Dança na Liturgia

Dança na Liturgia

Estudando sobre Liturgia e refletindo sobre a Dança, me indaguei qual o papel a Dança na Liturgia. Essa não é uma pergunta fácil de se responder, sobretudo, se não se tem um conhecimento, um olhar mais atento sobre o que é Liturgia. Temos materiais muito bons, documentos da Igreja, falando sobre a liturgia, sobre música na liturgia, mas muito pouco ou quase nada temos falando sobre a dança na Igreja, na Liturgia.

Em seu curso EAD sobre Liturgia, o Pe. Joãozinho define a Liturgia como “a célebre ação da passagem de Deus em nosso meio..., é a celebração do Mistério Pascal de Cristo, é fazer memória da nossa história de salvação”. Segundo o Catecismo da Igreja Católica, “na tradição cristã, liturgia quer significar que o povo de Deus toma parte na obra de Deus. Pela Liturgia, Cristo, nosso redentor e sumo sacerdote, continua em sua Igreja, com ela e por ela, a obra de nossa redenção... não designa somente a celebração do culto divino, mas também o anúncio do Evangelho e a caridade em ato.” (CIC 1069 e 1079).

Dessa forma, percebemos que a Dança na Igreja está não só a serviço do culto divino, mas participa, sobretudo, do anúncio do Evangelho pelo nosso corpo e movimentos. A Dança aqui não é meramente sequências de passos ou movimentos de corpos, não é meramente uma técnica afinada, perfeita. A Dança na Igreja vai além do corpo, ela vem de dentro, do interior, da alma e, sobretudo, de uma relação de profunda intimidade com Deus e está a serviço do Reino.

Existem os ritos e preceitos previstos na Sagrada Liturgia que devem ser respeitados e seguidos fielmente, mas não se trata de dança pela dança, simplesmente pela beleza técnica. Trata-se de significar pelo corpo a finalidade geral da Liturgia, que é a Glória de Deus e a Santificação dos fiéis. Mas, qual a função da dança na Sagrada Liturgia?

A Dança é a expiração da energia de corpos, é o respirar de nossa alma que transpira pelo nosso corpo. Assim sendo, a Dança na Igreja, diferentemente da dança no meio secular não é o fim próprio, mas o meio, o instrumento pelo qual o Senhor se utiliza de nossos corpos – templos do Espírito Santo, para atualizar o mistério de nossa Salvação.

A Dança na Liturgia é esse instrumento que comunica a mensagem e o amor de Deus aos homens. Seja acompanhando a procissão de entrada, no ofertório e pós-comunhão, a Dança na Liturgia acompanha a dinâmica do rito e vem adornando o mistério eucarístico celebrado. Ela tem a função de aproximar os fiéis do mistério, de ser e fazer comunidade, unindo a assembleia pelos gestos e conduzindo o olhar dos fiéis para Jesus que se dá em sacrifício no altar.

A nossa dança em profunda intimidade com Deus em Jesus Cristo e no Espírito Santo expressa uma reverência à Deus, o reconhecimento de seu amor pela humanidade e a busca pela santidade. É preciso buscar a singeleza das expressões. A Dança na Liturgia não é para ser rebuscada, cheia de supérfluos e lampejos, mas simples, singela, vazia de luxos e cheia de sentido, vazia de nós e cheia de Deus. A arte como parte da liturgia é sua humilde serva. Desta maneira, se faz necessário buscar a originalidade na simplicidade! Esse é um grande desafio, pois tendemos a fazer sempre o mesmo e nos limitamos na criação, mas essa originalidade vem da intimidade com o Espírito Santo que nos inspira e nos revela o amor de Deus em sua Palavra. A própria Palavra de Deus é para o ministro de dança uma fonte inesgotável de inspiração, pois ali é o próprio Deus, o próprio verbo quem nos comunica.

São Francisco de Assis nos diz: “Pregai o evangelho o tempo todo. Se necessário use palavras”. Essa frase nos revela o que é a Dança para um Ministro de Dança! Evangelizar sem necessariamente usar palavras. Dizer pelo nosso corpo, pelo nosso dançar a mensagem de Deus aos homens; fazer memória de nossa história de Salvação; atualizar pelos nossos movimentos o cume do Mistério Eucarístico: a Paixão, a Morte e Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo. Cada movimento do corpo deve expressar a verdade que é Deus. A Dança na Liturgia deve manifestar, tornar presente e comunicar a obra de salvação de Cristo.

 

Por Laianne Viana, Membro da Comunidade Recado.

 

 

Referências

Catecismo da Igreja Católica.

EAD Século 21 sobre Liturgia – Pe. Joãozinho.

 

 

 

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