Como fazer críticas sem destruir a arte do outro?

Como fazer críticas sem destruir a arte do outro?

Nós artistas temos um dom para perceber coisas que outros muitas vezes não conseguem, isso faz parte de quem nós somos. Buscamos fazer o melhor, e por vezes nessa busca, quando vemos outros não conseguindo, dependendo da maneira que nos reportamos, em vez de ajudar, acabamos matando o dom do outro.

Assisti a um filme, cujo professor escolhia os melhores alunos, aqueles que ele enxergava ter talento, para compor sua banda. E para tirar deles o máximo de seu potencial, os humilhava. Estes na busca por mostrar que poderiam ser mais do que ele lhes dizia, faziam um esforço sobre humano. A pressão psicológica era tanta, que para não perder o lugar na banda eles se esquecem dos limites e da própria humanidade.

Levando isso para nossa realidade de artistas católicos, obviamente não podemos cometer tal agressão psicológica com nossos irmãos de ministério. Então temos uma pergunta, como ajudar o irmão a crescer sem matar seu dom? A resposta é simples, basta olhar para Jesus, para seu jeito de corrigir. Ele era sincero, mas buscava sempre falar com mansidão, procurando mostrar o melhor que ainda poderia acontecer.

Precisamos ensinar, em vez de apenas criticar. A crítica pode existir, desde que esta não seja dita para causar danos. Eu mesma já passei por situações que me fizeram querer desistir de ser artista, ou até mesmo duvidar do dom que Deus me deu. Isso aconteceu porque não souberam e não tiveram paciência com o meu tempo de amadurecimento artístico. Olharam apenas para meu erro em não alcançar a nota ou não conseguir manter a afinação. Foram o contrário de Jesus para mim. Mas também encontrei pessoas que me fizeram acreditar que eu sou capaz de alçar voos além do que imagino, que olharam para aquela impressão momentânea e disseram que eu podia superá-la. São essas pessoas que me dão força para recomeçar, e buscar ser melhor cada dia na missão que Deus me confiou. E é esta a forma que acredito que devemos chegar para o outro quando a sua arte não atingir o que sabemos que ele pode fazer. Não podemos ser os fariseus que acusam, mas o rosto manso e misericordioso de Jesus, que acolhe a dificuldade do outro e lhe diz que ainda tem uma longa estrada a ser percorrida, e que não estamos sós neste caminho.

 

Por Michele Sarmento membro compromissada da Comunidade Recado.