Como servir à Liturgia enquanto músico?

Como servir à Liturgia enquanto músico?

Estou servindo corretamente à Liturgia? Esse é um questionamento que sempre fazemos, principalmente quando vamos servir à Liturgia, seja no serviço de leitura, de ornamentação, no acolitato, acolhimento; o fazemos de forma mais preocupada quando servimos na música. Mas afinal, escolhi corretamente os cantos da missa? Qual instrumento musical pode usar? No entanto, para sabermos se estamos servindo corretamente à liturgia, precisamos primeiramente entender o que é Liturgia.

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De acordo com o dicionário, o vocábulo Liturgia, em grego, é formado pelas raízes leit- (de laós, povo) e -urgía (trabalho, ofício) que significa serviço ou trabalho público. Por extensão de sentido, passou a significar também, no mundo grego, o ofício religioso, na medida em que a religião no mundo antigo tinha um caráter eminentemente público. Portanto, um dos pontos para identificarmos se estamos agindo de forma correta no nosso serviço litúrgico, é sabermos se estamos a serviço do povo.

A Constituição Sacrosanctum Concilium (SC) no parágrafo 14 nos diz que: “A Igreja deseja ardentemente que todos os fiéis participem das celebrações de maneira consciente e ativa, de acordo com as exigências da própria liturgia e por direito e dever do povo cristão, em virtude do batismo, como ‘raça eleita, sacerdócio régio, nação santa e povo adquirido’ (1Pd 2,9).”.

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A Celebração Eucarística, que é o ápice da Liturgia, é celebrada por todo o povo de Deus. Participamos de forma ativa na ação litúrgica.

Ainda na Sacrosanctum Concilium temos: “Os acólitos, leitores, comentadores e cantores, exercem um verdadeiro ministério litúrgico. Desempenhem, pois, as suas funções com devoção e ordenadamente, como convém à dignidade do ministério e ao que o povo de Deus deles exige, como todo o direito.” (SC, 29).

A CNBB (Confederação Nacional dos Bispos do Brasil) nos dá algumas orientações para a escolha de um repertório litúrgico apropriado:

a)    Os textos dos cantos sejam tirados da Sagrada Escritura ou inspirados nela e das fontes litúrgicas; sejam poéticos, evitando explicitações desnecessárias, moralismos, intimismos, chavões;

b)    As melodias sejam acessíveis à grande maioria da assembleia, porém, belas e inspiradas;

c)    Sejam evitadas melodias e textos adaptados de canções populares, trilhas sonoras de filmes e de novelas;

d)    Seja levada em conta o tipo de celebração, o momento ritual em que o canto será executado e as características da assembleia;

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e)    Sejam respeitados os tempos do Ano Liturgico;

 

f)     Seja considerada a cultura do povo do lugar;

 

g)    Sejam levadas em contas as dimensões comunitárias, dialogal e orante nos textos e melodias;

 

h)   As músicas devem estar no plural, exceto quando é uma personagem bíblica ou o próprio Jesus.

 

A Constituição sobre a Sagrada Liturgia nos diz ainda que: “Os que fazem música, imbuídos do espírito cristão, considerem uma verdadeira vocação cultivar e desenvolver o tesouro da música sacra. Componham melodias que expressem de fato as características da música sacra e possam ser cantadas não só pelos grandes corais, mas também pelos mais modestos e que se adaptem à participação de todos os fieis. As letras devem estar de acordo com a doutrina católica e ter como fonte de inspiração a Sagrada Escritura e a liturgia.” (SC, 121).

Na Celebração Eucarísticas existem partes que são ritos, por isso, não podem ser alterados em seus textos. São eles:

  • Rito Inicial: Sinal da Cruz, Saudação, Kyrie (Senhor, tende piedade), Glória (hino de louvor);
  • Liturgia da Palavra: Salmo Responsorial, Aclamação, Credo – Resposta das Preces;
  • Liturgia Eucarística: A Prece Eucarística (desde a saudação inicial até a doxologia).

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Existem ainda partes (ou cantos) que acompanham o rito, que são:

  • Rito Inicial: Abertura (ou Canto de Inicial);
  • Liturgia Eucarística: Oferendas, Cordeiro de Deus, Comunhão, Pós´.Comunhão;
  • Rito Final: Canto Final

Atentos a esses aspectos e em espírito de serviço e oração, auxiliados pelo Espírito Santo, teremos sempre uma disposição para melhor servir o povo de Deus e a Liturgia.

“Quanto chorei ouvindo vossos hinos, vossos cânticos, os acentos suaves que ecoavam em vossa Igreja! Que emoção me causava! Fluíam em meu ouvido, destilando a verdade em meu coração. Um grande ela de piedade me elevava, e as lágrimas corriam-me pela face, mas me faziam bem.” (Santo Agostinho, Conf. 9,6,14).

 

Por Flávio Cavalcante, Membro da Comunidade Recado

 

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Constituição Sacrosanctum Concilium sobre a sagrada liturgia. 11 Edição – 2011 – Edições Paulinas.

Introdução Geral do Missal Romano 5 Edição – 2013 – Edições CNBB.

http://www.dicionarioinformal.com.br/liturgia. acessado em 09 de Dezembro de 2016.

 

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