Duas dicas infalíveis para liderar seu Ministério

Duas dicas infalíveis para liderar seu Ministério

Sou capitão do Exército Brasileiro e missionário católico. Na minha carreira desde cedo aprendemos como ser chefes e também como ser líderes. Sim, chefiar e liderar são coisas diferentes e ambas podem ser aprendidas. Ambas estão relacionadas com o serviço de conduzir pessoas a um determinado objetivo, mas a chefia está relacionada com uma obediência funcional e a liderança com o despertar de uma obediência voluntária e espontânea. A chefia acompanha um cargo confiado a alguém para cumprir metas. Já a liderança pode ser opcional e depende da habilidade de inspirar e influenciar aos outros na conquista de objetivos. Seu resultado é um comprometimento profundo e inabalável com as metas propostas e com o próprio líder. Nem todo chefe é líder e nem todo líder é chefe.

Quando me formei, pude colocar diversos dos conceitos que aprendi em prática. Também deixei de empregar diversos outros conceitos que me foram ensinados. Por fim, pouco a pouco fui deixando os conceitos de liderança de lado e me tornando mais chefe e menos líder. Percebi isso quando deixei de ver o brilho nos olhos da minha equipe e perceber que ela obedecia minhas ordens por pura exigência profissional.

Por isso, resolvi voltar a estudar os conceitos de liderança que aprendi nos bancos escolares e a colocá-los em prática segundo uma ótica cristã. Mais que isso, assumi o amor cristão dentro da minha profissão numa ótica de liderança. Redescobri que Jesus foi o maior dos líderes, afinal, ninguém influenciou e ainda influencia o gênero humano de maneira tão profunda. E vi que sua forma de liderar pode e deve ser empregada por qualquer formador comunitário, responsável por grupo de oração, por qualquer coordenador de ministério, qualquer pároco, enfim, qualquer pessoa que tenha recebido a missão árdua de guiar o rebanho.

Sem dúvidas, duas atitudes se destacam de maneira absoluta e agora eu as compartilho com vocês:

Primeiro: importe-se profundamente com suas ovelhas. Essa é a dica mais importante. Não basta fingir se importar, mas é preciso uma atenção genuína, como se suas ovelhas fossem seus filhos. É preciso se preocupar, torcer pela vitória das ovelhas, reconhecer suas potencialidades e ter certeza que o sucesso de cada uma delas é o seu próprio sucesso. Também, é preciso sentir a dor de cada ovelha, em plena compaixão, chorar com suas quedas e corrigi-las quando necessário. Isso nada mais é que o exercício do amor. Além disso, no exercício da liderança não basta amar, mas é fundamental que a ovelha se sinta amada, protegida. A ovelha precisa confiar no seu pastor.

O líder precisa ser um excelente ouvinte: escutar, dar atenção, compartilhar generosamente o seu tempo com suas ovelhas. Ele realmente estuda e avalia as opiniões dadas pelos liderados, pois se algo é importante para a ovelha, também o deve ser para o líder. Essa atitude gera comprometimento e confiança.

Segundo conselho: dedique-se totalmente à sua missão. Liderar não é uma honraria, mas um serviço aos outros. Ora, não existe a menor possibilidade de alguém liderar sem empregar muito esforço, muito suor e muito tempo. Se você não está disposto a isso, você simplesmente não está disposto a ser líder. O líder é o primeiro a chegar e o último a sair. O líder trabalha enquanto os outros descansam. O próprio Cristo muito pouco descansou em seu anúncio. Ele nunca deixou de amar concretamente quem quer que fosse para descansar, mas muitas vezes deixou de descansar para ensinar, curar e amar a quem precisasse. Isso tem três motivos simples: quanto mais tempo dedicado ao serviço, mais preparado o pastor estará para enfrentar as mais diversas situações. Além disso, o líder precisa ser autoconfiante, e esse tempo de preparo vai aumentar a crença em suas próprias capacidades. Finalmente, quanto mais as ovelhas perceberem a preparação de seu pastor, mais confiarão em seu trabalho e mais se inspirarão a seguir o seu exemplo.

Bem, esse método de exercer a liderança, especialmente no começo, exige o exercício constante dessas duas atitudes e uma atenção permanente, que aos poucos, vai se tornando natural. Entretanto, que não haja dúvidas: essa morte pessoal que o líder vive vale a pena. Com a prática dessas duas atitudes minha equipe tornou-se muito mais motivada, autoconfiante, produtiva, comprometida e santa. O melhor de tudo: a prática desses conselhos tornou a minha equipe muito mais feliz!

Trate seus soldados como seus filhos e eles morrerão por você.” (Sun Tzu – A Arte da Guerra)

Por Carlos Frederico Bahia Barreto, Capitão de Infantaria do Exército Brasileiro e Membro da Comunidade Recado.

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