Como ser um artista ungido

Como ser um artista ungido

Terceiro texto da Série “Unção”

 

Em nosso primeiro texto aprendemos que o Espírito Santo é a unção de Deus. No segundo texto nós vimos a afirmação de São João em sua 1ª Carta: “Vós, porém, tendes recebido a unção que vem do Santo…” (I Jo 2, 20) e compreendemos que Jesus, o Ungido do Pai, nos confere sua própria unção que nos faz capazes de realizar obras como as Dele.

Em nosso terceiro texto veremos que é na oferta total de Sua vida que Jesus extraiu o óleo com que ungiu a humanidade inteira.

Assumir a vida de Cristo, ser verdadeiramente cristão, é repetir Suas ações, é pregar Sua Palavra, é seguir Seus passos, á abraçar a cruz, sofrer, morrer e ressuscitar! Muitos de nós ainda queremos ser cristãos sem cruz e isso não existe, porque sem cruz não há ressurreição, não há vitória!

“Quando finalmente o Cristo é glorificado, pode, por sua vez, de junto do Pai, enviar o Espírito aos que creem nele: comunica-lhes sua glória, isto é, o Espírito Santo”. (Cat. § 690) O Catecismo da Igreja é claro em dizer que Jesus só ‘pode’ enviar o Espírito Santo, a Unção de Deus, sobre nós quando foi glorificado, ou seja, após sua paixão, morte e ressurreição, exatamente quando assume Seu lugar à direita do Pai. Por isso que nós artistas devemos tomar cuidado com a glória efêmera, que conhecemos como ‘fama’, porque ela não passa de uma simples glória humana (Cat. §1723), que ilude os artistas prometendo notoriedade, glamour e riqueza. Não! O artista católico não precisa de fama, ele precisa de êxito missionário. Ele não precisa de fãs, ele precisa gerar seguidores para Cristo, precisa fazer Cristo conhecido e amado! Ele não precisa de fama, ele precisa envidar todos os seus esforços para que a sua arte seja reconhecida como verdadeiro sustento de louvor, como fonte de cura e canal de encontro com Deus! E não existe outro caminho senão o da cruz!

Imitar a Cristo ao ponto de abraçar a cruz e dar a vida por amor a Deus e aos irmãos é exatamente a carreira que são Paulo nos apresenta em sua segunda Carta a Timóteo: “Sê prudente em tudo, paciente nos sofrimentos, cumpre a missão de pregador do Evangelho, consagra-te ao teu ministério. Quanto a mim, estou a ponto de ser imolado e o instante da minha libertação se aproxima. Combati o bom combate, terminei a minha carreira, guardei a fé. Resta-me agora receber a coroa da justiça, que o Senhor, justo Juiz, me dará naquele dia, e não somente a mim, mas a todos aqueles que aguardam com amor a sua aparição” (II Tm 4, 5-8). Ninguém melhor do que São Paulo para nos ensinar que o sucesso do nosso ministério se dá na imitação de Cristo e não apoiando-se meramente nas nossas capacidades humanas. Ele era judeu – fariseu, rabino, doutor da Lei, falava grego, hebraico e latim –, mas o êxito em sua ‘carreira’ se deu pela sua escolha em ser um autêntico cristão.

Nos Evangelhos encontramos a narração da Agonia de Jesus no Horto das Oliveiras, no momento em que Ele estava prestes a ser entregue nas mãos dos algozes. Mas porque Jesus escolheu ficar em oração em um horto de oliveiras? Nisso tudo há um belo ensinamento: A oliva, a azeitona é quem dá o óleo, o azeite, mas para isso ela precisa ser espremida, macerada, esmagada, e assim fez Jesus, como diz o Profeta Isaías: “Ele foi esmagado por nossas iniquidades” (Is 53, 7. 10). O Horto das Oliveiras é chamado de Getsêmani, que é justamente o nome da máquina usada para esmagar as azeitonas para delas se extrair o óleo. Identificamos, portanto, onde é que Jesus produziu o óleo com que, mais tarde, ungiu a humanidade, foi no sofrimento, na entrega total da sua vida por amor!

Nesse terceiro texto da Série “Unção” queremos te deixa as seguintes reflexões:

- Como tenho assumido minha ‘carreira de cristão’?  Tenho sido outro Cristo?

- Como artista católico, tenho abraçado a minha cruz e usado meu testemunho cristão para dele extrair a unção do meu ministério?

- Como tenho acolhido o sofrimento em minha vida: com murmuração ou com louvor?

 

“Mas aprouve ao Senhor esmagá-lo pelo sofrimento; se ele oferecer sua vida em sacrifício expiatório, terá uma posteridade duradoura, prolongará seus dias, e a vontade do Senhor será por ele realizada.” (Is 53, 10)

 

Por Felipe Zanotto Reigota, membro da Comunidade Recado.

 

 

 

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