostinho e São Paulo, são as palavras do próprio Cristo presentes em Jo 6, 51: “Eu sou o pão vivo que desceu do céu. Quem come deste pão viverá eternamente. E o pão que eu darei é a minha carne, entregue pela vida do mundo”, e prossegue “Em verdade, em verdade, vos digo: se não comerdes a carne do Filho do Homem e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós.” (Jo 5, 53).

Essas palavras de Jesus são a fonte para o Decreto sobre o sacramento da Eucaristia promulgado no Concílio de Trento em 11 de outubro de 1551, que afirma: “Ora, porque Cristo, nosso redentor disse que aquilo que oferecia sob a espécie do pão era verdadeiramente seu corpo, existiu sempre na Igreja de Deus a persuasão que este santo Concílio novamente declara: pela consagração do pão e do vinho realiza-se uma mudança de toda a substância do pão na substância do Corpo de Cristo, nosso Senhor e de toda a substância do vinho na substância de seu Sangue. Esta mudança foi denominada convencionalmente e com propriedade pela santa Igreja católica, transubstanciação.”

O mistério da transubstanciação ocorre durante a consagração do pão e do vinho na Santa Missa, quando o sacerdote declara: “Isto é o meu corpo. Este é o cálice do meu sangue”. A partir de então já não temos pão e vinho, mas o Corpo e o Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo. A aparência de pão e de vinho continua a mesma, mas a substância, a essência, já não é. O gosto, o peso, o formato, tudo é de pão e de vinho, mas a substância não é, no que parece pão e vinho temos Jesus, corpo, sangue, alma e divindade, Jesus inteiro, completo, homem e Deus. Ocorreu uma mudança na substância do pão e do vinho, mas não nas suas características físicas.

É por isso que na “Profissão de Fé” do Papa Paulo VI, conhecida como “Credo do Povo de Deus”, se reza: “Cremos que como o pão e o vinho consagrados pelo Senhor, na Última Ceia, foram mudados no seu Corpo e no seu Sangue, que iam ser oferecidos por nós na Cruz, assim também o pão e o vinho consagrados pelo sacerdote se mudam no Corpo e no Sangue de Cristo glorioso que está no céu, e cremos que a misteriosa presença do Senhor naquilo que misteriosamente continua a aparecer aos nossos sentidos do mesmo modo que antes, é uma presença verdadeira, real e substancial.

Tudo de acordo com o que está previsto no Catecismo da Igreja Católica, parágrafo 1374, que diz: “O modo da presença de Cristo sob as espécies eucarísticas é único. Ele eleva a Eucaristia acima de todos os sacramentos e faz dela “como que a perfeição da vida espiritual e o fim para que tendem todos os sacramentos”. No Santíssimo Sacramento da Eucaristia estão “contidos, verdadeira, real e substancialmente, o Corpo e o Sangue, conjuntamente com a alma e a divindade de nosso Senhor Jesus Cristo e, por conseguinte, Cristo completo”. “Esta presença chama-se ‘real’, não a título de exclusividade como se as outras presenças não fossem ‘reais’, mas por excelência, porque é substancial, e porque por ela se torna presente Cristo completo, Deus e homem”.

Assim é possível que pareça escândalo estar Deus em um pedaço de pão e em um cálice de vinho e os homens dele se alimentarem. De fato, quando Jesus o anunciou, muitos o abandonaram (cf. Jo 6, 66), e esse questionamento da presença real de Cristo na Eucaristia persistiu ao longo da história do cristianismo, fazendo surgir inúmeras heresias. A Igreja católica, no entanto, manteve-se fiel à Palavra de Jesus em Jo 6, 55: “Pois minha carne é verdadeira comida e meu sangue é verdadeira bebida”. Como afirma Santo Tomás de Aquino, tudo pode enganar, mas não a Palavra de Deus, veja: “Enganam-se em ti a vista, o tato e o gosto. Com segurança só no ouvido cremos: creio tudo o que disse o Filho de Deus. Nada é mais verdadeiro do que esta palavra de verdade”.

 

Por Valéria Tavares, Membro Compromissado da Comunidade Recado.

 

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