Corpo expressão do sagrado? As entrelinhas do ser

Corpo expressão do sagrado? As entrelinhas do ser

Fomos criados inteiros e em unidade. Nosso corpo é constituído de membros, órgãos, tecidos, músculos, ossos, cavidades, articulações etc. Porém, como artistas católicos, precisamos também perceber esse corpo em três dimensões: mente (razão), alma (presença do divino em nós; “... fomos feitos imagem e semelhança de Deus...” ­­– Gen 1, 26) e coração (carne, humanidade). Não somos fragmentados (ao menos não devemos ser), não vemos andar por aí braços, pernas, cabeças, membros separados, dissociados do corpo. Assim também, nossa mente, alma e coração não podem estar dissociados/fragmentados dentro de nós. Dessa forma, mente, alma e coração devem estar em unidade dentro desse corpo que somos, em nossa totalidade e unidade em Deus (1 Cor 12, 13; 27).

Quem nos traz essa unidade é o Seu Espírito Santo. Fomos criados à imagem e semelhança de Deus e, como tais, somos templo desse Espírito de amor. Em Maria vemos claramente a ação do Espírito Santo no corpo em unidade (Lc 1, 35). Ele nos traz a sacralidade original que nos foi dada no ato da criação, nos purifica, nos cura, nos liberta e nos integra frente à fragmentação causada pelos nossos pecados e misérias. Mas o que isso tudo tem a ver com o corpo e com a dança?

Nosso corpo é o instrumento por meio do qual Deus realiza os seus desígnios de amor, Sua obra de salvação. Ele semeou em nossa alma o movimento de amor da Santíssima Trindade. Se nosso corpo é instrumento de Deus, não podemos olhá-lo apenas pela perspectiva de nossa humanidade que tende ao carnal. É preciso vê-lo em sua totalidade, naquilo que nosso corpo foi criado por Deus para ser.

Em suas catequeses na Teologia do Corpo, São João Paulo II afirma que: “é no corpo que acontece a revelação do mistério de Deus (Teologia do corpo), descobrindo assim, a partir do corpo, a pessoa com sua subjetividade e como dom de si para o outro”. Ele afirma também que: “Pelo fato de o Verbo de Deus ter se feito carne, o corpo entrou pela porta principal na teologia”, ou seja, pela encarnação do Verbo o corpo ocupa um lugar central na teologia e na espiritualidade cristã, Deus assume um corpo, elevando com isso a dignidade da natureza humana.

“O corpo, e somente ele é capaz de tornar visível aquilo que é invisível: o espiritual e divino. Esse “corpo” revela a “alma vivente”, que o homem se tornou quando Deus soprou a vida nele (Gen 2, 7). Ele foi criado para transferir para a realidade visível do mundo o mistério invisível escondido em Deus desde os tempos imemoráveis, e assim ser um sinal deste mistério”, isto significa que Deus, ao criar homem e mulher à Sua imagem e semelhança (Gn 1, 27), imprimiu em nossos corpos o Seu mistério invisível. Compreendemos assim que, quando dançamos somos imagem visível de um Deus invisível que se utiliza do nosso corpo que é templo de Seu Santo Espírito, para se tornar visível aos filhos Teus. Como ministros de dança, somos mensageiros de Deus, que torna visível em movimentos, o amor de Deus pelos homens.

Para São João Paulo II “o homem se torna ‘imagem e semelhança’ de Deus não somente através de sua própria humanidade, mas também através da comunhão de pessoas que homem e mulher formam desde o princípio”. O fato de Deus criar o corpo como um “sinal” de seu divino mistério, é a razão pela qual São João Paulo II fala do corpo como uma “teologia”, ou seja, no corpo Deus se revela e, por isso, nele podemos conhecer os mistérios de Deus. Deus nos comunica Sua vida no e através do corpo; em e através do Verbo tornado carne.

O corpo é nossa expressão, nosso sacramento. E é com esse corpo que é expressão e sacramento que nós dançamos!

 

Por Laianne Viana, Membro da Comunidade Recado.

 

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