As dores da alma do artista

As dores da alma do artista

As dores da alma do artista

 

Se você sente que o dom da arte está presente em você, possivelmente sente também as angústias do ser artista, na forma de se expressar ou então na desvalorização de sua arte. Em meio à Igreja, não é diferente: quantas músicas, artes sacras, peças de teatro, passos de danças, espetáculos, poesias já compostas, tudo sem seus devidos créditos e valores, parece que tanto tempo criando e ensaiando de nada valeram.

A angústia maior do artista está exatamente em seu criar.

“Quem cria dá o próprio ser, tira algo do nada. (...) Já o artífice, usa de algo já existente e lhe dá forma e significado”. Esse é um trecho da Carta de São João Paulo II aos artistas, na qual nos mostra exatamente a diferença entre o Criador e o artista. Deus é o Criador de todas as coisas, e nós filhos, artífices desse Amor. O sentir-se angustiado ao exprimir seus sentimentos na arte acontece de acordo com o sentido que se dá para a mesma.

Quando temos por objetivo que a arte aponte para mim, para os meus sentimentos, para minha dor, para meu pecado, para que eu venha a ser algo através dela, não consigo ser artífice, mas assim tento ser criador de mim mesmo e de meus sentimentos.

E fazer o contrário disso não é fácil, porque a arte não é a expressão daquilo que sinto e sou? Pois bem, mas você sabe exatamente aquilo que sente e é? De fato, o artista, quando elabora uma obra, expressa-se a si mesmo e o resultado se torna o reflexo singular do próprio ser, daquilo que ele é e de como o é.

Portanto, não é na arte que devemos nos enxergar, mas nas Sagradas Escrituras, para que sabendo quem eu sou, eu possa expressar minha essência, que é ser “a Imagem e Semelhança de Deus” (Gn 1,26). É bebendo da Arte Prima, mergulhando em meu mais profundo âmago, que conseguirei externar aquilo que sou, e o que Deus é e age em mim.

 

“Por isso, quanto mais consciente está o artista do « dom » que possui, tanto mais se sente impelido a olhar para si mesmo e para a criação inteira com olhos capazes de contemplar e agradecer, elevando a Deus o seu hino de louvor. Só assim é que ele pode compreender-se profundamente a si mesmo e à sua vocação e missão.” (Carta de São João Paulo II aos artistas, 1999)

 

Uma das definições de “arte” é exatamente « o uso dessas habilidades nos diversos campos da experiência e da prática humana ».

Qual é a experiência que você tem com a Trindade Santa que lhe faz ser humano? É vivendo e agindo que o homem estabelece a sua relação com o ser, a verdade e o bem. É dando forma e significado às Glórias de Deus que conseguiremos alcançar os corações mais necessitados, inclusive os nossos próprios.

 

“Portanto, Deus chamou o homem à existência, dando-lhe a tarefa de ser artífice.” (Carta de São João Paulo II aos artistas, 1999.)

Por Larissa, Membro da Comunidade Recado.