De que serve a Quaresma para um artista?

De que serve a Quaresma para um artista?

Inspiração artística não se compra, não se tem por força e nem “dá em árvore”, é dom e, para nós cristãos, a inspiração artística é dom do alto, vem de Deus. Como diz a poetiza mineira Adélia Prado: “A arte é expressão pura, então ela vem de um lugar mais alto. A gente poderia falar igual o Guimarães Rosa: ‘vem da terceira margem do rio’ e não é da inteligência, não é a razão que produz, é um terceiro lugar em nós, é na alma, é lá onde habita o Espírito, o Espírito Santo.”

Adélia defende a ideia de que toda arte parte da poesia, toda inspiração artística, seja para música, arte, dança ou qualquer outra expressão de arte, nasce no que ela chama de “momento poético”, ou seja, quando nos é dado no interior uma inspiração, uma ideia, uma moção, uma ligeiríssima percepção, uma percepção de algo, onde o olhar poético vê além do que realmente se está vendo, que vê o que há por trás de algo.

TRANSFORME SEU MINISTÉRIO DE MÚSICA, TEATRO E DANÇA EM CINCO DIAS

São João Paulo II, quando escreve aos artistas de todo o mundo, mostra a mesma linha de pensamento, mas chama o “momento poético” de “momentos de graça”. Diz ele: “Toda a autêntica inspiração, porém, encerra em si qualquer frêmito daquele ‘sopro’ com que o Espírito Criador permeava, já desde o início, a obra da criação. Presidindo às misteriosas leis que governam o universo, o sopro divino do Espírito Criador vem ao encontro do gênio do homem e estimula a sua capacidade criativa. Abençoa-o com uma espécie de iluminação interior, que junta a indicação do bem à do belo, e acorda nele as energias da mente e do coração, tornando-o apto para conceber a ideia e dar-lhe forma na obra de arte. Fala-se então justamente, embora de forma analógica, de ‘momentos de graça’, porque o ser humano tem a possibilidade de fazer uma certa experiência do Absoluto que o transcende.”

Sem essa “experiência do Absoluto”, vemos que é impossível existir qualquer inspiração artística, momento poético, ou momentos de graça! O Tempo Quaresmal é um tempo favorável para essa “experiência do Absoluto”. A Quaresma nos dá caminhos para grandes experiências com Deus. Queremos deixar aqui três caminhos que podem favorecer sua inspiração artística: jejum, silêncio e oração!

 TRANSFORME SEU MINISTÉRIO DE MÚSICA, TEATRO E DANÇA EM CINCO DIAS

Jejum

Segundo o monge beneditino Anselm Grün, “ao jejuar, ficamos acordados e abertos ao espiritual, abertos para Deus, permeáveis para o Espírito de Deus”, ou seja, o jejum nos favorece para a intimidade com Deus. Nós deixamos até mesmo o alimento que nos é vital para estarmos só com Deus, o Pão da Vida, que nos sacia integralmente. Como diz o monge, ficamos “permeáveis para o Espírito de Deus”, mais sensíveis à sua ação e à sua voz que nos inspira e dá toda a criatividade necessária para por em prática essa inspiração. A sensibilidade espiritual é apenas um entre os muitos benefícios do jejum, benefícios que podem atingir todas as áreas da nossa vida.

 

Silêncio

Adélia Prado diz: “A beleza da arte é puro silêncio e pura audição”.

É impossível ouvir se não fizermos silêncio. Padre Paulo Ricardo afirma: “O encontro com Deus não é possível se não silenciarmos, pois se Deus nos fala, precisamos estar prontos para ouvir”. Sem o silêncio vivemos somente de encontros superficiais com Deus. Se não há silêncio, “não há encontros de coração a coração”, diz Padre Paulo.

O Papa Emérito Bento XVI fala-nos sobre esse silêncio de escuta: “Temos necessidade daquele silêncio que se torna contemplação, que nos faz entrar no silêncio de Deus e assim chegar ao ponto onde nasce a Palavra, a Palavra redentora”.

É uma condição, se não há silêncio, não há escuta! E podemos dizer que vai além do silêncio exterior. Muitas vezes, com esforço, conseguimos um momento de silêncio exterior, mas hoje em dia vivemos em um mundo barulhento e conturbado e quando falamos de silêncio, estamos falando sobretudo de um silêncio interior, de manter o coração atento como um vigia silencioso atento ao mais sutil ruído.

Santa Faustina Kowalska diz em seu Diário: “Deus não se comunica à alma tagarela”. O silêncio é, antes de tudo, um lugar de encontro com Deus e com seu Espírito Santo.

 TRANSFORME SEU MINISTÉRIO DE MÚSICA, TEATRO E DANÇA EM CINCO DIAS

Oração

Não existe nada de mais poético do que a oração!

Mais uma vez cito Adélia Prado que diz que “Deus fala na língua poética”. A poetiza, ao falar da Santa Missa, a maior de todas as orações católicas, a apresenta como o grande mistério, o mistério do humano diante do divino, e diz que esse encontro jamais pode ser colocado num nível de coisas banais ou comuns.

De fato, encontrar-se com um amigo ou com alguém que amamos é o momento mais esperado e importante do nosso dia, ainda mais quando essa pessoa é Deus, o Divino, o Eterno, o Todo-Poderoso!

Santa Teresa d’Avilla vai dizer que “a oração não é mais do que um tratar de amizade, estando muitas vezes a sós com Quem sabemos que nos ama”. Tratar de amizade, estar a sós, dialogar, isso é oração! Ela ainda diz: “Deus e a alma se compreendem, como dois amigos que não precisam de palavras para manifestar-se a grande afeição que os une”.

Já no conceito de oração de Santa Teresinha do Menino Jesus: “A oração é um impulso do coração, é um simples olhar lançado ao céu, um grito de reconhecimento e amor no meio da provação ou no meio da alegria.”. A oração é a coisa mais simples da vida cotidiana, nós que a complicamos!

 

A Quaresma está no final, mas não a nossa vida e a nossa arte, então ficam aqui esses três caminhos que podem nos abrir às novas inspirações!

 

Por Felipe Zanotto Reigota, Membro Compromissado da Comunidade Recado.

 

Você acha que está faltando mais formação para os artistas católicos? Então CLIQUE AQUI e temos uma solução para te apresentar.