Como interpretar os textos Bíblicos?

Como interpretar os textos Bíblicos?

Bíblia é um conjunto de livros escritos durante vários séculos. Bíblia significa livrinhos, pois é o plural da palavra grega biblíos (livro). A Bíblia é formada por dois grandes blocos chamados Testamentos.

Segundo o Dicionário Direito Net (DN), Testamento é: ”ato unilateral de última vontade, de natureza revogável, pelo qual alguém dispõe, no todo ou em parte, de seu patrimônio para depois de sua morte. Note-se que todos aqueles que têm capacidade de fato podem testar. O testamento é ato solene e pode se dar de forma ordinária ou especial”.

Nas Sagradas Escrituras a palavra Testamento aparece na carta do apóstolo Paulo aos Gálatas (Gl 3,15-17) e no livro aos Hebreus (Hb 9, 15-17) para dizer que somos herdeiros de uma promessa que foi feita por Deus à Abraão e à sua descendência, Jesus Cristo. Abraão faz parte do Primeiro (ou Antigo) Testamento, e Jesus, do Segundo (Novo) Testamento.

O Antigo Testamento constitui a primeira e maior parte da Bíblia e, é formado pelos livros que foram escritos antes do nascimento de Jesus, aproximadamente entre os anos 1.250 a.C e 50 a.C.

O Novo Testamento traz os escritos feitos depois do nascimento de Jesus, começaram a ser escritos cerca de 20 anos após a morte de Cristo e, foram concluídos por volta do ano 100 ou 115 d.C.

Como essas informações, entendemos que, nem sempre a Palavra de Deus se encontrava no meio do povo da forma escrita, como a temos hoje.

Durante muitos anos, a Palavra de Deus, ou a experiência do Povo de Israel com Deus, foi passada de geração em geração pela forma oral. Isso se deu, primeiramente porque não se tinha muito acesso aos materiais utilizados à época para a escrita e, a grande maioria do povo não sabia ler, portanto, não havia a necessidade de algo documentado na forma escrita.

Quando vemos a Bíblia, como a temos hoje, não imaginamos que ela fora escrita durante muitos séculos, em épocas distintas, lugares diversos, alguns livros na época de Exílio, de escravidão. Vários são os autores inspirados.

No Catecismo da Igreja Católica, o parágrafo 105 nos diz que: “Deus é o autor das Sagradas Escrituras. As coisas divinamente reveladas, que se encerram por escrito e se manifestam na Sagrada Escritura, foram consignadas sob a ação do Espírito Santo”.

Deus inspira homens e mulheres, os escolheu, fazendo-os usar de suas capacidades a fim de que, agindo Ele próprio neles e por meio deles, escrevesse tudo e só aquilo que Ele queria.

O Catecismo ainda nos ensina que: “a fé cristã não é uma ‘religião do livro’. O Cristianismo é a religião da Palavra de Deus, não de uma palavra escrita e muda, mas do Verbo Encarnado e Vivo. Para que as Escrituras não permaneçam letra morta, é preciso que Cristo, Palavra Eterna de Deus Vivo, pelo Espírito Santo, nos abra o espírito à compreensão das Escrituras.” (Cat 108).

Precisamos do Espírito Santo para interpretar os textos bíblicos. Somente com o auxílio do Santo Espírito e em unidade com a Tradição da Igreja é que teremos condições de aprofundar nossos estudos e pesquisar, na busca pela compreensão do texto sagrado.

É de fundamental importância, ao interpretar o texto bíblico, levar em consideração os costumes da época, a cultura do povo, as condições em que se encontrava o povo ao qual é dirigido o texto, o porquê foi escrito, o gênero literário, qual a intenção dos autores sagrados.

O Concílio Vaticano II, segundo o Catecismo da Igreja Católica parágrafos 111 a 114, indica três critérios para uma interpretação das Sagradas Escrituras:

  1. Prestar muita atenção ao conteúdo e à unidade da Escritura inteira. Por mais diferentes e diversos sejam os livros e seus gêneros literários, a Palavra de Deus é uma só, do qual Cristo é o centro e o coração.
  2. Ler a Escritura dentro da Tradição Viva da Igreja inteira... a Igreja leva em sua Tradição a memória viva da Palavra de Deus, e é o Espírito Santo que lhe dá a interpretação espiritual da Escritura.
  3. Estar atento ‘à analogia da fé’. Por ‘analogia da fé’, entendemos a coesão das verdades da fé entre si e no projeto total da Revelação.

 

“São Jerônimo recorda que, sozinhos, nunca poderemos ler a Escritura. Encontramos demasiadas portas fechadas e caímos facilmente em erro. A Bíblia foi escrita pelo povo Deus e para o povo de Deus, sob a inspiração do Espírito Santo. Somente com o ‘nós’, isto é, nesta comunhão com o Povo de Deus, podemos realmente entrar no núcleo da verdade que o próprio Deus nos quer dizer.” (Verbum Domini, nº 30)     

 

Por Flávio Cavalcante, Membro da Comunidade Recado

 

 

Referências

Bíblia de Jerusalém, Nova edição, revista e amplicada, Ed. Paulus. Páginas, 2034 e 2094.

Dicionário Direito Net. Disponível em: <http://www.direitonet.com.br/dicionario>. Acesso em: 25 nov. 2016.

Bento XVI, Exort. ap. Pós-Sinodal Verbum Domini. 30 nov. 2010. Disponível em: <http://w2.vatican.va/>. Acesso em: 25 nov. 2016.

 

 

 

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