Como não esquecer o texto teatral?

Como não esquecer o texto teatral?

O processo de aprendizagem de um texto em uma determinada peça de teatro não é algo tão difícil quanto possa aparentar para alguém não tão experiente na arte teatral. Mas, em contrapartida, também não é um processo que aconteça sem que uma parcela de esforço seja empregada.

O primeiro aspecto disso é que esse aprendizado não acontece sem que se leia bastante o texto. Quanto mais o ator está empenhado em fazer a sua parte e em ser profissional, mais ele se dedicará a ler o texto o máximo possível. Essa atitude é individual e ninguém vai poder fazer isso no lugar do ator. Ele precisa entender que o seu esforço e responsabilidade são fundamentais para o bom andamento dos ensaios. O ator não pode permitir que por causa da sua falta de comprometimento e de estudo que os prazos da montagem teatral sejam atrasados e comprometidos. Como qualquer texto ele precisa ser bem entendido para que possa ser reproduzido. Nos primeiros ensaios, alguns deles conhecidos como “ensaios de mesa” é interessante que o ator tire suas dúvidas sobre suas falas e seu personagem com o diretor da peça. É um momento de discussão e de fechamento dos entendimentos dos aspectos psicológicos e das eventuais mudanças no percurso de uma personagem.

Durante a leitura é importante que se leia o texto integral da peça e não somente os trechos correspondentes às suas cenas. Isso ajuda no entendimento da peça como um todo e para conhecer bem as entradas e saídas de cena do seu personagem. No que se refere às suas próprias cenas é importante conhecer também as falas dos outros atores em cena, principalmente as “deixas”. A “deixa” é a última fala de outro ator que antecede a minha fala. Ela é importante para ajudar a saber o momento exato de cada fala. A cada leitura de seu texto o ator deve ter esses aspectos em mente e buscar alternar momentos que ele se detém em uma determinada cena ou trecho e momentos onde ele busca fazer uma leitura integral do seu texto.

Outro aspecto importantíssimo para não se esquecer do texto teatral diz respeito aos ensaios. Durante os ensaios vão se estabelecendo em processo as marcações de cena para cada personagem. Através disso se define para onde o ator anda, como anda, em que ritmo anda e por aí vai. Aliado a isso o ator vai atrelando suas falas a gestos e movimentos. Tudo isso vai servindo para que o ator construa uma “partitura corporal” onde o processo de aprendizagem do texto acontece também em um nível corporal. Essa partitura permite ao ator que ele se guie durante as suas cenas e que una a palavra ao gesto. Isso não significa que toda palavra presente no texto precise necessariamente de um gesto a acompanha-la. Os gestos e movimentos no teatro precisam ser acompanhados de uma intenção e de um contexto. Fora desses critérios os movimentos correm o risco de se apresentarem de forma exagerada e mais prejudicarem do que auxiliarem na apresentação teatral.

Para além desses problemas é importante frisar que o corpo do ator precisa fazer parte do seu processo de memorização do texto. Com isso, faz-se uso de uma propriedade do ser humano que diz respeito à memória muscular. O nosso corpo também possui uma memória e um processo de armazenamento de informações que ajuda tanto na dança quanto no teatro. Claro, que essa memorização no corpo e no intelecto não acontece sem que seja através de um intenso processo de repetição. Quanto mais se lê o texto, quanto mais se ensaia e se repete o gesto e o movimento, mais isso vai ajudando no processo de fixação. Por isso, que a necessidade de se ensaiar bastante é tão importante para o teatro. Na media em que ele emprega mais tempo e mais ensaios, mais fácil e mais seguro vai sendo tudo isso. E isso vai depender do esforço de cada ator. É só com muito esforço e dedicação que alguém aprende um texto no teatro.

 

Por Leonardo Falconeri, Membro Compromissado da Comunidade Recado.

 

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