É pecado ter medo de Deus?

É pecado ter medo de Deus?

É pecado ter medo de Deus?

Para entendermos essa relação de medo com Deus, primeiramente vamos entender o que ele significa. Medo, do latim metus, trata-se de uma perturbação angustiosa perante um risco ou uma ameaça real ou imaginária. É uma emoção que se caracteriza por um intenso sentimento habitualmente desagradável, provocado pela percepção de um perigo, seja ele presente ou futuro, real ou suposto. É uma das emoções primárias que resultam da aversão natural à ameaça, presente tanto nos animais como nos seres humanos1.

Sente-se medo, em primeiro lugar, do novo, daquilo que não se conhece, pois, o medo nos aponta para as nossas limitações – observe, por exemplo, uma criança ao ver um cachorro latindo. Aquele barulho que o cachorro fará vai assustá-la e ela pode fugir ou, quem sabe, depois do susto passado, aproximar-se do cachorro para brincar com ele até acostumar-se ao barulho que ele faz.   

Com Deus não é diferente: se não O conhecemos, fatalmente O temeremos – “De fato, teme-se mais o que se desconhece"2. E esse medo de nos aproximar de Deus vem muito do nosso vínculo familiar, principalmente no que diz respeito aos nossos pais, pois é a referência mais próxima que temos de família. A maneira como fomos tratados na nossa infância será fundamental para a nossa relação com Deus, pois uma coisa é crer n’Ele, outra é como vive-se com Ele.

O medo é necessário, porque nos imporá limites para não excedermos em determinados pontos; mas ele não pode ser determinante para a condução das nossas vidas, ou seja, não podemos deixar que ele nos controle, que diga a nós por onde devemos ir.       

Nessa busca de intimidade com Deus, podemos nos deparar com a falsa imagem do Deus vingativo, aquele que nos “punirá” se não fizermos o que Ele quer. E é exatamente neste ponto que temos que nos lançar e quebrar toda e qualquer falsa imagem de Deus, pois a fé que habita em nós é graça dada por Ele mesmo, graça essa que nos permite aproximarmos d’Ele e conhecer esse amor misericordioso que vem direto de Seu coração.

Devemos ter o temor a Deus, como está bem claro no Salmo 111, 10 e medo de nos perder d’Ele, de não ter Sua amizade devido a uma circunstância de pecado – isso é medo filial e não medo servil (medo do “chicote” por ter feito algo de errado e esperar a punição oriunda disso). Sendo assim, esse medo pode ser até mais perigoso do que o próprio pecado, pois ele nos faz tomar distância do Pai e, neste caso, Ele não teria nada a fazer, pois fecharíamos as portas para Ele e, como bem sabemos, Deus não entra sem que permitamos a Sua entrada nas nossas vidas.

Como fora dito, ter medo é necessário e também faz parte do processo do nosso autoconhecimento. Voltando à analogia da criança com o cachorro, é bem isso o que acontece conosco: podemos nos paralisar diante desse medo e não permitir que Ele se aproxime de nós – o que caracteriza o pecado – como também, depois do “susto passado”, podemos nos abrir ao novo e deixar Deus conduzir o nosso caminhar e, assim, conhecer esse Deus fascinante com tudo o que nos tem a oferecer.

 

 

Por Débora Silva, Membro Comunidade Recado.

 

Referências bibliográficas:

 

1 - Conceito de medo - O que é, definição e significado http://conceito.de/medo#ixzz4lnbs8DFr.

2 - CENCINI, Amedeo. Amarás o Senhor teu Deus: psicologia do encontro com Deus. 4 ed. São Paulo: Paulinas, 2002.